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CRÍTICA | Homem-Aranha 3

Após dois filmes que registraram recordes de bilheteria no dia das respectivas estreias e foram bastante bem recebidos por público e crítica, o elenco, direção e equipe da primeira trilogia cinematográfica do Homem-Aranha tinham uma responsabilidade e tanto no terceiro capítulo da saga. Mas a aposta foi à altura do desafio: desta vez, o herói não enfrentaria apenas um vilão superpoderoso, mas três. O número de interesses românticos do protagonista também aumentou, com a inclusão de uma personagem clássica dos quadrinhos. De quebra, o Aranha usaria um novo uniforme que expõe de forma literal e figurada o seu lado negro. Trata-se de um amontoado ambicioso de ideias? Certamente. Elas são bem administradas? Em parte.

Homem-Aranha 3
Por Gabriel Costa 

O tratamento inicial do roteiro para Homem-Aranha 3, desta vez diretamente pelas mãos do diretor Sam Raimi e seu irmão Ivan, além de Alvin Sargent, roteirista do filme anterior e consultor no original, já estava pronto meses após a estreia do segundo filme da série, em 2004. Ao longo do desenvolvimento do projeto, no entanto, o time se viu às voltas com tantos elementos distintos para a história que considerou dividi-la em duas partes, plano que foi depois abortado. Assim, uma equipe criativa extremamente competente, mas que já mostrava sinais de desgaste – o compositor Danny Elfman, por exemplo, inicialmente recusou a oferta de trabalhar novamente com Raimi – levou adiante a tarefa, com resultados controversos.

Logo de início, Peter Parker, interpretado mais uma vez por Tobey Maguire, é o primeiro a admitir que está numa posição bem distante daquele garoto para quem nada dava certo nos tempos de escola. Ele aprendeu a conciliar suas vidas paralelas, chega na hora nas aulas e está namorando a garota dos seus sonhos, Mary Jane Watson (Kirsten Dunst, também de volta). E talvez o mais relevante: o alter ego de Parker agora é visto como um verdadeiro herói pela cidade que antes o olhava com desconfiança. Mas é claro que os problemas estão à espreita, e em várias frentes. O antigo melhor amigo de Peter, Harry Osborn (James Franco, em sua melhor atuação na trilogia) continua atormentado pela morte do pai, o Duende Verde de Willem Dafoe, vilão do primeiro filme, que ele acredita ter sido assassinado pelo Homem-Aranha.

Além disso, a vida do jovem herói e a da sua tia May (a adorável Rosemary Harris) sofre uma reviravolta quando a polícia os informa que o fugitivo Flint Marko (Thomas Haden Church) pode ter sido o verdadeiro responsável pela morte do chefe da família Parker, o tio Ben (Cliff Robertson). Acontece que, sem que ninguém saiba, durante sua fuga, Marko acabou envolvido em uma misteriosa experiência científica que o tornou uma espécie de criatura elemental baseada em areia. Para complicar mais as coisas, uma estranha criatura vinda do espaço invade a rotina do jovem, e acaba sendo usada por ele como uniforme, já que parece amplificar seus poderes – e, sem que ele perceba, algumas características pouco agradáveis de sua personalidade. Há ainda o fotógrafo Eddie Brock Jr. (Topher Grace), rival de Peter no Clarim Diário e pretendente da bela Gwen Stacy (Bryce Dallas Howard, roubando todo o brilho de Dunst), que por sua vez é colega de classe do protagonista, por quem não esconde ter uma queda.

É justamente no esforço de coordenar e encadear todas essas linhas de história de forma fluida que o roteiro fraqueja. O que exige demais da credulidade do público desta vez não são apenas os acontecimentos fantásticos que levam ao surgimento de seres com poderes sobre-humanos, ou os feitos desses seres, mas também o número absurdo de coincidências que levam aos encontros, interações e embates entre eles. O excesso de subtramas, como era de se esperar, prejudica o desenvolvimento de várias delas, especialmente as relativas ao Homem-Areia e Venom, que acabam sendo subaproveitados. Para completar, o roteiro usa como apoio o manjado truque de apresentar novos fatos relativos à origem do protagonista “disfarçados” como grandes revelações, saída típica de sequências nas quais a inspiração já não é tão abundante.

