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CRÍTICA | Homem-Aranha

Em meados dos anos 90, o diretor James Cameron, até então conhecido por seu trabalho em filmes como Alien, o Resgate e Exterminador do Futuro, era o nome mais cotado para dirigir a versão definitiva do Homem-Aranha para o cinema. Cerca de 20 anos depois, enquanto a visão de Cameron não chegou a ser realizada (embora seja possível encontrar uma suposta proposta do roteiro na internet), já tivemos uma trilogia completa do herói aracnídeo da Marvel na visão de Sam Raimi e estamos prestes a conferir uma nova versão do personagem, dessa vez com a direção de Marc Webb, de (500) Dias com Ela. Dez anos após o lançamento, contudo, a abordagem clássica do primeiro Homem-Aranha de Raimi mantém a relevância e se prova um duro adversário na inevitável comparação com a nova adaptação do aracnídeo para a tela grande.

Homem-Aranha
Por Gabriel Costa 

A discussão sobre a melhor forma de transportar personagens conhecidos há décadas por meio de livros, revistas em quadrinhos ou desenhos animados para o ambiente cinematográfico, especialmente em uma era de transição da indústria, provavelmente nunca resultará em um consenso. Ao assumir a tarefa que vinha há anos pulando de mão em mão, Sam Raimi optou por um caminho relativamente seguro, desde que percorrido com atenção: captar a essência do mito, acomodá-la em uma linguagem que não economiza referências à original e incluir suas características pessoais – como as referências à estética de filmes B – na forma de um tempero extra, e não como foco principal de Homem-Aranha.

Em uma longa sequência de abertura, o público é apresentado sem pressa às figuras centrais da trama. Peter Parker pode dispensar apresentações, mas não deixa de ser cativante – e constrangedor – acompanhar suas desventuras iniciais como um adolescente nerd, desastrado e impopular, na interpretação certeira de Tobey Maguire. Mary Jane Watson (Kirsten Dunst) é o amor de infância do protagonista, a menina mais bonita da escola, que sai com o bonitão-sem-cérebro Flash Thompson (Joe Manganiello), mas também é cobiçada pelo melhor amigo de Parker, o playboy-gente-boa Harry Osborn (James Franco), herdeiro do cientista milionário Norman Osborn, cuja personalidade dividida, por sua vez, dará origem ainda ao vilão Duende Verde, em atuação memorável de Willem Dafoe.

O forte elemento cômico é apresentado já nas etapas iniciais de sua origem, durante a excursão escolar a um laboratório onde Peter é mordido por uma aranha modificada geneticamente – em vez de afetada por radiação, como na versão original. Indisposto, o jovem volta para casa e interage brevemente com seus tios Ben (Cliff Robertson) e May (Rosemary Harris), que o adotaram ainda criança, após a morte dos pais. No dia seguinte, Parker repara em algumas significativas novidades – sua massa muscular aumentou radicalmente desde a noite anterior, e a miopia parece ter desaparecido. Ainda mais importante (e assombroso): ele está liberando uma espécie de substância elástica e adesiva dos pulsos, e, após um flerte com Mary Jane e uma briga épica com Flash, constata que seus reflexos e instintos estão mais afiados que nunca.

Em paralelo, Norman testa uma fórmula experimental de aperfeiçoamento físico, voltada para fins militares, em si mesmo. Em busca de alguma vantagem a partir de suas novas habilidades, Peter participa de um torneio de luta livre surrealmente brutal, ao mesmo tempo em que negligencia compromissos para com os tios. O lutador novato vence a disputa apresentada pelo eterno Ash da trilogia Evil DeadBruce Campbell, mas presencia um assalto ao organizador do evento e, após ter recebido um prêmio em dinheiro bem menor do que o anunciado, não move um músculo para deter o criminoso.

Os efeitos colaterais da substância instável levam Osborn a limites sobre-humanos de força e resistência, mas atingem de forma profundamente nociva sua sanidade. A passividade de Peter, por outro lado, também vai assombrá-lo para sempre, uma vez que o mesmo assaltante que ele se recusou a capturar, em fuga, assassinou seu tio Ben. A jogada do destino o leva a considerar mais seriamente as palavras de Ben no que virá a ser o mote do futuro herói: com grandes poderes vêm grandes responsabilidades.

O filme de 2002 alterna o tom de comédia característico das aventuras do personagem nos gibis com impressionantes sequências de ação, leves pitadas de terror B, lutas dinâmicas e uma dose de romance que vai do tom doce-ingênuo dos diálogos entre Peter e Mary Jane ao kitsch-picante do beijo de ponta-cabeça da ruiva no alter ego heróico do jovem em um beco debaixo de chuva torrencial. Merece destaque também a tensão dramática entre Maguire, Franco e Dafoe, que viria a se desenvolver de forma gradual, porém marcante, ao longo das duas produções seguintes comandadas por Raimi.

A trilha sonora original de Danny Elfman, o design eficiente dos uniformes do Aranha e do Duende e os competentes efeitos visuais consolidam o direcionamento minimalista em termos de inovações temáticas, mas ambicioso na realização. Depois de anos de produções que beiram o vergonhoso como o Punisher com Dolph Lundgren e o Capitão América de 1990, em resposta a sucessos como o Batman de Tim Burton e os aclamados primeiros filmes do Superman com Christopher Reeve, a Marvelfinalmente teve, juntamente com o X-Men de Bryan Singer, lançado dois anos antes, versões dignas de seus heróis nas salas de exibição.

Essa pretensão grandiosa da obra pode ser, afinal, o divisor de águas relativo à sua apreciação. O resultado final é épico, mas também fantasioso, o que pode fazer torcer o nariz quem não está disposto à suspensão de descrença necessária para uma história do tipo. Longe de apresentar explicações científicas críveis e realismo sombrio, Homem-Aranha oferece pura e simplesmente uma história de super-heróis em movimento, encenada por ótimos atores e dirigida com segurança atemporal.

 

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Spider-Man (EUA, 2002) Aventura. Columbia Pictures.
Direção: Sam Raimi
Elenco: Tobey Maguire, Willem Dafoe, Kirsten Dunst, James Franco.

Uma resposta para »CRÍTICA | Homem-Aranha»
  1. [...] dos fãs do herói. Não contava, entretanto, que o longa tem elementos que o colocam à frente do filme lançado em 2002 e chances significativas para superar o “imbatível” Homem-Aranha 2 num próximo [...]

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