CRÍTICA: Assalto ao Banco Central

Ação
// 22/07/2011

Assalto ao Banco Central é, apenas, aquele exemplo de quando o cinema nacional tenta imitar o padrão norte-americano e falha por justamente só acertar a cópia dos quesitos mais problemáticos.

Simplesmente, leia a crítica em “Ver Completo”.

Assalto ao Banco Central
por Gabriel Giraud

O tema de um assalto a banco é, no imaginário do espectador comum, uma epopeia, pura ação e adrenalina e com toques de suspense. Assalto ao Banco Central não é esse tipo de filme. Sua chegada aos cinemas como uma grande produção nacional, detentor de um elenco famoso (que conta com Milhem Cortaz, Eriberto Leão, Giulia Gam, Lima Duarte e participações de Antonio Abujamra e Milton Gonçalves), parece vender o contrário.

A sede de ser o grande-cinema-americano-da-última-semana  forçou a produção do filme a ser, no mínimo, infantil. A começar pelo fim, que é justamente a divulgação. A escolha do título não poderia ter sido menos criativa e como um filme de ação, temos uma interessante colcha de retalhos tipicamente brasileira. E, se o problema era a falta de identidade, poderíamos considerar os filmes multigênero como uma bela cara da típica miscigenação da nação verde-loura. Há a comédia escatológica, a violência hiper-realista, o sexo selvagem… pensando bem, essas coisas vendem. Mas, pensando melhor… taí, o cinema precisa se vender a cada novo filme lançado. A nação verde-loura ainda escorrega na armadilha da busca de uma originalidade que acaba por cair no lugar-comum.

Comum ao mesmo lugar está o seguimento cego de uma cartilha de construção de personagens monocromáticos. A cena que mostra o chefe da quadrilha (o Barão, vivido por Milhem Cortaz) pensativo, sentado à uma mesa, jogando xadrez sozinho chega a ser risível. “Aqui é para mostrar que o Barão é um cara muito inteligente”, disse a boquinha flutuante do roteirista ao meu lado.

No entanto, por ser baseado em uma história que realmente aconteceu, há a difícil empreitada de transformar uma notícia, fria e dura, com dados e registros impessoais, em uma narrativa cinematográfica, com personagens psicologicamente bem-elaborados e com elementos que sejam, como se diz, “cinematográficos” ou “dramáticos”. E temos, nesse caso, uma história que venderia por si só. Mas, na última cena, eis que a boquinha flutuante do roteirista aparece e manda essa: “pô, acho que ia ser legal fazer esse fim pro Barão, ia ser muito cinematográfico”. Além de inapropriada por estar falando no meio da sessão, boquinhas explicativas são a prova de que o filme não soube fazer o que ele deveria ter feito usando seus mil elementos constituintes: contar uma história e seduzir o espectador. A trilha sonora é uma bocarra autoexplicativa, melhor nem comentar.

De qualquer modo, é um filme que diverte todos aqueles que cresceram e internalizaram um tipo de humor tipicamente brasileiro. As piadas e o tipo de atuação agradarão ao público médio, o mesmo que se ilude achando que existe amor para a vida toda, que cresceu iludido pela cultura pop etcétera, etcétera. Só que agora num formato de montagem criativa advindo de filmes B estrangeiros. Mais um ótimo elemento para a colcha de retalhos verde-loura.

 

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Assalto ao Banco Central (Brasil, 2011). Policial. Fox.
Direção: Marcos Paulo
Elenco: Lima Duarte, Eriberto Leão, Giulia Gam

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