COLUNA: Filmes Medievais

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// 06/07/2008


Como anunciado anteriormente, domingo é dia de coluna no PipocaCombo, e nosso colunista, Breno Ribeiro, escreve hoje sobre filmes medievais e algumas de suas características.

Boa leitura.

Filmes Medievais
por Breno Ribeiro – crítico e colunista

E aí que essa semana eu pensei em ver o filme “A Outra” pra entrar numa vibe mais medieval para fazer a coluna dessa semana, né? Acabou que eu nem assisti, mas a idéia pra coluna de hoje continuou firme e forte.

O mais legal de filmes medievais, pra mim, é perceber como aquela cultura possui muitos aspectos morais parecidos com os nossos hoje em dia, por mais que a cultura retratada seja quase sempre a de uma Inglaterra monárquica e feudal, o poder corrupto, as pessoas que se escondem atrás de uma espécie de nobreza e outras coisas.

Outra coisa interessante nesses filmes é que a maioria esmagadora deles (num digo “todos” pra não generalizar) possui algo muito forte em relação à História. Nesse sentido, filmes medievais se dividem em dois grandes grupos: o grupo dos filmes altamente históricos e o grupo dos filmes com roteiro específico, onde os fatos históricos são apenas pano de fundo.

Eu, por adorar essa parte da História Mundial, principalmente da Inglaterra, prefiro o primeiro grupo. Quase todos são uma verdadeira aula de História e ninguém precisa ficar lendo mil livros pra entender tudo. Algumas pessoas dizem que alguns fatos são distorcidos quando fazem esses filmes para que tudo pareça mais “bonitinho” e menos como realmente foi. Entretanto, alguns filmes de época, como o péssimo “Alexandre” (que não entra na categoria medieval, mas eu quis citar assim mesmo), foram feitos de acordo com a história verdadeira e apedrejados pelo grande (e leigo, infelizmente) público por mostrar certas verdades da época – no caso de “Alexandre”, as relações homossexuais que os homens tinham.

Não que eu esteja me desfazendo das produções com roteiros específicos ao apontar uma preferência aos filmes verdadeiramente históricos, até porque, como salientei, gosto da maioria dos longas medievais. Adaptações de clássicos literários de época são sempre muito interessantes justamente por contar uma história original (não no cinema, mas na literatura, nesses casos) contendo enfoques marcantes quanto a costumes, crenças, modo de vida e outros aspectos da vida daquele tempo.

Filmes medievais também chamam muita atenção da galerinha da Academia do Oscar porque, não sei se já perceberam, todo ano temos pelo menos um filme desse estilo concorrendo ao prêmio de Melhor Figurino, no que devo concordar. Remontar os trajes de época, sem parecer muito forçado, copiado, mas sim natural não deve ser uma tarefa muito fácil. Requer uma pesquisa muito grande e, na maioria dos últimos grandes filmes do gênero, contém um resultado invejável e fabuloso. Nesse sentido “Academy Awards” da coisa, filmes de época estão para Oscar de Figurino assim como dramas estão para Oscar de Melhor Filme (sem necessariamente impossibilitar a fusão dos dois estilos).

Resumindo a obra, filmes de época são um show à parte por muitos motivos. Seja pelo figurino maravilhoso, seja por retratar uma sociedade-base para a atual tão bem, seja por contar de forma primorosa (ou não, às vezes) fatos históricos ou simplesmente para servir de entretenimento passageiro e passar na Sessão da Tarde anos depois; produções que, de forma geral, são sempre válidas de ver. Agora deixa eu ir lá ver “A Outra” que se o filme num for bom (o que acho difícil) pelo menos perco duas horas da minha vida de olho na Natalie Portman.

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