CRÍTICA: Atividade Paranormal 3

Críticas
// 27/10/2011

Sim, atrasamos bastante. Mas antes tarde do que nunca.

A controversa série de horror em estilo falso documentário chega ao terceiro filme com as já habituais características das franquias que começam com baixo orçamento e consquistam grande popularidade: Sequências mais ambiciosas, mas acompanhadas da perda de um certo charme presente na sutileza original.

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Atividade Paranormal 3
Por Gabriel Costa

A analogia é quase inevitável: Assim como aconteceu com Jogos Mortais, a franquia Atividade Paranormal teve início no meio independente e foi rapidamente absorvida pela indústria, criando assim fôlego financeiro e comercial para a rápida produção de sequências. Porém, enquanto a saga do assassino Jigsaw já chegou ao sétimo (!) capítulo, a história das irmãs atormentadas por uma misteriosa entidade sobrenatural tem em Atividade Paranormal 3 um prelúdio à história dos dois filmes anteriores, que por sua vez acontecem de forma mais ou menos simultânea no contexto da história.

De forma geral, os diretores Henry Joost e Ariel Schulman – que assumem após Tod Williams comandar o segundo filme e o criador Oren Peli dirigir o primeiro – não fogem dos princípios básicos da série: A trama é mostrada por meio de diversas câmeras posicionadas por toda a casa de Julie, mãe das meninas Katie e Kristi, e seu namorado, Dennis. Kristi, que, adulta, é a protagonista da primeira sequência, aqui é uma cativante garotinha que costuma conversar com um amigo imaginário chamado Toby. Dennis, por sua vez, tem um negócio de filmagem de casamentos, e, quando percebe os acontecimentos estranhos pela casa, decide posicionar alguns de seus instrumentos de trabalho para tirar a prova do que possa estar acontecendo.

As atuações dos protagonistas adultos, assim como no primeiro filme, se não chegam a se destacar, cumprem a contento suas funções no avanço da trama. Dennis e Julie, interpretados por Christopher Nicholas Smith e Lauren Bittner, respectivamente, podem ser menos carismáticos que Katie e Micah, do original, mas conseguem criar empatia junto ao público. As duas meninas, por sua vez – Chloe Csengery como Katie e Jessica Tyler Brown como Kristi – convencem de forma admirável como crianças expostas a algo assustador e além de sua compreensão.

Atividade Paranormal 3 vai bem mais longe do que seus antecessores em termos de ação e do quanto de fato mostra ao espectador. Se o primeiro filme da série abusava da paciência do público para criar um clima de tensão sutil e verossímil, o terceiro não hesita em apelar até mesmo para os “falsos sustos” comuns em séries como Sexta Feira 13 e Pânico para manter a adrenalina em alta. Naturalmente, isso significa que não há economia em momentos de terror para valer, mesmo que, pela própria natureza de uma produção alvo de maior orçamento e atenção por parte da indústria, essas situações assumam proporções menos críveis.

E é aí que está o grande divisor de águas da obra: Quem gostou dos anteriores pelo low profile que a ameaça mantém ao longo da maior parte do tempo pode torcer o nariz para as manifestações “exageradas” da conclusão da trilogia, que inclusive conta com efeitos nem sempre tão convincentes. Por outro lado, o caráter explícito deve agradar àqueles que acharam os dois outros filmes monótonos demais. O que leva a outra característica ambígua da produção. Uma vez que se passa em 1988 e trata basicamente do início da história de Katie e Kristi, Atividade Paranormal 3 se sustenta perfeitamente como obra individual. Os fãs da série, contudo, podem ficar irritados com algumas inconsistências em relação ao que é relatado pelas versões adultas das duas irmãs nas demais partes da trilogia.

Independentemente de relações pré-existentes do público com a franquia, é inequívoco que o filme obtém êxito em criar uma atmosfera assustadora respeitável no gênero, especialmente nos momentos finais. Atividade Paranormal 3 fecha, portanto, de forma adequada a trajetória de uma memorável saga de horror. Pelo menos até que comecem as prováveis novas e desnecessárias sequências.

 

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Atividade Paranormal 3 (EUA, 2011) Suspense. Terror. Paramount Pictures
Direção: Henry Joost e Ariel Schulman
Elenco: Chloe Csengery, Jessica Tyler Brown, Christopher Nicholas Smith, Lauren Bittner

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Críticas, Terror