COLUNA: Prelúdio do Fim

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// 13/11/2008

Não é de hoje que a indústria do cinema se utiliza do impacto de catástrofes naturais e fenômenos astronômicos para criar um clima de tensão entre os espectadores. O realismo levado às telonas muitas vezes nos faz acreditar que alguns de nossos maiores temores poderiam se tornar reais. Quem nunca pensou em como seria o final dos tempos? E se um meteoro voltasse a se chocar com a Terra e acabasse com a raça humana e todo ecossistema de nosso planeta como aconteceu há aproximadamente 70 milhões de anos com os dinossauros? Não é lá muito interessante pensar a respeito, certo? Então, por que ainda vamos ao cinema assistir esse tipo de filme?

Prelúdio do Fim
por Greice Narmolanya – colunista

Se esse tipo de assunto costumava deixar você preocupado, seus problemas acabaram. Assim como as Organizações Tabajara, os cineastas sempre têm a solução para seus problemas e, se depender deles, o futuro da Terra está garantido. Eles sempre encontram uma solução para as catástrofes de grande magnitude… Ou quase sempre.

Unindo o útil ao agradável, as catástrofes naturais têm ganhado as telonas, misturando ficção e realidade. Em 1972, a grande enchente de 53 inundou os cinemas em Os Órfãos e depois foi a vez de Enchente – Quem Salvará nossos filhos?. Os dois longas mostram o drama de crianças pegas de surpresa por enchentes de grande magnitude, que apesar das circunstâncias distintas, irão transformar suas vidas para sempre.

Seguindo o padrão de catástrofes naturais, temos ainda aqueles filmes que retratam a revolta do planeta as agressões causadas pelo homem. É o caso de O Núcleo e O Dia Depois de Amanhã. No primeiro, o núcleo da Terra para de girar repentinamente, resultando na destruição gradativa da crosta terrestre, e os cientistas se vêem obrigados a reativar o núcleo de alguma forma. Obviamente, eles encontraram uma solução para um problema, mesmo que os físicos sintam “vergonha alheia” pela viagem dos cineastas. No segundo, uma série de efeitos climáticos começa a assolar o planeta, acabando quase que por extinguir a raça humana. Embora as conseqüências mostradas sejam um pouco extremas, nos fazem refletir sobre o que estamos fazendo ao nosso planeta e quais serão as implicações disso. O fato é que ele já está dando sinais do que está por vir e os tsunamis são apenas um começo.

Mas nem sempre as catástrofes naturais são uma reação as agressões humanas. Às vezes o planeta só está mostrando um pouquinho do seu poder. Afinal de contas, existem coisas que nem o homem é capaz de conter. Os terremotos e as erupções vulcânicas são um bom exemplo disso. A primeira situação é retratada em Terremoto, ganhador do Oscar de 1975, e 10.5, produzido originalmente para TV. Em se tratando de vulcões, O Inferno de Dante mostra de forma envolvente, o drama de uma equipe de vulcanólogos e os moradores de uma pequena cidade durante uma erupção vulcânica que destrói o lugar. Já em Vulcano – A Fúria, um desconhecido vulcão ativo surge sob Los Angeles causando grande destruição.

Existem ainda aqueles filmes que retratam as tempestades em alto mar, como em Tormenta e Mar em Fúria, mas sem dúvida alguma, tornados despertam muito mais atenção e a curiosidade do público. A Noite dos Tornados e Twister retratam de forma interessante e assustadora esse tipo de evento da natureza e sua capacidade de destruição. Será que depois de assistir um filme assim alguém ainda se candidataria a caçar tornados!?

Apesar das catástrofes naturais terem um bom apelo na mídia, são os de caráter astronômico que causam mais impacto, literalmente. O sucesso de Impacto Profundo e Armaggedon estão aí para comprovar. Um dos maiores temores da nossa época é, sem dúvida alguma, a possibilidade de um meteoro ou até mesmo um planeta se chocarem com a Terra. Os cientistas vêm trabalhando há anos para encontrar uma solução caso seus temores se concretizem e os cineastas, por outro lado, já a encontraram. Parece que a única solução possível é destruí-los com arsenal atômico antes que se aproximem de nossa órbita e, obviamente, uma equipe de astronautas altamente qualificados será necessária para isso. A experiência deu certo no cinema, apesar dos imprevistos. Resta saber se daria certo caso realmente fosse necessário.

A atração que essas histórias nos proporcionam retrata um fascínio que temos pelas coisas sobre as quais não temos controle. Por outro lado, o medo e a curiosidade são uma mistura sagaz, capaz de manter até os espectadores mais exigentes atentos ao desenrolar da trama. Considere as soluções nada convencionais para as catástrofes em questão um bônus criativo e não se preocupe com as conseqüências, sempre terá alguém com uma idéia brilhante o suficiente para impedir que a Terra seja destruída.

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