COLUNA: A Ciência no Cinema

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// 01/08/2008

Olá pessoas! Sei que alguns já me conhecem de “vista”, mas essa é minha primeira participação oficial aqui no Pipoca Combo, assim como é minha primeira experiência propriamente dita no mundo da sétima arte. Ok, tive uma outra experiência, mas prefiro deixar os teste de elenco de lado.
Cinéfila desde criança, hábito adquirido graças a minha mãe, sempre imaginei que fosse seguir carreira no ramo cinematográfico, mas uma outra paixão adquirida graças ao cinema, desviou um pouco o meu rumo. Enfim, hoje estréio minha coluna, tentando trazer um tema um pouquinho diferente do convencional para vocês. Conto com a sugestão de todos para o tema das próximas colunas.

A Ciência no Cinema e sua Influência no Mundo Real
por Greice Narmolanya – colunista

Desde o começo dos tempos, o homem vem em busca do conhecimento e do entendimento de si mesmo, seja através da religião ou da ciência. O cinema, obviamente, não deixaria de utilizar uma ferramenta tão importante – a busca humana pelo desconhecido.
Mas, apesar de O Exorcista (1973) dar bastante margem para discussão, resolvi abordar um aspecto pouco comentado, mas muito presente na sétima arte – a ciência, que muitas vezes transpõe os limites das telas para a vida real. Digo isso, porque minhas primeiras inspirações profissionais partiram do ramo cinematográfico. Sim, é isso mesmo. Graças as aventuras arqueológicas de Indiana Jones (1981), a arqueologia se tornou uma das minhas paixões e por que não citar O Elo Perdido (1974), como o primeiro contato de muitos com os dinossauros e a tão apaixonante Paleontologia? Poderíamos citar inúmeros exemplos da ciência adaptada ao cinema, que embora fantasiosa, na maioria das vezes, nos permite sonhar com coisas que antes não éramos capazes. Quem nunca parou para pensar se existe vida extraterrestre após assistir Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977), ou o tão carismático E.T.(1982)? Eu diria que Steven Spielberg não foi apenas feliz com essas produções, mas brilhante. Um gênio cinematográfico inspirado.
E parece que para Spielberg, parar por aí era pouco. Ainda no começo dos anos 80, ele leva as telas outro presente, que mexeria com a imaginação de muitos e inspirariam uma geração inteira – o arqueólogo aventureiro, Indiana Jones. Quem cresceu com este desbravador do passado sabe muito bem do que estou falando. Vários futuros arqueólogos surgiram nesta década, encorajados pelas aventuras do herói. É claro, para quem assistiu apenas o recente e último episódio, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (2008), não sentirá a mesma atração pela arqueologia, uma vez que o filme se transformou mais numa ficção científica do que num thiller de ação arqueológico.

Então, chegamos aos anos 90 e nos deparamos com Jurassic Park (1993), reconstruindo de maneira primorosa, embora com alguns pequenos deslizes de cunho paleontológico, os períodos Jurássico e Cretáceo da história de nosso planeta, nos transpondo de forma surpreendente a um universo há muito extinto. Claro, se entrarmos nos méritos científicos, a história perde um pouco de crédito, porém não de seu brilhantismo. Mas, não estamos analisando equívocos científicos, estamos? Certo, eu estou analisando, mas não entraremos no mérito da questão. Ok, ok, só alguns comentários superficiais. É censo comum entre os cientistas destas áreas, que embora a idéia seja muito atraente, as lacunas deixadas no DNA dos dinossauros, extintos a milhões de anos, não possibilitam a reconstrução completa de seu código genético, muito menos a reprodução das espécies a partir destes. Se os velociraptors não eram tão grandes, nem os tiranossauros tão rápidos, e quem sabe, talvez, os últimos nem predadores fossem, também é consenso, que a magia do cinema foi capaz de nos transportar a um universo perdido, que enche os olhos de qualquer paleontólogo ou de um mero expectador.

A vida extraterrestre é outra que não poderia ficar de fora das telonas e embora esteja enquadrada mais na Ficção Científica do que na Científica propriamente dita, não podemos deixar de considerar as questões que estes levantam. Existe vida lá fora? Estes seres extra-terrestres seriam inteligentes como nós, ou quem sabe ainda mais? O primeiro contato de impacto com esse tipo de questionamento foi sem dúvida nenhuma Contatos Imediatos do Terceiro Grau, mais uma vez, um filme de Steven Spielberg, embora tenha sido George Lucas, no mesmo ano, a cativar o público amante das galáxias, com o inigualável Star Wars (1977).

Sim, eu digo inigualável, pois nem mesmo o próprio Lucas conseguiu repetir a maestria de seus feitos na segunda trilogia da série. No começo dos anos 80, E.T, o extra-terrestre mais amado do cinema, trouxe um novo ângulo para os filmes do gênero, focando as relações de amizade estabelecidas entre seres de universos diferentes. Coincidência Spielberg estar a frente desse clássico também? E ele não parou por aí. Nos anos 2000, trouxe mais um filme, A.I. – Inteligência Artificial (2001), que juntamente com O Homem Bicentenário (1999), de Chris Columbus, apresenta uma idéia futurista, da convivência humana com andróides e as tentativas desesperadas dos últimos, para serem reconhecidos como seres humanos e não como máquinas, assim como apresentado por James Cameron em O Exterminador do Futuro (1984), numa visão bem menos romântica da evolução cibernética.

Deixando Spielberg um pouco de lado, nos deparamos com outras formas de ciências nas telas, como apresentado nos filmes Epidemia (1995) e Missão Impossível II (2000), nos quais a saúde pública está em pauta. Cada um trata de forma diferenciada as facetas do mundo microbiológico, que além de causar epidemias devastadoras, pode se transformar em arma letal nas mãos de pessoas desumanas. Ficção ou realidade? Podemos dizer que o temor às guerras biológicas fazem parte apenas do mundo cinematográfico, ou são parte presente do nosso cotidiano?

Por último, mas não menos importante, poderíamos dizer que a ciência e a tecnologia andam de mãos dadas no cinema e não apenas na área cibernética. As máquinas do tempo sempre estiveram presentes no cinema, a exemplo do filme de mesmo título e as de tele-transporte nos fizeram imaginar como seria se isso fosse possível em A Mosca (1986). Viajar as estrelas ou fazer contato, já não era mais impossível, graças ao mundo de sonhos do cinema. “Viajar ao Mundo dos Sonhos” num carrinho de montanha russa dentro de uma bolha, ou construir equipamentos para fazer Contato, já nos fazia cogitar algumas coisas, que antes não acreditávamos possíveis e então, Gattaca (1997) nos leva a um novo nível de ciência genética e espacial, que nos faz questionar mais ainda aonde a ciência pode nos levar. Apollo 13 (1995), por outro lado, mostra como as coisas acontecem na vida real, sem divagar por um universo de possibilidades e ainda nos permite ir além, para um mundo que foge do convencional e de nosso cotidiano, um mundo que o cinema traz para perto de nós.

Até onde o cinema pode nos levar, sem fugir da ciência real? Difícil dizer, mas uma coisa é certa, ele nos proporciona horas de diversão e interfere em nossas vidas das formas mais variadas e sutis. Indy que nos diga!

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