CRÍTICA: A Pantera Cor-de-Rosa 2

Comédia
// 20/02/2009

Estréia hoje no Brasil a segunda parte da comédia de 2006 que trouxe de volta ao cinema o maior e mais atrapalhado detetive de todos os tempos, A Pantera Cor-de-Rosa 2. Mas parece que desta vez Jacques Clouseau só tem força para divertir as crianças e não mais os adultos, já conhecedores natos de todas as suas artimanhas e exageros. Confira a crítica!

A Pantera Cor-de-Rosa 2
Por Arthur Melo

O pastelão é o típico instrumento para enrolar por um punhado de horas uma trama sem muita história. Ou, se preferível, exagerar os traços mais evidentes de um personagem. Oscilando por essa dúvida ficou A Pantera Cor-de-Rosa 2, continuação da comédia de 2006 com Steve Martin, que retorna ao papel.

Dentre tantas falhas que o filme possui, o que certamente o puxa para baixo é a forma caricata como o detetive anteriormente vivido pelo comediante Peter Sellers foi tratado no filme. A estupidez de Jacques Clouseau é extremista e, em vez de tirar proveito deste fato, o longa só propõe que a graça e os risos se originem no humor pastelão com quedas, tombos, exposições ao ridículo e muitos cenários quebrados. Uma tentativa frustrada de divertir o público majoritariamente adulto que anseia pelos “erros” de postura acadêmica do detetive que, no fim, sempre lhe coloca numa posição superior.

Desta vez, o diamante Pantera Cor-de-rosa, o símbolo de riqueza da França, deve ser protegido para que o grande ladrão de tesouros, O Tornado, não se apodere dele, enquanto uma equipe formada pelos melhores detetives do mundo, o Dream Team (Time dos Sonhos), da qual Clouseau faz parte, precisa descobrir o paradeiro das outras preciosidades já roubadas pelo Tornado, assim como sua identidade secreta.

Obviamente, em toda o processo de investigação, os integrantes do grupo por várias vezes se aproximam da solução do caso, sempre postos a perder por Clouseau que atrasa o processo e permite que mais extravagâncias e atitudes mal engendradas dêem ritmo a história regida por tonalidades de humor por várias vezes desnecessárias pelo seu exagero.

Mas se o conteúdo básico não salva a projeção, ao menos a veia cômica do elenco, com exceção, curiosamente, logo de Steve Martin (ainda que mereça alguma atenção pelo seu simpático e interessante sotaque francês), detém os gracejos menos perceptíveis, porém mais valiosos. O mais hábil na questão, sem dúvida, é John Cleese. Suas reações às artimanhas de Clouseau são perfeitas e no tempo certo, sendo ainda agraciado por uma boa parcela de humor verbal que, aliado às suas expressões divertidíssimas, colaboram para o pouco de humor não-físico. Além dos excelentes em cena Alfred Molina e Andy Garcia, que possuem uma formalidade em seus personagens hora ou outra quebrada pela história.

A Pantera Cor-de-Rosa 2 segue a mesma teoria prática do primeiro longa, só que mais realçado em seus contornos: uma trama policial simples arquitetada por um inimigo pouco brilhante que é investigado por um detetive menos esperto ainda que, por uma ironia, golpe de sorte ou surto de esperteza, consegue encontrar o fio da meada que o colocará como a maior mente contra o crime. Uma falta de criatividade que só não se prova na seleção do elenco.

The Pink Panter 2 (EUA, 2009). Comédia. Sony Pictures.
Direção: Harald Zwart
Elenco: Steve Martin, John Cleese, Alfred Molina, Jean Reno e Andy Garcia

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Comédia, Críticas