Capitão América: E Agora, José?

Capitão América: E Agora, José?
por Rafael Rodrigues
Agora que Homem de Ferro 2 atingiu os cinemas, aprofundando-se ainda mais na mitologia do universo Marvel nas telas, com referências ao Capitão América, Hulk e Thor, fica cada vez mais próximo o momento de juntar tudo isso no filme dos Vingadores, provavelmente o filme mais esperado dos fãs da Marvel (embora o filme mais esperado da Marvel para mim seja Thor). O que algumas pessoas não param para pensar, no entanto, é que essa iniciativa é tão ousada que necessita não só de uma sincronia gigantesca entre os produtores, diretores, roteiristas e atores dos filmes, mas também depende do sucesso destes filmes. Pensem comigo: Se Thor, por exemplo, for um fracasso retumbante de bilheteria (embora eu torça que não)? E se o Capitão América falhar? Um fracasso significativo pode pôr tudo a perder num piscar de olhos, comprometer um planejamento de anos e sepultar de vez o longa dos Vingadores. Como a Warner sempre preferiu ver primeiro se uma coisa dá certo com os outros para depois copiar, por conseguinte uma possível idéia de filme da Liga da Justiça seria totalmente sepultada, e por aí vai. A bola de neve só cresceria e talvez isso até poderia ser responsável pelo fim do caso de amor tórrido que os quadrinhos e o cinema vivem atualmente.
Exagerado? Talvez. Mas vale lembrar que Superman 4, de 1984, foi um fracasso e afundou todas as franquias de super-herói, que só se recuperaram com o Batman de Tim Burton, em 1989. E que Batman & Robin não só afundou a franquia do Homem Morcego, como também a denegriu em diversos níveis. Considerando o escopo dessa nova iniciativa da Marvel, e partindo do princípio matemático da progressão geométrica, a tendência é escalar. Ou, em outras palavras, quanto maior a o tamanho, maior a queda.
O que nos leva ao vindouro filme Captain America: First Avenger. Como o próprio nome sugere, a produção deve mostrar mais do que apenas a origem do herói, sendo também uma espécie de prólogo para o filme dos Vingadores – que sairá apenas um ano depois e que complica um pouco as coisas, trazendo a uma película difícil de ser realizada mais uma série de outros obstáculos a serem enfrentados.
Capitão América é um personagem difícil de ser adaptado para as telas, por vários motivos. Primeiro, diferente de personagens como Superman (que, embora as pessoas enxerguem como um personagem patriota, nunca o foi – pelo menos não originalmente), Capitão América foi criado exclusivamente como um personagem patriota. O conceito por trás dele reflete um idealismo amplamente político, resultado das convicções dos seus autores. Não é a toa que o personagem até hoje ostenta em seu tórax a bandeira americana. E esse é o primeiro problema: Como pode um super-herói abertamente americano ser aceito de forma global, em uma época onde o antiamericanismo (apesar de já ter sido pior na era Bush) ainda está em alta? Não é uma tarefa fácil, principalmente considerando que os elementos que formam o personagem e fazem parte da sua gênese não podem ser desvinculados da Segunda Guerra e da participação americana na mesma.

E a Segunda Guerra é outro problema. Geralmente filmes de guerra são destinados a um público mais maduro, mais exigente e acostumado a produções que não envolvem realismo fantástico. No entanto, é fato que o maior público de cinema (principalmente dos filmes baseados em histórias em quadrinhos de super-herói) são adolescentes, que geralmente não se importam com profundidade da história, preferindo cenas de ação e “alta octanagem” (o que quer que isso signifique, vi num cartaz de filme de ação). Será que um filme passado na Segunda Guerra (já que essa é a origem oficial do Capitão, então no mínimo boa parte do filme deverá se passar nessa época) pode dar certo dentro do gênero de super-herói? Ainda não sabemos.
