CRÍTICA | A Torre Negra

Ação
// 27/09/2017

Mais recente e promissor representante de um subnicho cinematográfico profundamente irregular – adaptações de obras literárias do mega best-seller Stephen King -, A Torre Negra derrapa na construção de um universo coerente e, ao longo da modesta hora e meia de duração, nem mesmo chega a realmente demonstrar a ambição de contar uma grande história, exceto por parte da melodramática e cafona trilha orquestral.

O desenvolvimento e produção do longa remonta a uma década atrás, quando, em 2007, J. J. Abrams assumiu o projeto, apenas para ser substituído três anos depois por Ron Howard (de O Código Da Vinci), que, por sua vez, eventualmente recuou à posição de produtor e deixou a direção nas mãos de Nikolaj Arcel, responsável pela adaptação original  europeia de Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Sob o comando do diretor dinamarquês, o já fragmentado universo de King que une referências da Terra Média de J.R.R. Tolkien e a poesia épica de Robert Browning a temáticas pós-apocalípticas adquire ares de uma mal costurada colcha de retalhos.

Nem as poderosas presenças de Idris Elba, na pele do pistoleiro Roland Deschain, e Matthew McConaughey, como o cruel Homem de Preto, conseguem conferir charme significativo à progressão atropelada e cheia de clichês da trama, talvez por ambas serem obrigadas o tempo todo a orbitar a insossa trajetória do jovem Jake Chambers (Tom Taylor), que a partir de um sonho sai em busca do único homem que pode defender a torre que sustenta todo o multiverso e dá nome ao filme.

A evolução da parceria e amizade entre Roland e Jake, elemento crucial do desenvolvimento do protagonista ao longo dos sete livros da obra original, parece pouco natural e apressada. Elba é efetivo em sua encarnação do estoico pistoleiro, mas a natureza desorganizada do enredo o faz parecer idiota mais vezes do que parece saudável, tanto para o fã da saga quanto para o espectador casual. O implacável antagonista de McConaughey demonstra mais personalidade, embora a caracterização quase cartunizada de tão explícita em sua vilania prejudique o impacto final do personagem.

Belas tomadas do mundo devastado de Roland e um punhado de boas sequências de ação, além de alguns divertidos interlúdios de alívio cômico, são somados aos esforços de Elba e McConaughey como pontos positivos em um contexto geral pouco favorável. Stephen King tem mais de 50 livros publicados, e entre remakes, diferentes versões das mesmas obras e adaptações de contos individuas – mais que o dobro desse número em produções cinematográficos e televisivos. Infelizmente, para cada O Iluminado, O Nevoeiro ou Um Sonho de Liberdade, ainda parece haver três Colheita Maldita. Ou um A Torre Negra. Em qual ponta do espectro estará o vindouro It – A Coisa?


The Dark Tower (EUA, 2017). Fantasia / Ação. Sony Pictures.
Direção: Nikolaj Arcel
Elenco: Idris Elba, Matthew McConaughey, Tom Taylor, Fran Kranz, Katheryn Winnick

 

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Ação, Críticas