CG Extreme | Como foi o evento de Computação Gráfica no Rio de Janeiro

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// 02/05/2013

Lamentavelmente, para os profissionais e entusiastas dos efeitos digitais, a CG Extreme teve muito pouco de CG. O que se propunha a ser o maior espetáculo de entretenimento digital do Brasil se resumiu a exatamente isso: um espetáculo de auto-promoção dos patrocinadores. E muito pouco além disso.

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CG Extreme
por Ross Miller

O evento, patrocinado principalmente pelo Grupo Record e pela Seven CG, um curso conhecido de computação gráfica, foi aberto pelo senador fluminense Marcello Crivella, cujo filho, Marcello Crivella Filho, é o presidente da Seven. A partir daí, o espetáculo começa e evolui, com pequenas encenações temáticas antes das palestras, show de música gospel e, na maior parte do tempo, exibição de comerciais da Seven CG e a exaltação da sua parceria com a Full Sail University. Aliás, se não fosse TANTO tempo perdido com autopromoção, creio que o número de palestrantes poderia ter sido duplicado.

As palestras, por sinal, quase salvaram o evento da banalidade. Quase, porque a maioria dos palestrantes, que com certeza tinha muito a compartilhar com a platéia, se focou em um discurso motivacional voltado para os alunos da Seven, maioria absoluta e uniformizada do evento. “Não desista dos seus sonhos” foi a principal mensagem do evento. É importante considerar que a maioria dos palestrantes é formada pela Full Sail University, o que amplia a percepção de autopromoção do evento.

Dos poucos que fizeram a diferença no evento, destacam-se Laurie Brugger e Tom Isaksen, cujas palestras deram o tom de profissionalismo que o evento merecia como um todo.

Laurie Brugger é character rigger senior, profissional que cuida da estrutura de animação de personagens, e trabalhou em filmes recentes como Fúria de Titãs, Capitão América, Onde Vivem os Monstros e Harry Potter e as Relíquias da Morte – parte 1.

Sua palestra foi completamente focada na criação de estruturas digitais (o rig) para animação facial. Exemplificou trabalhos próprios (Dobby e o Caveira Vermelha) e outros, como o c.g. facial de Benjamim Button. Apresentou tecnologias comuns e modernas, inclusive caseiras, para captura de movimentos. Sobre seus personagens, focou-se principalmente na criação da expressão facial do duende Dobby, de Harry Potter, revelando o processo de captura de movimento do ator que o representa (Toby Jones – o nome é coincidência). No final de sua palestra, para desespero do editor do Pipoca Combo, um uniforme de Hogwarts foi sorteado.

Tom Isaksen é character designer e trabalha com criação de personagens para games, mais precisamente Hitman. Sua palestra foi quase uma aula sobre modelagem, texturização e finalização de personagens para games, usando como referência um personagem que ele mesmo criou, de um game da franquia que ainda não foi lançado.

De resto, embromação, propaganda da Seven, mais propaganda da Seven, palestras motivacionais e propagandas da Seven. Venderam a ideia de que este evento seria o maior espetáculo de CG do país. Pode um dia vir a ser, quando for menos Seven, mais CG e se destinar a discutir problemas e soluções do mercado brasileiro, não sonhos de sucesso no mercado estrangeiro, principalmente o norte-americano, que viveu recentemente uma greve de profissionais de efeitos especiais (VFX).

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