CRÍTICA: Amor a Toda Prova

Comédia
// 25/08/2011

O terreno traiçoeiro das comédias românticas não chega a ameaçar a ótima química entre os atores e o enredo surpreendentemente bem encaixado de Amor a Toda Prova. Um elenco forte que inclui Steve Carell, Ryan Gosling, Julianne Moore, Emma Stone e Marisa Tomei faz bonito e é motivo suficiente para justificar a ida ao cinema.

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Amor a Toda Prova
Por Gabriel Costa

Comédias românticas podem ser uma faca de dois gumes para os diretores e atores que decidem se aventurar no gênero. De forma até certo ponto análoga ao contexto dos filmes de terror, trata-se de um segmento que tem espectadores cativos de onde ocasionalmente surge uma produção de destaque, mas que é recebido com nariz já previamente torcido por uma parcela significativa do público e crítica. Amor a Toda Prova (dos diretores Glenn Ficarra e John Requa, de O Golpista do Ano), embora não chegue a garantir uma vaga no seleto rol das obras que transcendem o controverso estilo, resiste aos clichês e apresenta personagens cativantes e mesmo surpreendentes reviravoltas em um enredo que à primeira vista pode parecer forçado.

A trama tem início quando o pacato Cal Weaver (Steve Carell) é surpreendido pelo pedido de divórcio de Emily (Julianne Moore), com quem é casado há mais de vinte anos. Confuso, ele passa a afogar as mágoas em um bar que também é frequentado por Jacob (Ryan Gosling), um jovem sedutor que praticamente dedica a vida a conquistar mulheres. E costuma ser bem sucedido.

Após alguns dias escutando as lamúrias ébrias do desiludido Cal, Jacob, impaciente, decidir orientar de forma nada sutil o novo conhecido de volta à autoconfiança e, por que não, a outras mulheres. As consequências dessa “parceria” afetarão as vidas da jovem Hannah (Emma Stone), da ainda mais jovem Jessica (Analeigh Tipton), da professora Kate (Marisa Tomei) e do filho de Cal e Emily – mas não o único –, Robbie (Jonah Bobo). Sem entregar o ouro, pode-se dizer que todos esses personagens estarão apaixonados por alguém ao longo do filme.

A narrativa de Amor a Toda Prova triunfa em grande parte pela ótima química compartilhada pelo elenco principal, mesmo que nenhum dos atores chegue a se destacar significativamente. Gosling impressiona pela dedicação ao personagem, embora mantenha um nível de atuação pouco mais que satisfatório, enquanto Carell mais uma vez prova que não é apenas um bom palhaço. O sujeito é capaz, sim, de sustentar situações dramáticas sem dissonância com os momentos cômicos de um mesmo personagem, característica diferencial na safra pós-2000 de “caras engraçados”.

Emma Stone também arrisca com bons resultados uma personagem mais meiga que o habitual, e Moore e Tomei apresentam a admirável competência habitual, mantida independentemente da qualidade das produções de que participam. O filme tem ainda a participação de Kevin Bacon, que, mesmo que agrade por ser uma face familiar, não vai além do feijão com arroz.

A dupla de diretores conduz a obra com segurança. Aparentes buracos na trama são explicados no tempo devido, embora elementos importantes permaneçam inexplicados na relação entre Cal e Jacob, por exemplo. No geral, no entanto, o público é recompensado por sua paciência ao longo do desenvolvimento do enredo, e há momentos de comédia explícita suficientes para agradar aqueles que só querem dar boas risadas.

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Crazy, Stupid, Love. (EUA, 2011) Comédia/Drama/Romance. Carousel Productions / Warner Bros.
Direção
: Glenn Ficarra e John Requa
Elenco:
 Steve Carell, Ryan Gosling, Julianne Moore, Emma Stone, Marisa Tomei, Kevin Bacon

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Categorias
Comédia, Drama, Romance