CRÍTICA: Atividade Paranormal

Críticas
// 03/12/2009

Ultimamente, uma ferramente muito útil pra saber se um determinado filme está causando frisson é dar uma olhadinha nos Trending Topics do Twitter (para os que não usam o sistema ou nunca notaram, é uma lista em ordem decrescente com os dez termos mais repetidos em toda a esfera do Twitter, o que significa que tem muita gente falando disto – mesmo). Paranormal Activity permaneceu na lista por mais de uma semana – um feito grandioso para uma produção independente com pouco ou nenhum marketing global. Mas isso significa que é bom? Atividade Paranormal foi chamado pela crítica americana de aterrorizante, o mais amedrontador dos últimos tempos. Será mesmo? Leia a crítica a seguir e descubra se o medo vale a pena.

Atividade Paranormal
Por Breno Ribeiro

Em 1990, foi lançado A Bruxa de Blair. O longa filmado sempre com uma câmera à mão para dar um tom mais documental e realista à obra foi um sucesso dentre os jovens da época, justamente por resgatar um tom de realidade que inevitavelmente falta às câmeras usuais. Já no ano passado, estreava o filme Cloverfield, que, empregando a mesma ‘técnica’ de A Bruxa de Blair, também causou alvoroço por utilizar uma câmera filmadora convencional (dessas que se compra em lojas) para um filme de ficção científica transformando algo ficcional desde o rótulo em um ‘recorte’ de realidade. Voltando antes no tempo, em 1973, entrava em cartaz o apavorante (pelo menos na época) O Exorcista, que contava a história –dita baseada em fatos reais- de uma menina possuída pelo demônio. Assim, o furor causado pela estréia estadunidense do filme Atividade Paranormal, do estreante Oren Peli, se dá pelo simples fato de ele se utilizar da bem recebida técnica dos dois primeiros para contar uma história que nada mais é do que uma quase cópia do terceiro.

Como já foi dito, o longa se apropria de uma história que lembra em muito os moldes (sim, isso foi um eufemismo) de O Exorcista – uma menina (neste caso, uma mulher adulta e morando com um parceiro) que se encontra às voltas com o aparecimento de experiências sobrenaturais que, mais cedo ou mais tarde, podem causar sua possessão.

A diferença principal, contudo, consiste no fato de o longa de Peli basear grande parte de seu roteiro em testar estabelecer uma atmosfera de realidade. Os personagens, por exemplo, possuem o mesmo de seus intérpretes. Foram escolhidos, ainda, atores desconhecidos do grande público, o filme é dedicado a seus protagonistas e a trilha sonora inexiste. Tudo isso em conjunto com a rotina do casal, estabelecida em excesso durante o primeiro ato do filme, ajudam a quebrar a barreira entre o ficcional e o real.

Há, entretanto, um arrastamento da ação do filme. Quase até a sua metade nada de muito relevante acontece. A história não se movimenta, muito menos há uma trama claramente estabelecida (trama esta que só é óbvia devido à sua divulgação e ao seu título). Desta forma, o que poderia ter se tornado em um terror muito mais paupável, se torna uma experiência incrivelmente enfadonha. Com exceção do início e o fim do longa, o resto é um exuberante exercício de paciência e luta contra o sono.

Não existem dúvidas, porém, quanto a natureza extremamente assustadora de Atividade Paranormal. Ao fim, quando a narrativa entra nos trilhos, graças ao toque realístico já citado, o temor dos personagens é altamente paupável podendo, portanto, ser sentido também pelo espectador. Assim sendo, o longa funciona satisfatoriamente em seu final sem, todavia, conseguir apagar os burrões que deixara pelo caminho.

nota-5
Paranormal Activity (EUA, 2007). Suspense. Terror. PlayArte.
Direção: Oren Peli.
Elenco: Katie Featherston, Micah Sloat.

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