CRÍTICA: Arranca-me A Vida

Críticas
// 14/10/2009

Se você é um espectador que acredita que o melhor que pode vir do México são tacos, novelas e programas como el Chavo, Arranca-me a Vida certamente vai surpreendê-lo uma vez mais. O longa, roteirizado e dirigido por Roberto Sneider, baseado no romance homônimo de Angeles Mastretta, é uma ótima oportunidade de mergulhar sem preconceitos no cinema produzido no país das tequilas e de Thalía. O filme estreia nesta sexta-feira, dia 16 de outubro. Leia a crítica clicando em “Ver Completo”.

Arranca-me a Vida
por Cássia Ferreira

Na década de 1930, o México passava por um momento crítico nas suas questões políticas e iniciava o seu desenvolvimento econômico e industrial. É neste contexto ainda machista, que é contada a história de Catalina Guzmán, uma jovem mulher em busca da liberdade e que se envolve emocionalmente com Andrés Ascencio (Daniel Giménez Cacho), simpático, poderoso e sedutor coronel do exército.  No entanto, o que seduz a jovem Catalina também é o que a prende, e ela se vê subjugada em um casamento infeliz; até conhecer o jovem maestro Carlos Vives (José María de Tavira) que apresenta um mundo diferente e mais amplo.

Durante o filme, acompanhamos o amadurecimento de Catalina, interpretada por Ana Claudia Talancón que consegue dar o ar certo de desenvolvimento de uma jovem até uma mulher que aprende a se colocar. Ana Cláudia integrou o elenco de O Crime do Padre Amaro, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2002 e também fez parte do elenco da adaptação do livro de Gabriel García Marquez, Amor nos Tempos do Cólera (2007).  Cacho, premiado ator espanhol que tem parcerias com Guillermo Del Toro e Pedro Almodóvar, consegue acertar no tom dado a Ascencio que é militar, político e se porta como tal, considerando a época em que se passa a história. Tavira (que dentre outras cosias estrelou Traição e Vitória, de Herold Pint) também incorpora com naturalidade o jovem maestro Vives com toda sua passionalidade e idealismo, sem ser piegas.

Sneider é diretor de Dos Crímenes, longa de 1995 que foi bastante premiado, tem ampla experiência na direção de comerciais e contou com a colaboração da autora Angeles Mastretta na produção do roteiro. Talvez tenha sido esse auxílio que impediu que o longa se tornasse um melodrama fraco, cujo título e até o material gráfico remetem a um romance mexicano mais clichê que tudo. A trilha sonora também merece uma atenção especial do espectador.

Arranca-me a Vida é uma ótima oportunidade de se começar a apreciar o cinema produzido no México. É também uma chance de desmistificar preconceitos e, sobretudo, aproveitar um bom filme, uma narrativa bem amarrada, uma história bem construída. Bons atores, figurinos interessantes e nenhuma sombra do México comumente apresentado, sem deixar de fora a passionalidade latente na cultura latina. Uuma linda história de como uma menina vira uma mulher, se coloca no mundo e toma rédea da sua própria vida.

nota-8

Arráncame la Vida (México, 2008). Drama. 20th Century Fox
Direção: Roberto Sneider
Elenco: Ana Claudia Talancón, Daniel Giménez Cacho, Joaquín Cosio

Comentários via Facebook
Categorias
Críticas, Drama