Mas a gênese do personagem e sua ambientação talvez não sejam os principais problemas, e sim a própria produção da película. Inicialmente com roteiro de David Self (um roteirista irregular que tem no currículo ótimos filmes como Estrada para Perdição e 13 dias que abalaram o mundo e também coisas terríveis como o recente O Lobisomen), o filme passou por diversas revisões e mudanças ao longo dos anos com outros roteiristas, e ficou nas mãos do diretor Joe Johnston (de filmes como Querida, encolhi as crianças, Rocketeer – esse eu recomendo –, Jumanji, Jurassic Park 3 e também O Lobisomen). Este talvez seja o filme mais difícil para Johnston, dada a sua cinegrafia, e a responsabilidade e pressão relacionados a essa produção talvez sejam grandes demais para um diretor tão irregular como ele. Além disso, recentemente foi confirmado o nome de Chris Evans (do recém lançado The Losers, também uma adaptação de quadrinhos) para interpretar ninguém menos que o próprio Capitão América. Uma decisão que tem sido muito criticada pelos fãs, pois segundo eles o ator – mais conhecido por suas caras e bocas em filmes engraçadinhos – não teria nem capacidade interpretativa nem um visual imponente o suficiente para convencer como Capitão América. Para muitos isso seria um problema, pois além de prejudicar o desempenho do filme solo do Capitão, também prejudicaria os Vingadores. Como alguém como Chris Evans poderá liderar gente do calibre de Robert Downey Jr. e Chris Hemsworth?
Para quem não sabe, originalmente os Vingadores surgiram quando precisaram se unir para enfrentar Loki, que havia enganado Hulk e levado a monstro a uma onda de destruição. Essa formação original contou com Homem de Ferro, Thor, Hulk e o casal Homem Formiga e Vespa. Apenas na quarta edição da revista dos Vingadores é que Capitão América (re) surgiu, derivado da batalha entre a equipe e Namor, o príncipe submarino, sendo encontrado congelado e em animação suspensa desde o fim da Segunda Guerra. Só a partir daí ele se tornou o líder honorário dos Vingadores, sendo um dos personagens mais tradicionais e importantes da superequipe e da Marvel.
E é justamente essa importância que a Marvel sempre deu para o personagem dentro do seu universo que traz o peso da responsabilidade para a produção de Captain America: First Avenger. Além de ser a película que precederá o filme dos Vingadores, também tem a grande responsabilidade de ligar todos os outros filmes, que bem ou mal fazem referência ao personagem (Nick Fury, o escudo do Capitão, a Shield e o soro do supersoldado foram alguns dos elementos do Capitão América incluídos em filmes como Homem de Ferro 1 e 2 e O Incrível Hulk), de forma coesa, sem diminuir nem destruir o trabalho previamente desenvolvido por outros diretores como Jon Favreau e Kenneth Branagh.
Dessa forma, a pressão que recai sobre o filme é muito maior do que de qualquer outro dos filmes da Marvel, pois ele tem de carregar todos os outros e levá-los em direção ao filme dos Vingadores. Talvez isso seja pressão demais sobre um personagem só, e principalmente numa produção tão arriscada e com colaboradores talvez não tão competentes, não sabemos se isso vai dar certo nem se isso vai ser responsável por destruir o filme dos Vingadores. Mas talvez as coisas não sejam tão complexas assim. Vale lembrar que O Incrível Hulk não obteve a bilheteria esperada, mas, embora isso tenha sepultado as chances de uma continuação para o monstro, não prejudicou os planos de um filme dos Vingadores, que seguiu de vento em polpa e agora se mostra uma realidade crescente desde que Homem de Ferro 2 estreou. A produção do filme em si também não é de todo desanimadora: Hugo Weaving (Matrix, Senhor dos Anéis, V de Vingança) foi recentemente confirmado como sendo o vilão Caveira Vermelha, então pelo menos podemos esperar um vilão muito bem interpretado. Só podemos esperar e torcer para que os envolvidos façam um bom trabalho. Ao menos o saldo até agora tem sido positivo, considerando os recentes filmes da Marvel Studios.
Em tempo: Capitão América foi publicado pela primeira vez em março de 1941, mas os EUA só entrariam na Segunda Guerra em novembro daquele ano, quando o Japão atacaria a base americana em Pearl Harbor.
Se você quiser saber mais sobre a trajetória do Capitão América nos quadrinhos, leia a série de matérias que eu fiz sobre o personagem (Parte1, Parte 2, Parte 3 e Parte 4).
























