CRÍTICA: 007 – Quantum of Solace

Ação
// 08/11/2008

Dois anos depois do aclamado Cassino Royale, é lançado nos cinemas, dessa vez sob a direção de Marc Foster, Quantum Of Solace, o 22º filme do agente James Bond. Confira a crítica e saiba que o filme tem a oferecer!

007 – Quantum Of Solace
por Breno Ribeiro

Daniel Craig é, de todos os atores que já interpretaram o agente britânico no cinema, o mais visceral. Seja pelo fato de Paul Haggis ter reconstruído o personagem de forma mais humana, com emoções menos heróicas e mais egoístas, seja pelo fato de sua aparência já denotar uma figura menos altruísta; o fato é que Craig é realmente o Bond mais próximo do que podemos chamar de humano. Não que isso seja melhor ou pior, é apenas uma constatação sobre essa nova fase que se iniciou há dois anos com Cassino Royale.

Contando com um número exponencialmente maior de cenas de ação do que o anterior, Quantum Of Solace não chega à magnitude do roteiro bem engendrado de outrora, mas é superior quando o assunto é direção. Contando os acontecimentos que sucederam à morte de Vésper, em Cassino Royale, o longa nos apresenta uma história que por horas soa confusa, ao passo que nos cerca por todos os lados com cenas de ação que, embora contenha certas inverossimilhanças (marca registrada dos filmes do espião), são muito bem produzidas e filmadas.

Diferente de Bond e dos outros personagens já explorados no predecessor, nenhum dos novos é bem construído. A história de Camille, por exemplo, surge repentina no meio da narrativa, não só na coincidência incrível que se a assemelha a Bond (uma frustrada tentativa de talvez nos fazer sentir por uma personagem tão insossa), mas também na forma abrupta como surge, em uma conversa casual entre duas pessoas que, à luz da verdade, mal se conhecem. Por outro lado, muitos personagens do anterior ressurgem neste novo filme muito naturalmente, o que pode ser algo bom, do ponto de vista narrativo, uma vez que confere um caráter maior de continuação propriamente dita, ou pode ser ruim, já que muitos espectadores que não se recordam de Cassino Royale ficarão perdidos durante a história.

Apesar de tudo isso, Marc Foster consegue estabelecer uma direção interessantíssima. Os planos abertos e a agilidade da câmera nas cenas de perseguição são, de certa forma, um trunfo. Conferir o aspecto de confusão e falta de sentido dos personagens durante as perseguições seria algo difícil de se realizar com uma câmera mais “certinha”, ao mesmo tempo que os planos abertos deixam o espectador menos focado no personagem principal e mais focado no todo que se sucede.

Com uma história que por vezes beira o absurdo e uma direção no mínimo chamativa, o novo longa do famoso personagem criado por Ian Fleming deve ser visto como algo que transita entre a continuação de Cassino Royale e uma introdução para uma futura seqüência. O problema aqui reside em sobrepor as cenas de ação à história em si, algo que havia sido desfeito muito bem pelo próprio Paul Haggis, em 2006. Embora não tão bom quanto se esperava, Quantum Of Solace* não deve ser encarado como uma decepção, apenas como o prelúdio de algo que ainda está por vir.

*Muitas pessoas saíram do cinema na minha sessão dizendo que não entenderam o nome do filme. Explicando: “quantum” é mesmo “quantidade”, em inglês, enquanto “solace” pode ser traduzido como um “conforto que sucede à perda”. Uma alusão ao espírito vingativo de Bond e Camille.

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Quantum of Solace (EUA, Reino Unido, 2008). Ação. Sony Pictures
Direção: Mark Foster
Elenco: Daniel Craig, Olga Kurylenko

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Ação, Críticas