COLUNA: Filmes de Cachorro

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// 20/07/2008

Antes de tudo, uma retratação: por motivos de força maior não pude atualizar a coluna, cuja periodicidade é semanal aos domingos, ontem; portanto o estou fazendo nessa segunda.

Filmes de Cachorro

por Breno Ribeiro – crítico e colunista

Sabe quando você vê uma coisa e fica com vergonha daquilo, pensando “como essa pessoa conseguiu fazer isso?”? Então, é assim que me sinto toda vez que vejo uma propaganda que seja de um filme de cachorro.

Primeiro de tudo, o que seria um filme de cachorro? Bom, pra escrever essa coluna, eu pensei em qualquer filme em que um cachorro possa ser visto como personagem principal ao lado de seu dono ou não. Nesse sentido nós podemos encontrar dois grandes grupos de filmes de cachorros, um pior que o outro: o primeiro seria aquele em que o cão não fala e nem expressa seus pensamentos em “linguagem humana” enquanto deixa a língua pra fora da boca e o segundo grupo seria daquele onde cachorros e outros animais acabam por conversar “abertamente”.

O primeiro grupo consegue ser um pouco melhor do que o segundo pelo simples fato de dar ao animal menos características humanas do que o que já seria necessário. Ao não dar aos seus animais o poder da fala e do pensamento, esses filmes conseguem atingir um ápice de maior verossimilhança do que os outros, mas não conseguem atingir nem mesmo o nível de “assistíveis”.

Independente do grupo onde se encontra, a maioria dos longas caninos é exageradamente infantil e obviamente inverossímil. Todo filme pode não condizer com a realidade da vida normal, mas ser verossímil dentro de seu próprio universo; mas isso quase nunca acontece num nesses casos, e o motivo disso se encontra na própria infantilidade das tramas. Os roteiristas desses filmes (que quase sempre são feitos por produtoras pequenas e com atores desconhecidos ou cuja fama foi se perdendo durante o tempo) tentam ao máximo explorar habilidades intelectuais que seres irracionais não possuem. Um exemplo disso é aquele tipo de seqüência onde um cachorro é perseguido por bandidos e nunca é pego, como se um animal fosse mais inteligente do que um humano.

Embora essas produções visem apenas o público infantil, está na hora de essas produtoras pequenas e sem fundos orçamentários para construir grandes filmes pensarem numa nova maneira de chamar a atenção desse público tão disputado pelo cinema, pois a maioria das crianças que conheço não se interessa muito mais por esse tipo de filme como costumava acontecer alguns anos atrás. Aliás, está também na hora de algumas emissoras abertas esquecerem que esses filmes existem e pararem de reprisá-los constantemente às tardes.

Os filmes desse gênero cem por cento infantil não conseguem lucrar quase nada em salas de cinema pelo mundo, isso quando não são lançados diretamente para DVD tamanha é a falta de impacto que possuem. Seja por suas histórias sem credibilidade e recheada de clichês, seja por sua falta de verossimilhança ímpar ou pela quase sempre incapacitada direção, a verdade é que esses filmes “de cachorro” nem mesmo deviam existir. O bom é que eles vêm ganhando cada vez menos espaços nas telonas, nas telinhas e nas prateleiras das locadoras.

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