CRÍTICA | A Morte do Demônio

Críticas
// 20/04/2013

Longe do orçamento quase caseiro do original de 1981, A Morte do Demônio não conserva o charme de filme B que elevou a estreia do diretor Sam Raimi a status cult. Mas isso não impede que o remake desenvolva de forma bastante sólida uma trama macabra não tão distante da contada há mais de três décadas, com direito a muito, muito sangue.

A Morte do Demônio
Por Gabriel Costa

À primeira vista é tentador descartar a nova versão de A Morte do Demônio como mais um remake desnecessário e até indesejado para um clássico que resiste perfeitamente à passagem do tempo e não precisa de atualizações. Mas um exame um pouco mais aprofundado revela que as coisas não são necessariamente assim. As maquiagens de gesso e borracha e os personagens surrealmente ingênuos da produção original ainda podem proporcionar doses massivas de diversão em maratonas de terror trash madrugada adentro, mas não vão muito além disso. Com os próprios Raimi e Bruce Campbell, protagonista do filme de 81, entre os produtores do filme e o estreante em longa metragem de nome infeliz Fede Alvarez na direção, o reboot/sequência demonstra respeito pela obra em que se baseia enquanto leva o terror a níveis compatíveis com o contexto atual do gênero.

O enredo, com alguns ajustes, é quase o mesmo de 30 anos atrás (e de pelo menos a mesma quantidade de produções): cinco jovens viajam para uma cabana isolada no meio de um bosque e lá se deparam com forças maléficas além de sua compreensão que não vão descansar até que todos estejam mortos. A diferença aqui é que, em vez de apenas um grupo de casais e amigos querendo passar alguns dias relaxando e curtindo longe da civilização, o quinteto tem um objetivo bem definido. Mia (Jane Levy) tem problemas com drogas, e a ideia é que a temporada na cabana seja um período de reabilitação, com o apoio de seu irmão David (Shiloh Fernandez, de A Garota da Capa Vermelha), a namorada dele, Natalie (Elizabeth Blackmore), Eric (Lou Taylor Pucci) e Olivia (Jessica Lucas).

O longa não deixa de apelar para alguns clichês entre os mais antiquados no gênero. Eric, aparentemente nunca tendo visto um filme de terror na vida, lê em voz alta o conteúdo evidentemente satânico do Naturom Demonto – o livro maldito que infernizou a vida do adorado protagonista original Ash ao longo de toda a trilogia oitentista. Os personagens suportam ferimentos em um nível praticamente sobre-humano, o que também prejudica a atmosfera de ameaça inclemente desejável em uma produção como essa. Por outro lado, há uma boa justificativa para a permanência do grupo na cabana: eles querem forçar Mia a persistir no objetivo que os levou até ali, e encaram os primeiros sintomas da possessão como sintomas da abstinência.

O filme não “poupa” a audiência com períodos prolongados de calmaria nem opta pela tensão constante em média intensidade como a série Atividade Paranormal, por exemplo. Quando as coisas começam a ficar ruins, ficam muito ruins muito rápido. E quando o horror de fato acontece, é sempre levado até bem próximo das últimas conseqüências. Sangue chove – literalmente – e faces desfiguradas, estilete na língua, seringa no olho e uma motosserra utilizada em uma cena que se equipara aos melhores fatalities dos games Mortal Kombat em plasticidade e violência extrema são todos itens presentes aqui. E sim, a infame cena da árvore também.

Enquanto reboot no gênero, A Morte do Demônio supera com folga o que foi feito nos últimos anos com as franquias Sexta-Feira 13, Hora do Pesadelo e Halloween, e talvez fique atrás apenas do Madrugada dos Mortos de 2004, um dos grandes filmes da já longeva febre zumbi que ainda assola o entretenimento nas mais variadas áreas. Enquanto filme de terror, cumpre um papel bastante competente no lado menos sutil do espectro (sem trocadilho). E, enquanto obra visual, é inquietante o suficiente para exigir alguns minutos – ou horas – a mais com as luzes acesas antes de dormir.

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Evil Dead (EUA, 2013) Terror. Ghost House Pictures
Direção: Fede Alvarez
Elenco: Jane Levy, Shiloh Fernandez, Lou Taylor Pucci, Jessica Lucas, Jessica Lucas

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Críticas, Terror