CRÍTICA 2: Cisne Negro

Críticas
// 05/02/2011

A gente achou que o filme merecia duas opiniões, na qual a segunda é um pouquinho mais distante de tudo o que todos têm comentado pelo filme. Isso torna a discussão apenas mais saudável.

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Cisne Negro
por Leandro Melo

O Lago dos Cisnes é um drama composto por Tchaikovsky para o Teatro Bolshoi em 1877. E, resumo, é uma história sobre uma virgem que á transformada em um cisne branco e que só poderá ser liberada de tal feitiço pelo homem de sua vida. Este, é enfeitiçado pela sua irmã (o cisne negro), que não é mais virgem e o seduz. Desiludida, o cisne branco decide acabar com sua vida e, assim, conquistar a sua liberdade. Darren Aronofsky é um diretor conhecido por uma direção que força aos máximo a atuação nos personagens em sua filmografia. Ao realizar a sua própria visão sobre a obra de Tchaikovsky, Aronofsky transforma o drama, adicionando um carga de intensidade psicológica transformando a jornada da bailarina Nina Sayers (Natalie Portman) praticamente em um terror psicológico. E, desse argumento, nasce Cisne Negro.

A dualidade, tal qual a da personagem principal, acaba por dominar também a apreciação da obra. E esta é uma característica que se faz perceber a intertextualidade que permeia o longa. A versão de Lagos dos Cisnes que será reinterpetada diegeticamente na trama do filme pelo diretor Thomas Leroy (Vincent Cassel) dialoga diretamente com o Cisne Negro de Darren Aronosfky, chegando ao nível de questionar se alguns diálogos de Leroy não seriam uma manifestação do eu-lírico de Aronofsky.

A construção de personagem não ocorre de forma sutil. Aí se encontra um defeito que diminui quase que fatalmente a relação do espectador com a obra. Não há uma curva de personalidade. Nina não encerra um ciclo em sua vida e inicia outro. Metaforicamente, é como se a sua sanidade caminhasse sempre em linha reta e, abruptamente, virasse em um ângulo de 90 graus. Em um história onde a psicologia é um elemento tão forte, um roteiro que não o explora de forma mais aprofundada torna-se falho.

A fotografia soa um pouco equivocada em suas escolhas. Os planos muito fechados acabam por tornar um elemento que diminui as atuações. Isso deve – em grande parte – a edição e os seus cortes secos e, a princípio, dinâmicos durante os diálogos (notados durante as cenas na casa de Nina).

Na composição sonora, Clint Massel se baseia em toda a trilha do original Lago dos Cisnes para recompô-la em Cisne Negro. A dupla de música eletrônica The Chemical Brothers também faz uma anunciada participação na composição contemporânea. O uso a trilha sonora, porém, é excessiva, causando um desconforto ao quase tornar determinadas cenas melodramáticas.

Natalie Portman vem sendo celebrada mundialmente pela interpretação de Nina Sayers. De fato, ao analisar a personagem no início da película e ao seu final, há duas Ninas diferentes e nada complementares entre si. Porém, há um quê de superestimação em toda essa celebração quase coletiva que vem causado na mídia especializada. Esta não é a sua melhor atuação, embora a sua entrega no terceiro ato seja memorável (e talvez o seu passaporte para as premiações). O elenco coadjuvante, que passa longe da unanimidade, é um dos grandes trunfos de Cisne Negro. E ainda tem a pequena, porém belíssima, participação de Winona Ryder como a decadente bailarina Beth Macintyre.

Em suma, Cisne Negro é uma boa releitura de Lago dos Cisnes. Só é preciso ter cuidado com o hype que o filme tem gerado mundialmente, para acabar não se decepcionando. Dito isto, Aronofsky exercita mais uma vez a sua excelente direção de atores e entrega um drama que se sai melhor quando apresenta a sua tensão psicológica.

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Black Swan (EUA, 2010). Drama. 20th Century Fox
Direção: Darren Aronofski
Elenco:
Natalie Portman, Barbara Hershey, Winona Ryder
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Categorias
Críticas, Drama