Muito boa a matéria, parabéns. Transmitiu todos os meus medos.
Cara, minha maior preocupação é justamente o Chris Evans. Ele não vai conseguir segurar a barra do Capitão América, assim como o Downey Jr. faz com o Homem de Ferro. Além, é lógico, da coisa de liderar a equipe. Chris Evans comandando os dois outros atores e talvez um Edward Norton, que alguma ajuda apareça e não deixe sair merda disso.
Cara , é triste mas vão foder com o Capitão..não dá pra acreditar que Chris Evans vai ser mesmo o protagonista, além de sem talento pro tipo de personagem a idade não bate, teria que ser um ator mais velho ,fisicamente maior e mais respeitado …meu candidato era Gerard Butler ,mas parece que é fato consumado…em relação a matéria, a questão do patriotismo não fará diferença pois todo o mundo sempre conheceu o Capitão assim, em relação a misturar ficção a filme de guerra acredito que bem feito será uma inovação bem sucedida….enfim, se não fosse pela escolha do ator eu não teria muito receio pelo filme mas……….
Adoro filmes que se passam na Segunda Guerra Mundial, e um filme desses com super-heróis tem tudo pra ser muito bom!
Na acredito que alguém possa achar que o filme vai ser uma bomba por causa de apenas uma pessoa. No final das contas o Chris Evans pode acabar não dando conta do recado, mas o filme não será uma bomba só por causa disso…
E James, vc já viu o tamanho dos músculos do Chirs Evnas ?! Olhe só essa foto do filme The Losers:
http://screencrave.frsucrave.netdna-cdn.com/wp-content/uploads/2010/03/The-Losers-Chris-Evans-as-Jensen-10-3-10-kc.jpg
O braço dele está quase rasgando a camisa! E aí ele ainda alegou que tinha emagrecido pois o personagem dele é um nerd, e que para interpretar o Capitão ele disse que não só voltaria a sua forma normal como tb a superaria. Vamos ver!
[...] This post was mentioned on Twitter by Blog Uarévaa, Rafael Rodrigues. Rafael Rodrigues said: Meu artigo no @pipocacombo sobre o vindouro filme do Capitão América: http://pipocacombo.com/artigos/capitao-america-e-agora-jose/ [...]
Eu acho que Chris Evans devia permanecer no Quarteto Fantástico e deixar o papel do Capitão para outro.
Quando surgiu os boatos de que Jensen Ackles interpretaria o Capitão américa, achei ótimo. Ele sim tem capacidade de liderar outros atores de peso.
Mas eram só boatos.
Concordo com a matéria: Não sabemos se ele vai dar conta do recado e ser o responsavel por estragar Os Vingadores.
Só nos resta esperar e ver o que vai dar.
Bom Luiz…é claro que músculos podem ser adquiridos mas me refiro ao aspecto em geral,o cara não inspira respeito, talvez por ter feito tantos papéis cômicos…não quero botar pilha ,torço muito pra dar tudo certo e estarmos enganados em relação ao cara mas é difícil acreditar nisso…vamo ver no que dá.
O que eu adoro nesses artigos do Rafael é que são muito completos.
Enfim, eu acho que vão ferrar o Capit. América. Erraram na escolha do diretor e no ator principal.
Esqueci de comentar o negócio das passagens da segunda guerra. Não concordo com o que o Rafael disse, apesar das HQs serem destinadas aos jovens, quem gosta de capitão américa hoje já tá com uns 40, 30 e uns 20 e poucos anos. E esse pessoal já meio que consegue apreciar um filme com passagens na zona de guerra. Enfim, sei lá
Eu acho que esse lance do Chris será esquecido (pelo menos um pouco) logo, logo, assim como aconteceu com a escalação do Ryan Reynolds para dar vida ao Hal Jordan. Tinha gente se descabelando pela escolha dele, que um comediante não deveria tentar um papel desses, que o filme seria uma bomba por causa dele etc, mas agora parece que todo mundo esqueceu isso…