CRÍTICA | Atividade Paranormal 4

Críticas
// 18/10/2012

Uma das responsáveis pela revitalização do estilo falso documentário, a série Atividade Paranormal chega ao quarto capítulo em apenas cinco anos. Depois da prequel que foi o terceiro filme, Atividade Paranormal 4 retoma a história de onde havia parado, e em boa parte obtém sucesso em amarrá-la de forma consistente – ao menos para os padrões do gênero. No entanto, a tensão inconstante e a pequena quantidade de sustos “de verdade” podem desapontar quem gosta de ficar na beira da poltrona ao assistir uma obra do tipo.

Atividade Paranormal 4
Por Gabriel Costa

Desde o primeiro filme, escrito e dirigido por Oren Peli e lançado de forma independente em 2007, Atividade Paranormal nunca foi uma unanimidade. Polarizada entre os defensores que exaltam a construção gradual do clima de tensão e ameaça e os detratores que vêem muita atmosfera para pouco conteúdo e ação, a série chega agora ao que, pelo bem da sua própria credibilidade, deve ser a conclusão da história de Katie (Katie Featherston, protagonista do original) e seu sobrinho Hunter, que era apenas um bebê no segundo filme e aqui aparece mais crescido.

Dessa vez, a responsável pelo registro da maior parte dos acontecimentos é a jovem Alex (Kathryn Newton), uma típica adolescente americana que mora com os pais Doug (Stephen Dunham) e Holly (Alexondra Lee) e o irmão mais novo Wyatt (Aiden Lovekamp). Doug e Holly atravessam uma crise no casamento, e Alex passa boa parte do tempo conversando com seu amigo/namorado Ben (Matt Shively). A dinâmica da casa é alterada quando a família passa a cuidar por tempo indeterminado de Robbie (Brady Allen), filho de uma vizinha que foi internada por motivos misteriosos. Robbie é um menino introspectivo, que age de maneira curiosamente adulta e é dado a comportamentos estranhos. Obviamente, as “brincadeiras” do rapazinho não são a única coisa estranha que ele traz consigo para o lar de Alex.

Após alguns acontecimentos peculiares, a jovem, com a ajuda de Ben, programa os diversos laptops dos membros da família, dispostos em vários cômodos da casa, para filmarem ininterruptamente tudo o que acontece diante deles. E a partir daí estamos em território familiar para quem já viu algum filme da série: a ação é alternada entre os dias comuns – e alguns nem tanto – dos personagens e os períodos noturnos, durante os quais as manifestações sobrenaturais são mais intensas. De acordo com a tradição da franquia, os diretores Henry Joost e Ariel Schulman (os mesmos da sequência anterior) brincam com a expectativa do público – e às vezes com a paciência também –, que nunca sabe ao certo quando algo fora do normal vai de fato acontecer. Destaque para a sala de estar da família, onde a presença de um acessório da captação de movimentos para videogame em conjunto com o recurso de visão noturna da câmera localizada no cômodo cria um engenhoso efeito, que infelizmente acaba sendo pouco explorado.

As ocorrências sobrenaturais presentes no longa têm seus bons momentos, mas não chegam a causar tensão comparável à provocada pelo demônio do primeiro filme, por exemplo. Acontece que o quarto episódio, até pela proposta de amarrar as tramas dos anteriores, retoma elementos de toda a série, mas parece hesitar em levá-los ao extremo, de forma que, com poucas exceções, a sensação é de estarmos testemunhando versões light de cenas dos outros filmes. Em outros momentos, a dupla de diretores peca ao parecer se preocupar mais em apresentar todas as situações supostamente assustadoras em que os roteiristas (Chad Feehan e Christopher Landon) pensaram do que em dar continuidade à história, assim como aconteceu com alguns dos capítulos de outras recentes franquias de sucesso no gênero, como Premonição e Jogos Mortais.

As atuações, como nos anteriores são bastante naturais, independentemente da maioria de nomes desconhecidos. Destacam-se a própria protagonista, pela desenvoltura, seu par Shively pela boa performance como um adolescente folgado mas de boa índole e, principalmente, o pequeno Brady Allen, que consegue ser tanto assustador quanto hilário como o peculiar Robbie. Com uma produção significativa e orçamento evidentemente muito superior ao do original, a obra também utiliza mais efeitos especiais e cria situações mais elaboradas do que as apresentadas anteriormente.

Os mais cínicos podem afirmar – e não totalmente sem razão – que a exploração frenética da franquia prejudicou o desenvolvimento adequado da história. Mas, partindo do princípio que o primeiro filme foi pensado como uma obra fechada em si mesma e até teve o final original alterado para possibilitar continuações, ficamos com as opções de pensar nas sequências ou como pura picaretagem ou como uma espécie de bônus para os fãs. E estes, mesmo com o risco da decepção, não vão querer perder a (aparente) conclusão da série.

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Paranormal Activity 4 (EUA, 2012) Terror. Room 101
Direção: Henry Joost, Ariel Schulman
Elenco: Katie Featherston, Kathryn Newton, Matt Shively, Brady Allen

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Críticas, Terror