CRÍTICA | 007 – Operação Skyfall

Ação
// 25/10/2012

Grande estreia dessa sexta-feira é o 23º 007. São 50 anos da maior série de filmes já feita. De lá para cá, o cinema mudou bastante, assim como os filmes de 007 e seus atores. Vimos, com o passar dos anos, os vilões se alternarem de acordo com os contextos históricos e as Bond girls mudarem de estética de acordo com a moda. Também vimos a evolução técnica de efeitos visuais afetar as capacidades físicas do protagonista (quem se lembra de Pierce Brosnan surfar de parapente uma onda gigante?). Foram várias alterações ao longo do tempo. Então como manter a forma sendo um cinquentão? Como faz um homem para sobreviver junto aos super-heróis?

007 – Operação Skyfall
por Henrique Marino  

A resposta de Skyfall para essas duas questões é reiteradamente formulada através da película, de modo que apreendê-la é muito fácil e até um pouco enfadonho. Skyfall não aposta no ridículo e no absurdo, como muitas vezes já ocorreu nos outros 22 longas. Ao contrário, o filme aposta na seriedade e simplicidade da tradição. Desde Casino Royale (ou a primeira personificação de Daniel Craig como James Bond), o entendimento tem sido o de um protagonista mais humano e falho, indicando já uma volta ao tradicionalismo. Talvez o motivo da mudança seja o efeito do tsunami que Pierce Brosnan surfou em 2002.

De todo modo, Skyfall vai além, ele volta às origens de James Bond ao mesmo tempo em que o coloca como um herói antiquado e ferido. Ao construí-lo assim, o roteiro consegue questionar a todo instante a própria franquia. Como ser tão velha e ainda ser pertinente hoje? Talvez oferecendo o que muitos filmes negam atualmente: humanidade, simplicidade, tradição… A oferta é bem recebida, especialmente para aqueles que conhecem os primeiros filmes de 007. Essas pessoas serão felizes ao reconhecer algumas referências.

A progressão da narrativa, ao invés de levar para o futuro, parece voltar ao passado. Isso acontece porque o vilão é um especialista em computação, tendo o controle de tudo que esteja conectado à rede, e porque está atrás de M, numa busca por vingança. A única forma de James Bond e M escaparem dessa sua fúria vingativa é fugindo para o meio do nada, onde, numa antiga propriedade, o clímax da trama se desenvolve. Ali tanto Bond como M — a verdadeira Bond girl de Skyfall — encaram seu passado.

Os créditos pela qualidade do filme devem ser dados a Sam Mendes, o diretor, e John Logan, um dos roteiristas. Neal Purvis e Robert Wade, os outros dois roteiristas, estão há algum tempo com a série nas mãos, mas nunca provaram tamanha competência. Já John Logan escreveu o roteiro de filmes como O Aviador, Gladiador, Rango e A Invenção de Hugo Cabret, o que aponta que apenas ele poderia ter construído um roteiro com uma mensagem tão concisa que permeasse cada cena do filme. Já Sam Mendes recebe os créditos por ter passado essa mensagem com clareza, sem deixar de fazer um ótimo filme de ação, com suas cenas carregadas de adrenalina e tensão; isso sem falar na sua delicadeza típica ao filmar os atores e seus sentimentos.

Outra grande figura envolvida na produção e que merece destaque é Roger Deakins, o diretor de fotografia. Mais uma vez Deakins cria uma das melhores fotografias do ano. É incrível o domínio das luzes e das cores que ele possui. Há, inclusive, a possibilidade de receber sua décima indicação ao Oscar, só restando vencer pela primeira vez.

Mas a estrela que brilha mais forte em Skyfall é Javier Bardem. Seguindo a tradição de vilões meio loucos e estranhos, Javier faz o que jamais fez em sua carreira como ator. Em sua primeira cena, domina completamente a situação, não só por conta do texto de seu personagem, que se mostra comicamente ótimo, mas por suas qualidades como ator.

Uma produção contando com esses nomes dificilmente fracassaria e, de fato, não fracassou. Pelo contrário, superou expectativas. Apesar da simplicidade da trama, há muitos detalhes que fornecem uma leitura rica e recheada de referências. Skyfall abraça totalmente o seu tema, de modo que sua concisão eleva o seu valor e acaba por ser uma homenagem para a série 007.

 

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007 – Skyfall (EUA, Reino Unido, 2012). Ação. Sony Picutres
Direção: Sam Mendes
Elenco: Daniel Craig, Judi Dench,  Naomi Harris, Ralph Fiennes, Javier Barden

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