CRÍTICA: Apollo 18

Críticas
// 01/09/2011


Seguindo o estilo de falso documentário com fortes elementos de suspense e terror celebrizado por Bruxa de Blair e seguido por filmes como Atividade Paranormal, Rec e Cloverfield, Apollo 18 cria um clima de tensão respeitável, mas peca por efeitos especiais fracos e um punhado de sequências bobas.

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Apollo 18
Por Gabriel Costa

Produto mais recente das geralmente bem sucedidas experiências com a união do estilo do falso documentário – anteriormente mais restrito à comédia – com tramas tensas, o filme dirigido pelo espanhol Gonzalo Lopez-Gallego com producão do russo Timur Bekmambetov, conta a história da missão-título, oficialmente cancelada pela NASA, em uma trama sombria que ocasionalmente tropeça na própria austeridade.

A obra parte da premissa que a missão Apollo 18 à Lua teria sido levada adiante em segredo pelos Estados Unidos após seu cancelamento frente ao resto do mundo. Realizada em parceria com o Departamento de Defesa norte-americano, a operação confidencial, segundo o filme, não teria apenas caráter científico, mas também estratégico na disputa com a União Soviética. Os problemas para a equipe composta por três astronautas começam a desconfiar que não estão sozinhos na superfície lunar.

Embora o próprio Bob Weinstein, chefão da produtora Dimension Films, tenha apelado para o hype ao declarar, meses antes do lançamento, que as imagens seriam verdadeiras, é evidente que se trata de um trabalho com mais foco na ficção do que na ciência, aspecto que traz consequências positivas e negativas ao resultado final.

Em alguns momentos, por exemplo, a dependência do filme em relação às imagens que poderiam ter sido realisticamente filmadas pelas diversas câmeras instaladas nos equipamentos e veículos dos personagens pode incomodar um pouco. Especialmente pela possibilidade de o espectador sentir falta daquela atmosfera cautelosamente arquitetada com panorâmicas e longas tomadas espaciais na maioria clássicos sci fi.

Acontece que o peso da grande maioria das fichas da direção depositadas no aspecto do suspense é grande o suficiente para que o público possa ser convencido a ignorar (até certo ponto) as evidentes vaciladas no lado técnico em favor do desenvolvimento da trama. O reduzidíssimo elenco – sem rostos familiares para evitar a lembrança constante do caráter fictício da obra, como de hábito – se sustenta bem, com alguns trejeitos de filme B que chegam a conferir certo charme ao contexto geral.

Os principais elementos nocivos à obra estão concentrados antes da metade, quando ainda não está claro de onde vem a ameaça aos astronautas. Nesse ponto, as hipóteses que o público é “sutilmente” conduzido a levantar chegam a parecer constrangedoras, e é também quando as baixas possibilidades técnicas do filme ficam mais evidentes.

Apollo 18 é um filme indicado principalmente a quem não tem maiores restrições à já vasta categoria de produções que apelam para a ilusão de realismo para criar o máximo de tensão possível. Fãs de ficção científica, contudo, certamente também encontrarão atrativos. Se sustos e arrepios sem muita sofisticação soam como uma boa pedida, pode pagar o ingresso sem medo. Pelo menos até entrar na sala.

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Apollo 18 (EUA, Canadá, 2011) Suspense. Ficção Científica. Terror. Dimension Films
Direção: Gonzalo Lopez-Gallego
Elenco: Lloyd Owen, Warren Christie
Trailer

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