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CRÍTICA: A Bússola de Ouro

A Bússola de Ouro
por Arthur Melo

Nunca um genêro cinematográfico ficou tão evidente. Tampouco de maneira tão agressiva. Desde 2001, grande parte dos estúdios hollywoodianos se acotovelam e buscam um espaço, mesmo que mínimo, para se projetarem nos cinemas em forma de fantasia. Quando os primeiros episódios da série Harry Potter e o Senhor dos Anéis entraram em circuito mundial com diferença de apenas 2 meses, a maioria massiva da crítica e dos próprios espectadores acreditavam que este era um segmento que não iria se firmar por muito tempo. Ledo engano. De lá para cá houve uma avalanche de produções do estilo em questão, todas adaptadas de obras literárias de grande valor. De fato, nenhuma conseguiu criar o impacto absurdo que se estende até hoje por Harry Potter, nem abocanhar tantos prêmios como O Senhor dos Anéis. A partida da corrida do ouro foi anunciada. Disney, Fox, DreamWorks, Paramount, todas tentaram alcançar um mínimo da parcela do público que a Warner Bros. possuia, mas o fracasso foi evidente. Se As Crônicas de Nárnia conseguiu arrecadar mais de 700 milhões pelo mundo em bilheterias e barganhar uma continuação para 2008 (devido ao brilhantismo que a Walt Disney detém ao cuidar bem de seus produtos), Eragon, Desventuras em Série, Ponte para Terabítia e Mimzy desampontaram na geladeira.

Sem dúvida, A Bússola de Ouro era a grande promessa do ano para tentar dividir o público. Orçada em 150 milhões de dólares, ultrapassada aos 180 milhões e repensada durante quase 10 anos, a super-produção baseada no primeiro volume da trilogia “Fronteiras do Universo” de Phillip Pullman desmente todo o rebuliço criado pela Igreja em cima da obra; infelizmente. Se, ao que parece, Pullaman usou sua habilidade com as letras para desenvolver uma trama infantil fantástica (definição para a qualidade e o estilo) repleta de critérios e objetos que desafiam a mente já adulta a contestar certas interferências da religião no desenvolvimento de cada ser humano, o filme, no máximo, salienta a subordinação da vontade das crianças ao querer dos adultos e estes aos mais poderosos. Mas esta é uma deficiência complicada de ser relacionada ao seu causador.

Produzida pela New Line Cinema – famosa por sua audaciosa adaptação da Trilogia do Anel – e distribuída pela PlayArte, a Bússola foi, em termos de esclarecimento, um jogo comercial para tentar ocupar o espaço vago que Peter Jackson criou ao finalizar sua obra-prima em 2004. Mas a falha, ao que parece, continuará com grandes chances de ser acentuada. Após duas semanas de exibição nos EUA e em algumas partes do planeta, o filme só arrecadou 142 milhões de dólares aproximadamente. O que ainda não cobre os custos de criação. A crítica mundial foi cruel em alguns pontos para com o trabalho do diretor e roteirista Chris Weitz e o público, como demonstram as sifras entrantes nos cofres da produtora, demonstra-se reluntante a ocupar uma vaga nas salas de projeção.

Ainda em 2003, Tom Stoppard ficou responsável pela elaboração do roteiro. Contudo a entrada de Weitz foi decisiva, já que este decidiu refazer o projeto com o concentimento e aprovação do autor da trama original, Phillip Pullman. Entretanto, o próprio Weitz, num acesso de inteligência e estupidez ( a julgar por seus trabalhos anteriors; Um Grande Garoto, FormiguinaZ e American Pie), julgou-se incapaz de levar o filme adiante, pois se sentiu inabilitado devido às proporções gigantescas que a Bússola exigia, desistindo em 2004. Quando a New Line escalou o excelente Anand Tucker (Moça com Brinco de Pérola) para assumir o timão, a franquia parecia finalmente salva; um grande filme estava para nascer, mas as imposições arrogantes motivadas pelo capitalismo da produtora foram o suficiente para afastar Tucker em 2005 e reconvocar Weitz. A essa altura o filme já estaria fragmentado e o projeto desgastado. O roteiro foi novamete adaptado por Chris, mas a magnitude e a inteligência que estariam presentes no enredo de Anand Tucker se perderam.

