CRÍTICA | A Era do Gelo 4

Animações
// 28/06/2012

Quando uma nova animação é criada, o principal a ser pensado são os seus personagens. Isso porque se a história acabar sendo ruim, sempre haverá uma marca a adquirir os direitos de produção de um brinquedo e material para infindáveis continuações. A Era do Gelo 4 certamente segue essa linha.

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A Era do Gelo 4
por Arthur Melo 

Quando bons personagens são criados e sua história cativa, o primeiro desejo ao término de um filme é saber o que acontece na agora “resolvida” vida deles. Foi assim quando Shrek se casou com Fiona, quando Woody virou amigo de Buzz e quando Diego, Sid e Manny resolveram manter o bando formado para devolver o bebê humano para a tribo à qual pertencia. Foi. Não é mais. Sabidos desde sempre os problemas que continuações podem trazer, a questão sempre se torna maior quando lidamos com animações, um tipo de produto que muitas vezes pode estar se repetindo apenas para vender produtos licenciados, não para acrescentar algo precioso à história anterior. É o que acontece desde A Era do Gelo 2, se mantendo no mesmo nível em A Era do Gelo 3 mas ganhando proporções gigantescas em A Era do Gelo 4: desta vez os personagens simplesmente já não têm a graça de antes.

No filme, o trio conhecido desde o primeiro longa vive seus dias de harmonia com os outros animais. Especialmente Manny, que agora tem uma família formada. Até que por um “acidente” geológico a Pangeia inicia o seu processo de separação, distanciando Manny, Sid e Diego dos restos dos animais, que deverão se reunir para tentar se salvar. Agora à deriva, o trio tenta fazer o possível para voltar ao continente, mas são surpreendidos por uma embarcação (um iceberg em forma de navio) pirata comandada por um capitão que quer transformá-los em algo bem próximo a escravos.

Não seria clichê, seria preguiça. A Era do Gelo 4 poucas vezes utiliza o recurso do lugar comum em uma cena específica, mas a sua história é um grande repeteco mal desenvolvido e por vezes sem propósito. De cara, já se descobre que o divertido trailer protagonizado pelo esquilo Scratch, que vem sendo repetido nos cinemas desde 2010, é na verdade a cena de abertura. E lá se vai em som de desperdício a mais criativa passagem do filme. Em seguida, um primeiro ato de apresentações de personagens sem qualquer interferência direta nos acontecimentos centrais da trama, protagonizando conflitos familiares, relações de amizade e euforia adolescente batidíssimos. Sobra para Sid as poucas piadas cuja graça só se efetiva (na versão brasileira) por conta da excelente dublagem de Tadeu Mello. Mas as tiradas da preguiça são balanceadas por uma ou outra frase de efeito que todo e qualquer personagem teima em utilizar para reproduzir nas palavras aquela personalidade que o filme não consegue entregar para cada um deles. O resultado é entristecedor.

O que ainda chama a atenção na terceira continuação é a pouca inventividade, se comparada aos longas anteriores da série. Os novos personagens são descartáveis, os anteriores, à exceção do trio protagonista, pouco colaboram, e o mundo em degelo (porque a mudança climática já se arrasta desde o segundo filme) oferece poucos atrativos. Tudo fica entregue à disputa entre os heróis e o capitão do navio iceberg, que muito pouco tem a oferecer além da espetacular qualidade gráfica dos ambientes marinhos. Pelo menos o 3D funciona, mesmo que procure literalmente esfregar na cara da plateia do que ele é capaz.

A Era do Gelo 4, a tirar pelos personagens, seria tão bem-vindo quanto os anteriores se ainda houvesse algo a ser contado sobre eles. Mas o resultado ao subir dos créditos finais é praticamente idêntico ao início. Exceto pela questão geográfica, os personagens migraram do nada para lugar nenhum, tendo como saldo uma única aquisição que, Deus queira, não signifique uma nova família inserida ao bando e, por consequência, uma nova continuação.

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Ice Age: Continental Drift (EUA, 2012). Animação. Fox Filmes.
Direção: Steve Martino e Mike Thurmeier
Elenco: Ray Romano, Queen Latifah, Denis Leary

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