CRÍTICA: (500) Dias com Ela

Comédia
// 04/11/2009

Só em 2009, nós fomos apresentados a pelo menos 10 comédias românticas em grande circuito com elenco estelar. E é incrível que dentre todas elas, nenhuma foi capaz de alcançar uma nota digna de lembrança. Comparar filmes e filmes é algo que, de fato, não se deve fazer. Aliás, isso nem chegou a ser feito aqui. Este parágrafo de introdução feito pelo Editor serve apenas para ressaltar que o gênero ainda não deu tudo o que tinha que dar. Seja presenteado você também, nesta sexta-feira, com (500) Dias com Ela.

Clique em “Ver completo” e leia a crítica. Se quiser, releia a entrevista que nós fizemos com o diretor Marc Webb durante o Festival do Rio 2009.

(500) Dias com Ela
por Janaina Pereira

“O filme a seguir é uma história de ficção. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência. Especialmente você Jenny Beckman. Vaca”. É assim que começa (500) Dias com Ela. Este é o primeiro longa de Marc Webb, conhecido diretor de videoclips, que conquistou público e crítica no Sundance e chega ao Rio cercado de expectativas. A trama parece ser mais uma comédia romântica, mas só parece. Bem, comédia até que é. Romântica, não necessariamente.

Summer, a mocinha (Zooey Deschanel, sósia da cantora Kate Perry), é descolada e apaixonante. Tom, o mocinho (Joseph Gordon-Levitt, extremamente semelhante ao saudoso Heath Ledger), é um típico nerd que acredita que vai encontrar sua alma gêmea. Ele, claro, se apaixonada por ela, mas a moça não quer compromisso sério porque simplesmente não acredita no amor. Ainda assim, Tom se envolve com Summer e o que vemos na tela são, justamente, os 500 dias em que vive em função da garota que julga ser a mulher dos seus sonhos.

Por muitas vezes, Summer é doce e adorável. Até o expectador se encanta por ela. Mas, como vemos o filme sempre da perspectiva de Tom, percebemos que a moça também consegue ser indiferente e cruel. Algumas das frases mais dolorosas que os apaixonados nunca podem ouvir saem dos lábios carnudos de Summer. A menina não tem dó nem piedade de seu amado.

Claro que, com um diretor que veio do mundo da música, a trilha sonora tinha que ser destaque do longa. O momento em que Tom canta Here comes your man, do Pixies, é hilário. E as intervenções com She´s like the wind, idem. A trilha, aliás, é um personagem tão importante do filme quanto Summer e Tom. A linguagem da produção, de um modo geral, é bastante particular, imprimindo um estilo marcante para o jovem cineasta Webb, que conseguiu aproveitar na telona toda sua experiência visual com os clipes.

O que diferencia (500) Dias com Ela das outras comédias românticas é que, neste caso, não há romance, mas também não vemos o amor não correspondido. Porque Summer gosta de Tom, mas não o suficiente. E isso é o que nos torna cúmplices dele, e faz com que o filme seja criativo e inteligente, apesar de sua visão dolorosa, mas bastante verdadeira, do amor.

Após assistir ao longa, só um pensamento me vem a cabeça: que Tom – e todos aqueles que um dia já foram rejeitados – viva muito bem 500 dias sem ela.

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(500) Days of Summer. (EUA, 2009). Comédia romântica. 20th Century Fox.
Direção: Marc Webb
Elenco: Zooey Deschanel e Joseph Gordon-Levitt

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Categorias
Comédia, Críticas, Romance