CRÍTICA: A Órfã

Críticas
// 03/09/2009

Terror, terror e mais terror. 2009 tem sido o ano com mais estreias de terror com boa resposta do público durante um bom tempo. Nesta sexta-feira estreia mais um. Dispensando o supra-sumo formato 3D, que tem diso a real garantia do sucesso de muitas produções que tocam o terror no seu público, A Órfã prende bela trama e pelas surpresas narrativa, não visual.

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A Órfã
Por Breno Ribeiro

Por mais mal educadas, respondonas e mimadas que seja boa parte das crianças hoje em dia, as mesmas ainda carregam consigo uma certa pureza e ingenuidade que, intrínseca a elas, tornam no mínimo chocante a idéia de haver no mundo uma criança que possa ser considerada má, na pior definição da palavra, como foi abordado no longa de 1993, O Anjo Malvado. É justamente nesse sentimento de choque que se baseia a narrativa de A Órfã.

Na história, Kate e John Coleman resolvem adotar uma criança, depois de perder o filho caçula antes mesmo do parto e enfrentar problemas com o alcoolismo dela. Eles acabam por trazer a pequena russa Esther para seu lar, junto a seus dois filhos, sem suspeitar que por trás de seu sorriso angelical se esconde uma personalidade mentirosa, vingativa e psicopata.

Mostrada durante todo o primeiro ato como uma simples menina gentil e inocente, mas de hábitos estranhos para a família (como o uso de roupas antiquadas e colares e munhequeiras de pano), a pequena Esther é encarada com uma maturidade impressionante pela jovem Isabelle Fuhrman. Do sotaque russo, passando pelos trejeitos e expressões doces da órfã, até o olhar vingativo, frio e psicopático de Esther, Fuhrman está perfeita. Ainda, Aryana Engineer (Max) e Jimmy Bennett (Daniel) estão ótimos como os “irmãos” ameaçados por Esther. Peter Sarsgaard (como John Coleman) se sai bem em um papel que não foge nunca da superficialidade, conseguindo ser melhor em um personagem raso do que Vera Farmiga (Kate Coleman), que não consegue jamais parecer realmente envolvida pela menina, algo que funciona a partir da metade do filme, mas que no primeiro ato parece paradoxal com a vontade da mulher em ter uma nova filha, ainda mais uma, à primeira vista, tão meiga quanto Esther. Se sustentando basicamente em um terror que nunca transpassa a tela (ou seja, nunca sentimos o mesmo medo que os personagens parecem sentir, talvez justamente por já conhecermos a natureza da menina), o filme surge apenas para tornar o público em uma ‘torcida’ pela vida dos personagens (mais especificamente, as outras crianças).

Ademais, a ‘surpresa’ do final, que surge como algo realmente inesperado, se mostra, em uma análise mais profunda, como um receio de manter até o fim uma temática incomum (algo que o diferencia de sua referência mais óbvia O Anjo Malvado – há até mesmo um lago congelado onde Esther brinca com Max), o que acaba sendo uma pena no sentido de que o longa acaba perdendo grande parte de seu reflexo de realidade. Entretanto, apesar da falta de gás e dramaticidade do terceiro ato, A Órfã ainda é um thriller satisfatório.

nota-6Orphan (EUA/Canadá, 2009). Terror. Suspense. Warner Bros.
Direção: Jaume Collet-Serra
Elenco: Isabelle Fuhrman, Vera Farmiga, Peter Sarsgaard e Jimmy Bennett.

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Críticas, Suspense, Terror