Batman | Leia a carta de despedida de Christopher Nolan

Ação
// 26/07/2012


Como fãs, podemos reviver o filme cem vezes, assistir trailers mil vezes e lembrarmos-nos de quando o vimos pela primeira vez e com quais pessoas estávamos. Mas dificilmente poderemos entender a sensação de adeus para um profissional que entregou quase uma década da sua vida para realizar uma série, seja esse profissional um ator, diretor, roteirista ou até mesmo um encarregado pela maquiagem.

Christopher Nolan terminou sua trilogia e para finalizar sua história com o Homem-Morcego, resolveu escrever uma carta contando um pouco da sua experiência com os filmes e se despedindo do herói. A carta faz parte do livro The Art and Making of The Dark Knight Trilogy, que foi lançado no última dia 20 nos Estados Unidos. Não temos informação de quando o livro chega por aqui. Leia a carta na íntegra abaixo:

Alfred. Gordon. Lucius. Bruce…Wayne. Nomes que passaram a significar muito para mim. Hoje, estou a três semanas de dizer meu último adeus para esses personagens e ao seu mundo. É o aniversário de nove anos do meu filho. Ele nasceu enquanto o Tumbler estava sendo montado na minha garagem a partir de diversas peças de kits aleatórios. Muito tempo, muitas mudanças. Uma mudança de cenários onde alguns tiroteios ou um helicóptero eram eventos extraordinários para dias de trabalho onde uma multidão de figurantes, demolições ou caos a milhares de metros do ar se tornaram familiares.

Pessoas perguntam se nós sempre tínhamos planejado uma trilogia. Isso é como ser perguntado se você planejou crescer, casar, ter crianças. A resposta é complicada. Quando David e eu começamos a pensar na história de Bruce, nós flertamos com o que viria a seguir, então voltamos atrás, não querendo olhar tão profundamente para o futuro. Eu não queria saber tudo que Bruce não poderia; queria viver isso com ele. Eu disse a David e Jonah para colocarem tudo que sabiam em cada filme que fazíamos. O elenco inteiro e a equipe deram tudo que tinham no primeiro filme. Nada foi contido. Nada foi salvo para uma próxima vez. Eles construíram uma cidade inteira. Então Christian, Michael, Gary, Morgan, Liam e Cillian começaram a viver nela. Christian pegou um pedaço da vida de Bruce Wayne e a tornou extremamente convincente. Ele nos levou a mente de um ícone popular e nunca nos deixou notar por um instante que fosse a fantástica natureza dos métodos de Bruce.

Eu nunca pensei que faríamos um segundo – quantas sequências boas existem por aí? Por que rolar esses dados? Mas uma vez que eu sabia onde isso levaria Bruce, e quando eu comecei a ter vislumbres do antagonista, isso se tornou essencial. Nós reunimos o time novamente e voltamos para Gotham. Ela tinha mudado em três anos. Maior. Mais real. Mais moderna. E uma nova força de caos estava surgindo adiante. O definitivo palhaço assustador, aterrorizantemente trazido à vida por Heath. Nós não iríamos guardar nada, mas tinha coisas que nós não éramos capazes de fazer da primeira vez – um uniforme com pescoço flexível, filmar em Imax. E coisas que ficamos sem coragem – destruir o Batmóvel, queimar o dinheiro do vilão para mostrar um completo desprezo pelas motivações convencionais. Nós pegamos a suposta segurança de uma sequência como licença para jogar a precaução para os ares e irmos para as esquinas mais obscuras de Gotham.

Eu nunca pensei que faríamos um terceiro – existe alguma boa segunda sequência? Mas eu continuei pensando sobre o fim da jornada de Bruce e, uma vez que David e eu o descobrimos, eu precisava ver por mim mesmo. Nós voltamos para o que mal tínhamos coragem de sussurrar naqueles primeiros dias na minha garagem. Nós estávamos fazendo uma trilogia. Eu chamei todos novamente para outra turnê por Gotham. Quatro anos depois, ela ainda estava lá. Até parecia um pouco mais limpa, um pouco mais polida. A Mansão Wayne fora reconstruída. Rostos familiares estavam de volta – um pouco mais velhos, um pouco mais sábios…mas nem tudo era o que parecia.

Gotham estava apodrecendo nas suas fundações. Um novo mal borbulhava do fundo a superfície. Bruce achou que o Batman não era mais necessário, mas Bruce estava errado, assim como eu também estivera. O Batman precisava voltar. Suponho que ele sempre teria.

Michael, Morgan, Gary, Cillian, Liam, Heath, Christian…Bale. Nomes que passaram a significar muito para mim. Meu tempo em Gotham, procurando por uma das maiores e mais duradouras figuras da cultura pop, tem sido uma das mais desafiadoras e recompensadoras que um cineasta poderia esperar. Sentirei falta do Batman. Eu gosto de pensar que ele sentirá minha falta, mas ele nunca foi particularmente sentimental.

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge chega aos cinemas nacionais amanhã. Veja a nossa Crítica clicando aqui e confira o nosso Especial aqui.

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