CRÍTICA: Apenas o Fim

Críticas
// 11/06/2009


Neste feriado prolongado em que muitos namorados passarão bons dias em companhia um do outro, estreia o romance nacional Apenas o Fim. O filme, dirigido por Matheus Souza – estudante de cinema de 19 anos – pode pecar na estrutura argumentativa, mas é um ótimo elemento de um currículo que pode ser promossior.

Leia a crítica clicando em “Ver Completo”.

Apenas o Fim
Por Henrique Marino

Elogiado pela crítica e vencedor dos prêmios de Menção Honrosa do Júri e Melhor Longa de Ficção do Público no Festival do Rio de 2008, Apenas o Fim teve sua estreia neste último dia dos namorados. Contrariando qualquer espírito romântico, a história conta o fim de um casal – clichê da atualidade: o garoto nerd com a garota linda.

Por circunstâncias pessoais, a menina, interpretada por Erika Mader, decide fugir da vida que tem. Até que parta, resta-lhe uma hora para se despedir de seu namorado Tom, interpretado por Gregógio Duvivier. Durante esta hora, o casal conversa entre si e conhecidos, rememora alguns momentos juntos e discutem, por insistência de Tom que sempre questiona a empresa da personagem feminina e tenta convencê-la a ficar.

Deve-se advertir que a força de todo o filme se concentra principalmente nos diálogos e no enleado das cenas. Isso pode denotar um ótimo roteiro, sólido e simples para muitos. No entanto, falta-lhe um ritmo crescente, uma partida e uma chegada. Parece que, como as personagens, apenas se dá uma volta pelo campus da Universidade. Afirmação ainda reforçada pelo roteiro conter uma única expectativa – sempre frustrada pela personagem de Erika -: se ela vai ou não mesmo embora. Justificando esse aparente defeito, existe o próprio título do longa: apenas o fim; para os menos atentos, “apenas” pode ser entendido por “simplesmente”.

Sem crises ou exaltações, o filme praticamente liquida com as apresentações dramáticas, chegando ao ponto de quase excluir o choro do fim de um relacionamento; exceto por uma sequência duvidosa quanto às interpretações e a sua própria construção – era desnecessário pôr o protagonista sentado no chão do banheiro público.

Todavia, Matheus Souza lida com a separação com bastante leveza, fugindo por diversas vezes da situação piloto e levando o casal a discussões pouco inerentes a ela. Exemplo é quando os dois discutem qual marca de games é melhor, se Sony ou Nintendo. Também suavizam a história as lembranças de momentos passados, sempre muito íntimas; retratadas em preto-e-branco.

Unida à leveza, há a comédia. O diálogo do casal se apresenta sempre cheio de graça. Não se trata, no entanto, de comédia forçada, aquela cheia de piadinhas ou de situações pastelão, mas de simples conversa. O que se assemelha muito ao estilo de Woody Allen.

Trazendo uma coloração romântica, existe o amor entre os dois. A forma como se olham, como se tocam, como se tratam favorecem o tom adocicado mas não melado que se quis passar na película. Ressalva aos atores que passam bem esta química.

As duas personagem principais, bem como as secundárias, estão todas envoltas por uma aura de estereótipos – o nerd, a hippie, o ator afetado, etc. No caso das personagens secundárias, essa aura é impenetrável, sendo incapaz de mostrá-los mais que figuras carimbadas. Já os protagonistas são mais trabalhados, pouco mais ricos em detalhes, apesar de todos eles convergirem para o estereótipo próprio de cada um.

Há, no entanto, um problema bastante sério que o personagem Tom pode trazer ao público, prejudicando a inteligibilidade da obra. Ele é um nerd e como tal sua cultura é essa e mais da metade dos diálogos se baseiam nela. Restringindo mais o público, trata-se de um jovem nascido no fim da década de 1980. Pessoas mais velhas ou mais novas, ou que não conheçam a infância dos anos 1990 ou que não estejam antenadas na cultura atual provavelmente ficarão um tanto perdidas.

Vale ressaltar que Matheus Souza tem apenas 20 anos e é pouco experiente. Essa é sua estreia no cenário cinematográfico, e o filme era pra ser apenas um projeto do curso de cinema. Como uma lenda rezada, conta o diretor que o custeio da produção começou com a rifa superfaturada de uma garrafa de uísque. A produção inteira ficou abaixo dos oito mil reais.


Apenas o Fim (Brasil, 2009). Romance. Estação.
Direção: Matheus Souza.
Elenco: Érika Mader e Gregório Duviver.

Comentários via Facebook
Categorias
Críticas, Nacional, Romance