CRÍTICA: A Hora da Escuridão

Ação
// 12/01/2012

Qual ação a se tomar se só houvesse um dia pela frente? Ou pior, vários dias, longe de casa, sozinho e tendo de sobreviver a uma espécie alienígena diferente do que o imaginário popular promoveu? O diferencial de A Hora Da Escuridão reside ai: não há silhuetas humanoides querendo invadir a Casa Branca nem ensinar ao homem sobre sua ganância. Dessa vez, o palco é Moscou e os extraterrestres mais ousados: vieram em busca de energia.

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A Hora da Escuridão
por Clara Soares 

 O longa se inicia com Sean (Emile Hirsch) e Ben (Max Minghella), dois amigos que viajam para Moscou a negócios, levando um projeto de criação de uma nova rede social. Ideia esta frustrado por Skyler, empresário local que lhes passa a perna. Em outro plano, chegam Natalie (Olivia Thirlby) e Anne (Rachael Taylor), duas amigas que acabam na Rússia devido a uma escala forçada. Desventuras à parte, os quatro americanos acabam se encontrando em uma boate da cidade e, após se reconhecerem, passam a interagir. O início de uma boa noite é interrompido por um apagão. A população imediatamente às ruas e percebe que, apesar da escuridão, pequenos pontos luminosos começam a vir do céu, quase que como em um balé (por ser em 3D, a impressão é que o público será o primeiro a ser atingido pelas luzes em descida). Quando finalmente um cidadão resolve enfrentar o medo e encarar o desconhecido, a criatura o desintegra em um segundo e o filme dá a largada.

Uma sequência de queixos caídos se sucede em suficientes 90 minutos. A começar pelo cenário, uma Praça Vermelha quase palpável, os pontos turísticos foram bem explorados e a filmagem em 3D, diferentemente das películas convertidas, realmente nos põe no centro da ação; a sensação de vazio e temor pelo desconhecido é proporcional à profundidade dos ângulos, garantindo o suspense. Outro aspecto interessante, já fora do ponto de vista técnico, é a construção dos personagens no desenrolar do longa. Sem nenhuma perspectiva de salvação e com a proximidade do inimigo, pequenos conflitos emergem conforme a verdadeira personalidade de cada um vai transparecendo. O que parecia óbvio no início se torna um dos elementos surpresa. Curiosa também é a inversão de um conceito comum do gênero: formado por ondas eletromagnéticas, o escudo dos ETs os torna invisíveis quando distantes de aparelhos eletrônicos (principalmente os que produzem iluminação), deixando a presença da luz do dia muito mais assustadora do que o breu da noite.

Do elenco, é notável as atuações de Emile Hirsch, que vai amadurecendo seu personagem (talvez até um pouco rápido demais, mas corresponde ao filme como um todo), e Rachel Taylor que, imprimindo o pânico perfeitamente em sua personagem – apesar de secundária – se sai bem melhor de que Olívia Thirlby como principal (que parece perdida em cena).

Já a direção de Chris Gorak (do elogiado Toque de Recolher) ajuda para que as sequências de ação pontuadas pelas doses de ficção funcionem. Aliás, as explicações científicas para a composição orgânica e o violento ataque dos ETs as tornam quase possíveis de existir. E a situação dos jovens levados a um ambiente totalmente desconhecido pelos próprios para serem jogados em uma fuga pela sobrevivência – sem sequer conhecerem uns aos outros – dá a intensidade final da narrativa – pincelada pelas figuras que surgem enquanto procuram abrigo e até uma sutil dose de humor.

A Hora Da Escuridão não trata dos preparativos para um ataque alienígena, mas da reação pós-apocalíptica. Um enredo a princípio conhecido, mas com um desenvolvimento inovador.

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 The Darkest Hour (EUA/ Rússia, 2011). Ação. Fox Filmes.
Diretor: Chris Gorak
Elenco: Emile Hirsch, Olivia Thirlby, Max Minghella.
Trailer

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