CRÍTICA: A Vida Secreta das Abelhas

Críticas
// 04/08/2009

Nesta sexta-feira estreia em circuito nacional o belo drama A Vida Secreta das Abelhas, com Dakota Fanning e Queen Latifah. O filme, com uma boa e bem contada história, tem elementos suficientes para agradar ao público que geralmente não se alia ao drama nas telonas.

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A Vida Secreta das Abelhas
por Arthur Melo

Dakota Fanning há muito já provou que tem talento para a nobre arte que escolheu. Quando despontou nos cinemas na superprodução Guerra dos Mundos, de Steven Spielberg, a menina roubou os olhares dos fabulosos efeitos visuais e das sequências de perseguição para a sua atuação. Desde então, a menina passeou por algumas outras produções que exploravam mais a sua boa visibilidade do que o sua capacidade nas telas. Mas em A Vida Secreta das Abelhas, Fanning teve a oportunidade de esticar as pernas.

No longa, a menina Lily Owens foge de casa junto de sua babá e melhor amiga, Rosallen (Jennifer Hudson), e acabam chegando a uma cidade de interior onde vivem três irmãs (cujos nomes se referem a meses do ano) proprietárias de uma grande produção de mel. Lá, as duas se instalam e formam laços de grande amizade com as três que pode responder algumas das respostas mais perturbadoras da vida de Lily.

Vinda da televisão, a diretora e roteirista Gina Prince-Bythewood acertou na adaptação do livro de Sue Monk Kidd. O roteiro é linear e não deixa brechas para dubitações ou omissões. A trama se desenvolve no tempo certo, evoluindo a história de uma maneira em que um fato claramente explica o seguinte. A coesão é visível, ora que os termos centrais da narrativa jamais destoam com o objetivo de dar mais ênfase a determinados personagens. Uma formação bastante favorável ao filme como um todo, pois dá espaço para que cada pessoa dentro do processo exerça a sua influência.

O trabalho de Prince-Bythewood como roteirista é, aliás, mais expressivo do que como diretora. Seu jeito de encaminhar o filme está longe de ser falho, mas é vago. Não há surpresas ou destaques. Em alguns momentos, a direção opta pelo comum e até seleciona o clichê. Mas encaminha, acima de tudo, o filme naturalmente com sua postura politicamente correta sem inovações.

De fato, o que torna A Vida Secreta das Abelhas tão apreciável é a boa história, ainda que ela reserve passagens ou pequenas reviravoltas já conhecidas de outros contos. De qualquer forma, há como se mascarar. Ou ao menos tentar. Para o auxílio estão as atuações. Jennifer Hudson (vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante por Dreamgirls) se sai bem como Rosallen, mas ao lado da carismática Queen Latifah (como Ausgust Boatwright) e de Alicia Keys (a “meio-amarga” June Boatwright), se perde diante do ótimo desempenho de Sophie Okonedo, como a sensibilíssima May. Mas, de fato, o filme pertence a Dakota. A qualidade da carga emotiva que a atriz deu a Lily Owens é digna de aplausos de pé. Não há um escorregão sequer ou mínima perda do timing. Não que os demais o façam, mas a exatidão de Fanning é claramente mais exuberante.

A Vida Secreta das Abelhas não pode ser encarado como o melhor drama da temporada. Mas sim, facilmente, como o mais cativante deles. A premissa não é fraca e o desenvolver em tela não cai nos pequenos (e talvez mínimos) buracos da projeção como um todo – muitos deles podem se tornar até insignificantes se observados os méritos. Uma adaptação bem-vinda e com os elementos necessários para agradar sem muita batalha o público não tão seleto sem precisar baixar o nível. E isto sim, é um acerto e tanto.

nota_8The Secret Life os Bees (EUA, 2008). Drama. 20th Century Fox.
Direção: Gina Prince-Bythewood
Elenco: Dakota Fanning, Queen Latifah, Alicia Keys, Jennifer Hudson e Sophie Okonedo.

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Críticas, Drama