CRÍTICA | As Tartarugas Ninja

Ação
// 13/08/2014

O segundo grupo de mutantes mais popular da cultura pop está de volta repaginado – e anabolizado – em um reboot com sabor de anticlímax que segue a cartilha do produtor Michael Bay: muita ação para pouca história.

As Tartarugas Ninja
Por Gabriel Costa

Em um dos primeiros anúncios da nova encarnação d’As Tartarugas Ninja no cinema, foi dito que desta vez répteis adolescentes não seriam mutantes, e sim alienígenas. Não foi para tanto, mas, ainda que as mudanças na versão final não sejam tão radicais, certamente são relevantes – e desconexas – o suficiente para no mínimo irritar quem já os acompanhou, seja no clássico desenho da TV, seja na inconstante trilogia original. E são essas alterações, somadas ao humor ininterrupto, mas pouco eficaz – apenas três ou quatro das dezenas de piadas do filme têm realmente graça –, que tiram boa parte do brilho do reboot dirigido por Jonathan Liebesman (de Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles).

O longa começa do ponto de vistada repórter do Canal 6 AprilO’Neill, interpretada por uma Megan Fox que, embora não comprometa, obviamente tem pouco a ver com o papel.April está na cola dos crimes da organização Clã do Pé, um grupo misterioso que vem provocando o caos em Nova York, mas, ainda pouco experiente como profissional, é obrigada a cobrir histórias insignificantes e só ir atrás da trama que realmente a interessa em seu tempo livre. E é durante uma dessas incursões noturnas que a jornalista se depara com um misterioso grupo de vigilantes em ação. A investigação de April revelará que suas ligações com as criaturas são mais fortes do que parecem, e os colocará em curso de colisão com o implacável líder criminoso conhecido como Destruidor (Tohoru Masamune).

Se o novo visual das Tartarugas, muito maior e mais carregado, pode causar estranhamento, como foi possível conferir já nos trailers, o carisma delas é tamanho que a questão logo é superada. Independentemente da aparência, aqui temos os personagens clássicos, o líder Leonardo (Pete Ploszek, com a voz de Johnny Knoxville); o segundo-em-comando rabugento, mas extremamente competente Rafael (Alan Ritchson); o gênio Donatello (Jeremy Howard) e o querido bonachão Michelangelo (Noel Fisher), naturalmente sob as ordens nem sempre seguidas à risca, claro – do mestre-rato Splinter (Danny Woodburn, com a voz de Tony Shalhoub, da extinta série de TV Monk).

A representação dos mutantes, bem como da armadura absurdamente ameaçadora do Destruidor, é impecável, o que se prova fundamental para o bom funcionamento da maior e melhor sequência de ação do filme, na qual os heróis descem vertiginosamente uma montanha coberta de neve enquanto combatem soldados do Pé e protegem April e seu câmeraVernon Fenwick (Will Arnett). Arnett, aliás, embora simpático em sua atuação, é responsável por vários dos momentos cômicos fracassados citados anteriormente, numa função que muito provavelmente seria melhor aproveitada em uma maior participação de Whoopi Goldberg como a chefe de April, Bernadette.

Ao final do pouco mais de uma hora e meia de exibição, Liebesman brinda o público com uma conclusão que pode ser definida pela mesma palavra que a maioria das piadas e até mesmo a própria trama do longa: insatisfatória. Em tempos de franquias cada vez mais expansivas e universos cinematográficos compartilhados, é impossível não sentir falta de elementos clássicos da, por assim dizer, mitologia das Tartarugas Ninja, como os mutantes do mal Bebop e Rocksteady, o justiceiro mascarado Casey Jones (alguém chame o Channing Tatum para o papel, por favor) e o vilão interdimensional Krang. A boa notícia é que aparentemente esses personagensestavam guardados para a inevitável sequência, já anunciada após a estreia de sucesso do filme no mercado internacional. Resta esperar, portanto que da próxima vez os répteis mutantes adolescentes ninjas venham com tudo.

Teenage Mutant Ninja Turtles (EUA, 2014) Ação. Paramount Pictures.
Direção: Jonathan Liebesman
Elenco: Megan Fox, Will Arnett, Johnny Knoxville, William Fichtner, Tony Shalhoub, Whoopi Goldberg

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Ação, Críticas