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A Hora Mais Escura estreia neste fim de semana como um dos principais indicados na 85ª cerimônia dos Oscars. Embora não seja um dos preferidos, e talvez até saia da cerimônia sem estatueta, o filme não perde o seu brilho obscuro. Ao contar de forma objetiva um dos episódios mais controversos e contundentes da recente história americana, Kathryn Bigelow traz ao público, novamente, mais uma obra reflexiva sobre as relações externas dos Estados Unidos e sobre os personagens dessas relações.

A Hora Mais Escura
por Henrique Marino

A Hora Mais Escura começa com uma tela preta e áudios agoniantes referentes ao 11/9. Em seguida, a primeira cena é o interrogatório e a tortura de um homem envolvido com a Al-Qaeda. Não é a única cena de tortura, outras serão apresentadas. A tortura, então, tem um papel fundamental na caça a Osama Bin Laden. O filme trata o problema de forma objetiva: torturar foi um método utilizado e efetivo. No entanto, o filme não justifica o método, assim como não o critica diretamente. A abordagem é um pouco aberta e depende da cabeça do público.

A caçada humana de que trata a trama também é objetiva, apenas dramatizada aqui e ali pela jornada pessoal da personagem principal e pelo suspense muito bem engendrado por dúvidas e por obstáculos à caçada. Mas mesmo esses dois recursos dramáticos são naturalmente inerentes à realidade: foram pessoas de verdade resolvendo um mistério de verdade. Isso tudo dá um tom bastante realista ao filme. Da mesma forma como a tortura foi abordada, a caçada humana também não é justificada e nem criticada pelo filme.

O que relaxa o tratamento objetivo aos dois principais temas do filme é a construção da protagonista Maya, interpretada pela excelente Jessica Chastain. Apesar da aparente frieza da personagem, detalhes da interpretação de Jessica indicam seus sentimentos ocultos. Maya está obcecada na busca por Bin Laden, e este nem é o foco de seu trabalho, que é descobrir quando atentados terroristas acontecerão — e eles acontecem constantemente, até mesmo envolvendo Maya. A personagem apenas persiste, numa confiança quase cega. Aparentemente, tal confiança ajuda a idealizar a imagem de uma heroína estadunidense.

Outro ponto importante abordado é o funcionamento interno da CIA. Vemos que o trabalho exaustivo de filtrar informações e usar inteligência, na verdade, está nas mãos de uns poucos, que são completamente anônimos, assemelhando-se a trabalhadores comuns. Mesmo o torturador é um sujeito comum e até carismático. Como em qualquer organização, há burocracia, há rotinas, diferentes níveis de autoridades etc. E é neste meio em que Maya trabalha e caça Osama.

O momento mais excitante do filme vem em seu último ato, quando invadem a suposta casa do terrorista. Com uma fotografia obscura, já que se trata da “hora mais escura”, às vezes entrecortada pela fotografia verde da visão noturna, a câmera acompanha a invasão do exército a casa.  Neste momento o som é um dos fatores que merecem destaque (embora, no filme, o som tenha suas falhas, especialmente nas cenas de interrogatório). Nesta última meia hora de filme há uma crescente tensão até o desfecho do filme.

A última cena desconstrói a imagem heroica de Maya e abre espaço para reflexão sobre essa caçada humana, sobre as torturas realizadas, sobre o sentimento americano com relação ao 11/9 e à morte de O.B.L… E é isto que A Hora Mais Escura oferece, sem críticas ou justificativas.

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Zero Dark Thirty (EUA, 2012). Ação. Imagem Filmes.
Direção: Kathryn Bigelow
Elenco: Scott Adkins, Joel Edgerton, Jessica Chastain, Chris Pratt.

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Uma resposta para »CRÍTICA | A Hora Mais Escura»
  1. Bigelow faz falta no Oscar! No de Melhor Direção, já que foi indicada como Produtora dA Hora Mais Escura.

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