A primeira luta entre Parker e Harry, por exemplo, embora tenha uma concepção visual brilhante – como, aliás, quase todas as sequências de ação do filme – traz uma decepção na caracterização inexplicavelmente pobre em termos visuais do ex-melhor amigo do herói como o novo Duende Verde. Para se ter uma ideia, os trajes civis que Peter está usando durante o confronto trazem um toque inusitado que contribui mais para a cena do que próprio o uniforme do antagonista. Por sinal, a própria alcunha do vilão não é utilizada no filme – nos créditos, Franco aparece como Harry Osborn/New Goblin. No fim das contas, a impressão é que o personagem apenas adaptou alguns brinquedos do falecido pai para buscar vingança, o que fica bem aquém das expectativas criadas ao longo dos dois filmes anteriores.

Enquanto a evolução visual da identidade do Duende Verde foi desanimadora, o mesmo não pode ser dito do desenvolvimento psicológico de Harry. Aliás, a narrativa vai mais fundo nas motivações e personalidades dos personagens de uma maneira geral. Peter e Mary Jane têm problemas no relacionamento, e alguns sentimentos não muito bonitos são expostos. Gwen Stacy exerce tamanho fascínio que mesmo um bom menino como Parker parece não resistir. Já na versão “má” de Peter, a situação resulta em uma absurda cena de dança no bar onde Mary Jane trabalha. O desenvolvimento da trama em si, por outro lado, parece mais natural nos momentos em que o tom se aproxima do original mais leve, como evidenciam as ótimas cenas com o impagável J. Jonah Jameson de J.K. Simmons, que já havia se destacado nos filmes anteriores; e o primeiro confronto do aracnídeo com o Homem-Areia.

Homem-Aranha 3 obteve resultados inferiores aos anteriores em termos de obra final e aprovação de público e crítica, mas conseguiu êxito ainda maior nas bilheterias, e uma quarta sequência com a mesma equipe chegou a ser planejada, bem como um quinto filme a ser filmado simultâneamente, mas os planos foram cancelados após desentendimentos com a Sony Pictures afastarem Raimi, e consequentemente o elenco, do projeto. Assim, a despedida do diretor das aventuras do Aranha acabou sendo o ponto em que o equilíbrio entre o cuidado com os personagens e as influências externas talvez tenha sido finalmente invertido. O direcionamento criativo menos sólido que antes é evidente entre as marcas registradas da série, incluindo as tradicionais participações do criador do personagem, Stan Lee, e do antigo parceiro de Raimi Bruce Campbell. Um encerramento um tanto anticlimático para a trilogia, mas que não deixa de ter  momentos à altura do mais popular herói do universo Marvel.

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Spider-Man 3 (EUA, 2007) Ação. Columbia Pictures.
Direção: Sam Raimi
Elenco: Tobey Maguire, Kirsten Dunst, James Franco, Thomas Haden Church, Topher Grace.

3 respostas para »CRÍTICA | Homem-Aranha 3»
  1. [...] dos bombardeios em cima de Homem-Aranha 3, a Sony Pictures tinha duas opções: ignorar e recuperar o fôlego em um quarto filme ou encerrar [...]

  2. Michel Chagas Aragão says:

    Eu não sou critico, por isso não entendo de cinema, mas eu gostei do filme. Na época que vi eu vibrei com as cenas de ação. O Homem areia sendo o principal culpado da morte de Ben fui ruim, mas para mim não estragou o filme. Situação parecida com o Coringa sendo culpado da morte dos pais de Bruce no filme BATMAN de 1987 (acho). ótima critica e nota merecida. Lembrando que o homem aranha um eu vi numa fita cassete. rs

  3. Michel, a analogia com o primeiro Batman do Tim Burton – que na verdade é de 1989 – também me passou pela cabeça quando vi HA3. Também é um caso de aparente heresia que não chega a prejudicar irremediavelmente o resultado final da obra.

    Valeu pela leitura, abraço!

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