Espremidos contra os prazos estabelecidos pela New Line e pressionados pelo público, os produtores resolveram tocar a obra e pôr a mão na massa. Entrava em pré-produção o primeiro episódio da Trilogia Fronteiras do Universo.

Abençoado por um elenco de nomes conhecidos e capazes, o longa consegue ser atraente à primeira vista. A direção de arte é belíssima, realçada friamente pela fotografia. Os figurinos suntuosos e detalhados transmitem bem a natureza de cada personagem como uma luva com impressões digitais e os efeitos sonoros compensam os momentos embaraçosos dos efeitos visuais. Não que as animações digitais sejam ruins, de modo algum. O urso polar Iorek Byrnison (Ian McKellen), que acompanha Lyra em sua jornada – vivida pela estrante Dakota Blue Richards de maneira arrasadora, diga-se de passagem – ilustra o quanto os animadores foram cautelosos em certos aspectos. Aliás, a sequência do duelo contra o rei urso Ragner Sturlusson é a única cena de ação que emplaca. Mas o mesmo não pode ser dito de boa parte dos daemons. Eles convencem mais quando estão falando ou se expressando do que quando andam ou correm. O macaco da Srta Coulter (uma Nicole Kidman que se expressa tão bem quanto os daemons) é o mais fraco, e faz-nos lembrar dos amigos do pântano do Shrek. A trilha sonora é vaga e sua única função é construir o acompanhamento da cena, sem passar qualquer emoção ou desenvolver um tema central, apesar dos belos arranjos. Mas nada disso chega a ser tão desmerecedor de afeto quanto o roteiro e a edição. As cenas são desconexas e a mensagem subliminar que Pullman quis atenuar no livro não se faz presente. Desmérito não só de Weitz, mas também da produtora, que fez o possível para deixar a produção mais adequada ao gênero infantil e seco; entendido pelo receio de possivelmente não haver aceitação do público. De fato ela acertou, mas o motivo foi o contrário do que ela achava.

Movida pela pretensão, a New Line distanciou-se o máximo que pôde da agressividade da história e da inoscência da personagem central: inverteu a ordem das coisas. Um erro que confunde mais o espectador e os conhecedores de seu trabalho, visto que a itenção foi exatamente a oposta em seus filmes anteriores, como a trilogia do Senhor dos Anéis. Mais estranha torna-se esta atitude quando houve a idéia descabida de vincular a produção atual justamente com a franquia baseada nos livros de J.R.R Tolkien.

De certo, A Bússola de Ouro não é um filme ruim. Mas está um pouco longe de ser bom. A técnica deslumbra, mas não engana. Prova irrefutável do que uma intervenção autoritária pode ocasionar num trabalho ainda em desenvolvimento. É como crescer sem essência, sem arbítrio e auto-conhecimento. É como se o “pó” tivesse feito ao filme o mal que a ele é relacionado.

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The Golden Compass (EUA, 2008). Fantasia. New Line Cinema.
Direção: Chris Weitz
Elenco: Daniel Craig, Dakota Blue Richards, Nicole Kidman

7 respostas para »CRÍTICA: A Bússola de Ouro»
  1. Filmerda, Cris fez um EXELENTE trabalho que tinha tudo pra da certo se não fosse pelo editor mixuruca que cortou metade das cenas boas desta produção.

  2. O crítico não entendeu o filme, além de não conhecer muito bem também o vernáculo.

  3. Adorei esse filme ele e um maximo!

  4. Critica excelente. Nota-se que o Sr. Arthur Melo realmente leu o livro, e expressou o que nós fãs sentimos em relação ao filme.

  5. gostei bastantes da resenha do filme com varios detalhes fascinantes e com varias informaçoes diferntes repletas de conhecimento e nestaugia

  6. gente eu acho que isso e mentiora meninos me ads ai jessicanascimento2@live.com se vcs for do rio de janeiro eu do pra vc beijos

  7. Crítica perfeita, resume tudo e avalia com indiferença. Mas o triste é ler isso depois de tanto tempo, quando o resto dessa saga incrível não promete vir às telas. Abraço.

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