CRÍTICA | Alien: Covenant

Críticas
// 10/05/2017
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O diretor Ridley Scott retorna pela segunda vez ao universo dos monstros espaciais que lhe trouxeram fama há quase quatro décadas em uma obra que, embora carregue o nome da lendária criatura no título, está muito mais próximo do prelúdio Prometheus do que dos quatro filmes originais da franquia, tanto cronologicamente – dentro e fora da trama – quanto em termos de estética, conceito e, para o bem e para o mal, execução.

Alien: Covenant é, de fato, o segundo filme da trilogia que, quando concluída, em teoria levará ao ponto de início do primeiro Alien, dirigido por Scott em 1979. Por que “em teoria”? Bem, porque, assim como aconteceu com o capítulo inicial dessa nova saga, em 2012, toda e qualquer promessa de exploração sólida sobre a origem dos xenomorfos e aprofundamento do universo em questão é deixada para trás a partir de mais ou menos metade do tempo de exibição, quando começa a inevitável matança da tripulação da nave que representa a segunda metade do título.

A Covenant é uma a expedição colonizadora que, cerca de dez anos após os eventos de Prometheus, singra o espaço sideral rumo ao distante planeta Origae 6, levando uma carga de milhares de colonos e outros tantos embriões, em hibernação sob o monitoramento do androide Walter, interpretado com a habitual competência por Michael Fassbender. Uma descarga de energia estelar acorda a tripulação, composta pela proto-Ripley Daniels (Katherine Waterston); o dedicado, mas ingênuo, Oram (Billy Crudup) e sua esposa bióloga Karine (Carmen Ejogo); o piloto Tenessee (Danny McBride, agradável surpresa em um raro papel “sério”) e o chefe de segurança, Sargento Lope (Demián Bichir), entre outros – incluindo James Franco, em breve participação como o oficial Jacob Branson.

Agora alerta, a equipe percebe uma transmissão proveniente de um planeta próximo que apresenta aparentes condições de habitação ainda mais favoráveis que as do destino final da expedição, e descem para investigar apenas para concluírem, é claro, que a realidade é terrivelmente mais sinistra do que parecia. E é daí em diante que a ação e o suspense adquirem posição de prioridade, o que seria até muito bem-vindo, caso esses elementos fossem desenvolvidos com o esmero adequado para que o abandono da ambiciosa e intrigante atmosfera construída ao longo da primeira hora do longa parecesse justificado.

Mesmo o aspecto visual deslumbrante e a fotografia impecável do polonês Dariusz Wolski, em mais um eco de Prometheus, não desviam a atenção da progressão pouco coerente e satisfatória do desenvolvimento das criaturas que pareciam tão implacáveis quando perseguiam Sigourney Weaver, e aqui são reduzidas quase a monstros alienígenas genéricos, não fosse pelo incrível design baseado no trabalho de H.R. Giger. Mesmo a famigerada “cena do chuveiro”, que gerou frisson a partir dos trailers, parece mal posicionada na história, e lembra algo saído dos spin offs que colocaram os aliens contra uma certa outra raça predatória extraterrestre.

Segundo Ridley Scott, a sequência de Alien: Covenant, já tem roteiro e deve entrar em produção daqui a pouco mais de um ano, enquanto a possível continuação da saga posterior, que chegou a ser cogitada com o diretor Neill Blomkamp, de Distrito 9, e o retorno de Ripley/Weaver, parece ter sido definitivamente cancelada. Resta esperar, então, que até lá o diretor decida se quer fazer um horror espacial ou uma ficção científica indagatória e tensa. Ou, melhor ainda, apenas trabalhe em amarrar de forma consistente esses dois lados da história, que não são nem de longe incompatíveis.


Alien: Covenant (EUA/Austrália/Reino Unido, 2017). Ficção científica / Terror. 20th Century Fox.
Direção: Ridley Scott
Elenco: Michael Fassbender, Katherine Waterston, Billy Crudup, Danny McBride, Guy Pearce.

6-pipocas

 

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