CRÍTICA: Anticristo

Críticas
// 30/08/2009


Estreou na última sexta-feira uma das produções mais polêmicas do ano.  Anticristo, de Las Von Trier, vem dividindo opiniões. Mas, não por isso, deixa de perturbar e sobressaltar os mais sensíveis da plateia. Confira a crítica do inquietante terror para maiores clicando em “Ver Completo”.

Anticristo
por Breno Ribeiro

Ondas do Destino, Os Idiotas, Dançando no Escuro e Dogville. O que os quatro filmes anteriores tem em comum? Se você pensou “Todos são dirigidos por Lars von Trier”, você acertou apenas metade da resposta. Além de serem obras do diretor dinamarquês, os quatro longas servem como referência para a enorme sensibilidade cinematográfica de von Trier, no que diz respeito à alma humana. Todavia, tamanha sensibilidade pode acabar sendo um tiro no próprio pé e é exatamente isso que acaba acontecendo no novo filme do diretor: Anticristo.

Focado em apenas dois personagens (nomeados apenas como Ele e Ela), Anticristo acompanha a depressão da perda de Ela do filho único do casal que morreu caindo da janela enquanto os dois transavam. Ele, um terapeuta, tenta ajudar a esposa a superar a dor, descobrindo que um dos lugares que ela tem medo é a floresta de Éden, onde ela passara alguns meses com o filho, e a levando para lá na tentativa de a fazer superar o medo e a dor.

Proposital e escrachadamente episódico, o longa se inicia com um Prólogo fantástico (o único motivo de a nota final não ser ainda menor). Monocromático, o Prólogo demonstra toda a sensibilidade de Von Trier de uma forma esplêndida. A câmera lenta elegantíssima e a música de fundo ajudam a construir uma das melhores passagens do cinema este ano.

É com pesar, porém, que devo admitir que o filme começa e acaba em seu Prólogo. Com a exceção única da narração de Ela pelo Éden antes de voltar para lá, o filme despenca de forma brusca logo em seu primeiro capítulo e só continua a cair conforme o tempo passa. Com uma premissa que soa interessante (e eu não vou dizer qual é para não estragar a ‘surpresa’), em nenhum momento o filme se preocupa em parecer crível dentro de seu universo. A loucura de Ela (Charlotte Gainsbourg, excelente) vai e volta sem nenhuma razão coerente. Em um momento do filme a vemos pular de felicidade por ter se ‘curado’ da depressão e no seguinte está torturando Ele sob o pretexto de que ele a deixaria. Além disso, certas passagens envolvendo atos e órgãos sexuais, masturbações e automutilações daqueles órgãos (tudo altamente explícito) aparece como um soco proposital e desnecessário na barriga do telespectador que, em meio ao misto de sentimentos que tais cenas proporcionam, não consegue absorver a função delas na totalidade do filme.

Deixando a interpretação de quem ou o que seria o Anticristo do título a cargo de cada telespectador, Anticristo provoca uma gama dos piores sentimentos e emoções no público sem, entretanto, tornar claros os objetivos para isso. O choque pelo choque é algo que, pelo menos ao meu ver, pode ser considerado absurdamente desprezível. Acredito que, se a filmografia de Lars Von Trier começasse com este filme, ele não seria tão reconhecido como é hoje. Porém, a essa altura do campeonato, Anticristo surge apenas como uma pequena mancha de molho em uma toalha de mesa branca.

nota_4

Antichrist (Dinamarca/Alemanha/França/Suécia/Itália/Polônia, 2009). Terror. Califórnia Filmes.
Direção: Las Von Trier
Elenco: Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg.

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Críticas, Terror