CRÍTICA: A Múmia – Tumba do Imperador Dragão

Ação
// 01/08/2008

Sabe aquela frase “um é pouco, dois é bom, três é demais”? Pois é, nem nela A Múmia – Tumba do Imperador Dragão consegue se encaixar. O primeiro filme já deslizava em algumas coisas, não possuía atuações muito primorosas, mas ainda assim divertia: era o suficiente. A continuação era pior que o predecessor e trazia um roteiro fraco e tiradas não tão divertidas: era demais. Já o último (tomara, Deus, que seja o último) da franquia consegue a proeza de ser ainda menos divertido (nada, na verdade) e apresentar um roteiro falho, cenas de ação “estáticas”, atuações medonhas e uma direção oca: é dispensável. Um é suficiente, dois é demais, três é dispensável.

A Múmia – Tumba do Imperador Dragão
por Breno Ribeiro

Embora o foco da franquia saia um pouco do universo egípcio e adentre em outro, o chinês, a história não se sustenta. Isso se torna evidente desde a abertura que, contando uma história que lembra à contada sobre Imhotep no original, soa repetida e, portanto, sem graça. A história em si, não o roteiro ainda, além de possuir esse teor “mais do mesmo” durante todo seu percurso, também conta com um encerramento que transpassa o limite da cafonice. Partindo para uma análise abrangente do roteiro, toda a narrativa é cansativa. A trama corre muito lentamente e se tem a impressão de que aquilo não passa de um episódio de sit-com (sim, aquelas séries com só 25 minutos rodados mesmo) esticado, e fatos absurdos também acontecem com uma naturalidade impressionante (é impossível não se incomodar com a naturalidade com que alguns personagens se encontram trivialmente na China, como se ela fosse o boteco da esquina). E nem mesmo todo o esplendor da cultura chinesa que se podia esperar ver na projeção, nem que valesse apenas só pelas imagens, aparece: o filme conta com visuais que em nada remetem à cultura chinesa.

É incrível notar também como todas (sim, todas, sem exceção) as atuações do filme são fracas e rasas, um reflexo de seus próprios personagens, talvez. Contando com personagens sem nenhuma profundidade, viradas óbvias – devido a saturação em que se encontram e também por já terem sido usadas nas projeções anteriores da série –, e diálogos de importância zero; A Múmia 3 conta com um elenco fraco e personagens ainda mais. A relevância de um deles em particular chama a atenção. Se nos anteriores, Jonathan Carnahan (John Hannah) aparecia como um escape cômico válido por possuir uma certa função na história, no terceiro, ele surge como uma presença sem motivo, embora continue sendo um escape cômico (ou apenas uma tentativa de, já que nada dessa vez é engraçado). Por fim, a troca da bela e razoavelmente boa Rachel Weisz pela insossa Maria Bello foi uma das piores vistas.

Apesar do citado, Tumba do Imperador Dragão poderia ser ao menos “assistível” graças as suas cenas de ação. Ledo engano. As sequências são falhas e sem nenhum êxtase em especial e algumas delas contam com os quase sempre dispensáveis slow motions. Nem mesmo a batalha final impressiona. Falha da direção. Aliás, o filme é recheado delas. Seja pelo zoom in/zoom out nos rostos dos personagens em momentos concebivelmente dramáticos, seja pela câmera tremida (que, em certo momento da projeção, chega a filmar a carcaça de um avião por mais de 3 segundos depois de tremer focalizada no rosto de um personagem), a direção de Rob Cohen é, além de nada inovadora, afetada.

A Múmia – Tumba do Imperador Dragão se apresenta como um dos filmes mais fracos do ano, não por um aspecto comparativo, mas por ser mesmo. E, por favor, imploro que parem a franquia por aí, pois além de ela se apresentar num constante declive, terei de procurar outra palavra que defina uma possível continuação para a máxima empregada no início do texto.

The Mummy – Tomb of the Dragon Emperor (EUA, 2008). Aventura. Universal Pictures.
Direção: Rob Cohen
Elenco: Maria Bello, John Hannah, Brandon Fraser

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