CRÍTICA: Appaloosa – Uma Cidade Sem Lei

Aventura
// 06/12/2008

Infelizmente, é sem o estardalhaço dos grandes blockbusters que estréia, nesse fim de semana, o faroeste Appaloosa, filme que resgata o charme dos antigos faroestes e ao mesmo tempo traz suas novidades.

AppaloosaUma Cidade Sem Lei
Por Matusael Ramos – crítico e colunista

Ed Harris é decididamente bom naquilo que faz. Como ator, conquistou fãs e prêmios em papéis como o do insano diretor de TV em O Show de Truman ou do deprimido poeta aidético no drama As Horas. Como diretor (e protagonista) havia feito um trabalho competente em Pollock – sobre o pintor americano Jason Pollock – e agora repete o feito no longa Appaloosa, no qual seu personagem é um dos maiores atrativos da trama.

No filme, a pacata cidadezinha de Appaloosa vem sofrendo nas mãos de Randall Bragg (Jeremy Irons), um cruel proprietário de terras. Como em todo bom faroeste, ele e seus homens desconhecem a política da boa convivência, invadindo estabelecimentos, deflagrando mulheres e roubando cavalos. A situação torna-se insustentável quando o xerife local e seus dois assistentes são mortos.

As autoridades resolvem, então, recorrer aos serviços de dois justiceiros itinerantes. Eis que surge a dupla que, em perfeita sintonia, conduz todo o filme: Ed Harris e Viggo Mortensen, como Virgil e Everett, respectivamente. Enquanto o primeiro é dotado de um divertido cinismo e sagacidade invejável, o outro fala pouco e parece pensar muito, numa relação de cumplicidade quase suspeita que guarda alguma semelhança com as personagens principais do romance Grande Sertão Veredas, do autor mineiro Guimarães Rosa.

Nesse meio tempo, surge em Appaloosa uma misteriosa viúva (Renée Zellweger), que promete não só colocar a amizade da dupla em jogo, como provocar reviravoltas interessantes no decorrer do filme. Não demora muito para que ela se mostre um tanto, digamos, amável para com Virgil; e após o que se pode supôr como sendo uma noitada considerável, ambos planejam viver juntos. Como novo delegado, Virgil decreta e faz cumprir leis e não mede esforços para levar Randall à forca pelos assassinatos que cometeu.

Num filme de diálogos cortantes (e ótimos), o elenco vai um pouco além e faz bom uso do gestual. Não me surpreenderia a indicação de Harris, ou mesmo de Mortensen, ao Oscar em 2009.

Appaloosa repete a clássica e imutável fórmula dos faroestes, com tiroteios, moçoilas em belos vestidos e o embate entre a justiça e os desordeiros. Fórmula que nesse caso, entretanto, é um tantinho manipulada: há uma maior dosagem de humor e personagens talvez mais irreverentes. Existem lá suas contra-indicações, mas o resultado, pode-se dizer, é bastante eficaz.


Appaloosa (EUA, 2009). Faroeste. New Line CInema.
Direção: Ed Harris
Elenco: Ed Harris e Viggo Mortensen

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Aventura, Críticas