CRÍTICA: A Verdade Nua e Crua

Comédia
// 16/09/2009

Na próxima sexta, Gerard Butler (300) volta a encantar as moças na comédia romântica A Verdade Nua e Crua, agora vestindo um personagem que é quase o total oposto daquele em P.S. Eu Te Amo. Desta vez, o ator encara uma história mais leve com feições mais conhecidas do público geral. O que não é uma ideia tão feliz assim.

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A Verdade Nua e Crua
por Arthur Melo

Em algum momento da carreira, alguns astros se dão ao luxo de poderem dizer que carregam um filme nas costas. Não é o caso de Gerard Butler em A Verdade Nua e Crua, tampouco de Katherine Heigl. Mas ainda assim a dupla funciona bem em ação.

Esta comédia romântica é, na verdade, uma comédia sobre o romance; ou sobre a neurose criada em cima dele. O sonho mágico das mulheres em encontrar o príncipe encantado é eternamente desconstruído ao longo do filme, revelando uma nova forma que as histórias água com açúcar americanas andam tomando. Agora a proposta é desmistificar o amor perfeito e o homem ideal. Algo que já vem se estendendo desde outras produções do tipo como Ele não Está Tão A Fim de Você e O Melhor Amigo da Noiva – a inutilização do tal príncipe. A princípio, isto poderia ser um avanço, mas se torna uma coisa totalmente irrelevante num gênero que só pode ter um tipo de desfecho.

Heigl é Abby, uma produtora de TV com problemas de audiência que certa noite em casa descobre um programa de televisão apresentado por Mike (Butler) em que o próprio escancara todas as verdades e pensamentos masculinos sobre qualquer relacionamento. Indignada com as “inverdades”, Abby discute ao vivo por telefone com o apresentador. Ela só não esperava que ele se transformaria na maior aposta de sua emissora para alavancar os índices e que o tal rapaz ainda se tornaria seu aliado no jogo de conquista do sexo oposto.

A partir daí, surge uma infinidade de cenas rápidas recheadas das mais diversas dicas de sedução com som de inovação. Isto, somado ao bom e velho banho de loja, cabelo e maquiagem a la “Betty, A Feia” de minuto e as mais do que batidas brincadeiras de walkie-talkie para ajudar na hora “H” completam o grande pacote de clichês que o filme insiste em empurrar até em minoridades.

Para sorte do casal em cena, Abby e Mike possuem química na tela, mas como amigos. Um ganho e tanto, uma vez que pela maior parte da trama os dois trabalham juntos tanto em favor da conquista de Colin (a investida de Abby) quanto na batalha para sustentar a audiência do programa. O resultado é uma cumplicidade agradável que dá origem ao melhor que o humor do filme pode propor.

Mas a história deve seguir a regra. E por esta regra admite-se que previsibilidades são a aposta certa não só para o desfecho que o filme já acena desde o começo, mas também para os caminhos escolhidos para se chegar a ele. As mudanças na forma de um personagem olhar para o outro já estão programadas desde o impacto de personalidades tão divergentes e a confirmação de muitas teorias que o público tem sobre cada integrante do triângulo não demora a vir. O que praticamente encerra todo o argumento da história e a força a trazer para si mais conflitos de fim de filme que só acontecem mesmo em comédias românticas, desperdiçando bons minutos de mais momentos entre Abby e Mike em ação que poderiam haver.

O interessante de filmes semelhantes a A Verdade Nua e Crua é a necessidade de se obedecer a uma exigência do público; mais do que qualquer outro gênero do cinema. O que leva à apreciação deste tipo de produto é acreditar que alguma lição real pode ser aprendida daquilo e que, na prática, haverá um resultado tão premeditado quanto na teoria que o cinema coloca. A diferença é que, de fato, na telona os casais são construídos para atender ao outro.

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The Ugly Truth (EUA, 2009).  Comédia Romântica. Sony Pictures.
Direção: Robert Luketic.
Elenco: Gerard Butler, Katherine Heigl, Cheryl Hines.

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Categorias
Comédia, Críticas, Romance