CRÍTICA: Austrália

Críticas
// 25/01/2009

Chegou aos cinemas do país na última sexta-feira, o novo e esperado filme do aclamado diretor Baz Luhrmann, Austrália. Mas será que a espera e a ansiedade de alguns valeu a pena? Confira a crítica, clicando no link abaixo.

Austrália
por Breno Ribeiro – crítico e colunista

Ao longo de sua modesta carreira, Baz Luhrmann acabou sendo reconhecido por suas reinvenções. Aconteceu quando o diretor inovou ao trazer Montéquios e Capuletos como gangues rivais em uma Los Angeles moderna, em Romeu + Julieta e quando, no auge de sua criatividade, Luhrmann trouxe às telas o aclamado, psicodélico e inspirado Moulin Rouge, um musical inspirado na boêmia francesa de fins século XIX. Ainda que não possa ser chamada de recriação, o novo longa do diretor, Austrália, soa como uma homenagem a um gênero que, décadas atrás, era adorado: os romances épicos. Mas a impressão final, entretanto, não condiz com a realidade do filme.

Em seu novo projeto, Luhzmann nos apresenta a Sarah Ashley, uma aristocrata inglesa, que viaja para o nordeste da Austrália para convencer seu marido a vender sua fazenda. Ao descobrir que seu marido fora assassinado por um aborígene, a aristocrata decide, com a ajuda do Capataz (sim, ele não tem nome estabelecido), guiar 1.500 cabeças de gado pelo outback australiano, ao passo que indícios da chegada da Segunda Guerra Mundial no país-título começam a aparecer.

Talvez o maior erro do roteiro seja exatamente não conseguir estabelecer nunca um gênero único. Assim, somos jogados em narrativas que, mais para frente, não farão a menor diferença: como a da viagem guiando o gado mesmo. O longa passeia entre o faroeste, o épico, o romance e o drama de guerra ao mesmo tempo esquecendo ou abandonando tramas a bel-prazer. Não bastasse isso, algumas temáticas do longa são absurdamente desnecessárias, uma vez que, por exemplo, nunca se torna claro se os poderes “especiais” de Nullah e de Rei George (eta, figura bizarra) são reais ou apenas um jogo de coincidências (e se a resposta por a segunda opção, prefiro ficar sem saber mesmo).

Enquanto o maior erro do projeto começa em sua roteirização, o maior acerto recai em suas produção e pós-produção. Marca registrada de Luhzmann, as cores fortes e intensas nas paisagens e planos que reiteram isso estão lá a quase todo momento (certos closes em Nicole Kidman teriam me remetido a Moulin Rouge, se a atriz estivesse ruiva). As câmeras que se afastam para mostrar toda a cidade através de uma visão superior (intensamente usadas nos longas anteriores do diretor) estão presentes em grande parte das cenas envolvendo a cidade portuária de Darwin. Já a fotografia do filme também é muito boa e consegue acompanhar (muito embora os próprios atores não consigam, mas não os culpo) as mudanças de gênero do longa muito bem.

Soando como uma espécie de …E O Vento Levou australiano, Austrália apareceria mais interessante (embora ainda inferior aos outros filmes de Luhrmann) se acabasse na metade de sua história, quando as trocas de gênero começam excrachadamente. Se fossem feitos dois longas ao invés de um – um para cada uma das duas grandes partes do projeto -, Austrália seria não só melhor, como também menos estafante. Suas longas duas horas e quarenta minutos de projeção cansam não apenas pelo ritmo arrastado, mas também pela sensação de que a história não merece todo esse tempo de nossas vidas. Logo, ainda que mantenha aspectos estéticos belos e normais para os padrões Luhrmann, o filme não convence ao final.

Australia (EUA, Austrália, 2009). Romance. Drama. 20th Century Fox
Direção: Baz Luhrmann
Elenco: Nicole Kidman e Hugh Jackman

Comentários via Facebook
Categorias
Críticas