CRÍTICA: Anjos & Demônios

Críticas
// 13/05/2009

Já cercado de polêmicas envolvendo a igreja, assim como foi  com o lançamento do primeiro filme adaptado de um livro do escritor Dan Brown, chega aos cinemas Anjos & Demônios. Alheios a discussões que fogem do que realmente interessa, os fãs do autor se vêem diante da oportunidade de contemplar novamente o roteiro de um dos maiores best-sellers literários da história. E, para Akiva Goldsman, o roteirista, é a chance de corrigir erros cometidos no longa de 2006.

Anjos & Demônios
Por Breno Ribeiro

Em 2006, quando foi lançado, o longa O Código Da Vinci, baseado no best-seller de mesmo nome de Dan Brown, foi exaustivamente criticado pelo seu enredo arrastado e excessivamente explicativo que tornava seus 149 minutos uma tarefa árdua de se concluir sem um bocejo sequer. Mesmo diante de críticas tão fortes (e incontestáveis), os produtores Brian Grazer e John Calley ousaram ao trazer de volta o roteirista Akiva Goldsman para, juntamente com David Koepp, assinar a “continuação” do primeiro. Embora tendo ao seu lado a desconfiança e antipatia de muitos pelo que fizera em 2006, Goldsman eleva-se ao corrigir tudo que havia feito de errado no a-ser-lançado Anjos & Demônios.

Com uma introdução que funciona justamente por quebrar o padrão do livro, a história do longa inicia-se com a morte do Papa, seguida à do cientista Leonardo Vetra. As mortes se interconectam quando Langdon é chamado para investigar o sequestro dos quatro preferidos para sucederem o antigo papa e descobre que uma antiga organização inimiga da igreja, os Illuminati, matou Vetra e roubou a recém-criada antimatéria, capaz de destruir todo o Vaticano. Langdon agora tem que correr contra o tempo ao lado de Victoria Vetra para achar o paradeiro dos quatro preferiti e reaver a ‘arma’ cataclísmica.

Contando com um enredo que por si só já é melhor que o anterior justamente por não se basear em polêmicas gigantescas para o sucesso (embora aqui e ali haja referências que farão os católicos mais fervorosos torcerem os narizes), o roteiro escrito a quatro mãos ganha ao trazer elementos narrativo-dramáticos que o original não possui, como a cena em que Victoria encontra o corpo de Leonardo no laboratório ou ao mostrar referências claras de que os fatos presenciados acontecem posteriormente aos do anterior (uma vez que na cronologia dos livros, os eventos no Vaticano acontecem antes daqueles na França). Ainda podemos aplaudir a dupla de roteiristas por conseguir concentrar uma história com tantas informações sem torná-la cansativa. Muito pelo contrário, as cenas são rápidas, ágeis e trazem o clima de tensão que um bom thriller pede. Entretanto, Goldsman e Koepp pecam ao trocar um dos únicos fatores bons de O Código da Vinci: as origens e motivações de seu assassino. Enquanto o Silar de 2006 podia ser, ao final, totalmente compreendido ao lutar pelo homem que o criou, o Hassassin deste não consegue nunca fugir da máscara de vilão ambicioso e capitalista. Ainda, modificando parte do final, os roteristas fazem o longa perder parte da ‘moral’ do livro.

Fugindo dos números ou símbolos luminosos e em ‘alto-relevo’ que se mostravam eficientes em Uma Mente Brilhante e piegas em O Código Da Vinci, o diretor Ron Howard confere uma direção mais eficiente do que a do primeiro longa, guiando com mais segurança as cenas de ação e criando, desta vez, uma tensão muito mais palpável. Todavia, a trilha do excelente Hans Zimmer aqui soa quase imperceptível nunca conseguindo se fazer presente por muito tempo, o que é uma pena.

No que concerne ao campo das atuações, os destaques ficam para Ewan McGregor e Tom Hanks. Enquanto este parece se sentir mais à vontade como Langdon e um roteiro indubitavelmente superior em mãos, aquele cria um Carmelengo de fala mansa e olhar sereno que nos ganha logo em sua primeira cena. Ainda, Nikolaj Lie Kaas (Hassassin) aparece bastante expressivo para um personagem tão mal aproveitado.

Muito superior ao predecessor, o projeto compacta toda uma história cheia de referências e a torna um thriller eficiente. Falando assim, aqueles que não viram o filme podem chegar a pensar num desvirtuamento de valores, algo que nem chega perto de acontecer. Alterações foram feitas, mas todas muito bem-vidas; ao contrário de O Código Da Vinci que, ao seguir a risca os moldes do original, acabou por se tornar enfadonho. Assim, Anjos & Demônios chega como um alívio para os olhares pessimistas daqueles que não acreditavam mais na Saga-Langdon.

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Angels & Demons
(EUA, 2009). Suspense. Sony Pictures.
Direção: Ron Howard
Elenco: Tom Hanks, Ewan McGregor , Stellan Skarsgård e Ayelet Zurer.

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Categorias
Críticas, Suspense, Thriller