CRÍTICA: Bastardos Inglórios

Ação
// 06/10/2009

Na próxima sexta-feira chega em circuito nacional o filme mais comentado e aguardado de Quentin Tarantino. Apesar da ausência do diretor no Festival do Rio 2009, o filme tem causado furor e levantado bons comentários e ótimas impressões. O Pipoca Combo hoje tráz não uma, mas duas críticas de Bastardos Inglórios. A primeira você confere na sequência, clicando em “Ver Completo”. A segunda, que já está no ar na nossa página do Festival do Rio desde o início da tarde, você encontra clicando aqui!

Bastardos Inglórios
por Cássia Ferreira

“Você sente repulsa pelos ratos, mas eles não te fizeram nada. Você pode dizer que eles nos deram a peste bubônica, mas isso foi há muito tempo. Você sente repulsa por eles, e não sabe porquê. De uma maneira geral, eles são inofensivos.” A frase – transcrita aqui de forma não literal – é do coronel alemão Hans Landa (Christoph Waltz) tentando explicar o porquê da perseguição alemã aos judeus, durante a Segunda Guerra Mundial. Ela é dita no início do filme Bastardos Inglórios, novo longa de Quentin Tarantino, que tem premiere nacional no dia 9 de outubro e arrecadou em seu primeiro dia de exibição nos EUA em torno de U$$ 14 milhões, tornando-se a melhor estreia da carreira do diretor.

Tendo a França ocupada pelos nazistas como cenário, conta a história de Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent), que testemunha a execução da sua família pelas mãos do coronel nazista Hans Landa. Shosanna consegue escapar e foge para Paris, onde muda de nome e assume a identidade de uma dona de um pequeno cinema. Tarantino, que roteiriza e dirige o longa, designou Brad Pitt para viver o tenente Aldo Raine, líder de um grupo de soldados judeus americanos (com reforço de dois alemães), encarregado de promover a vingança, caçar, executar e escalpelar nazistas. Por essa razão, o grupo recebe a alcunha de “Bastardos”.

O enredo é marcado pela fragmentação das histórias e muitas cenas de violência e sangue, que beirariam ao grotesco se não fosse obra de Tarantino. O longa tem um ar meio western e é carregado de ironias. Algumas tomadas lembram cenas dos filmes de suspense de Alfred Hitchcock e é quase uma ode ao cinema de uma forma geral. Até porque, importantes acontecimentos ocorrerão na sala de exibição e uma personagem chave da história é vivida por uma atriz Bridget Von Hammermark (Diane Krueger).

O roteiro é uma mostra de onde a imaginação do diretor de Pulp Fiction pode chegar. Ele conduz a história de maneira a fazer como se o holocausto pudesse acontecer às avessas, como se alemães estivessem em apuros. Talvez, a história seja uma maneira de dizer que no cinema se pode tudo, como reverter o curso da história e lhe dar uma outra direção. Levar uma vida sem limites e lançar mão da artimanha e crueldade dos nossos inimigos. Tudo isso repleto de muita ironia e subversão.

O elenco afinado não tem dificuldades para contar uma história muito bem conduzida pelas mãos de Tarantino, que parece ficar cada vez mais expert em contar tramas cheias de reviravoltas. Uma atenção especial para Pitt, que consegue dar um tom engraçado ao cruel tenente Aldo, o Apache, natural do estado do Tennessee. O sotaque e a falta de postura marcam bem a origem caipira. Chritoph Waltz também cria um coronel Landa sem afetações e nos faz crer como seria um “Caçador de Judeus”. O filme conta ainda com a participação de Mike Mayers e é narrado por ninguém mais, ninguém menos do que Samuel L. Jackson (que tinha de se fazer presente no filme de alguma maneira, se não, não seria uma história de Tarantino).

Como um bom exemplar do cinema norte-americano, Bastardos Inglórios não deixa de ser uma reverência à nação americana e aos seus bons soldados. Uma mostra de que só eles poderiam salvar o mundo, de uma maneira não tão politicamente correta assim. Oferece um final justo e digno aos alemães se vivêssemos em um mundo onde operasse a lei do “olho por olho, dente por dente”.

Bastardos Inglórios é para se assistir sem nenhuma natureza de preconceitos – se é que isso é possível. Se o espectador conseguir chegar com a mente liberta das ideias preconcebidas e pensamentos sobre o diretor, certamente, vai se divertir bastante. Tarantino consegue nos oferecer uma história que poderia ser deliciosa e extasiante se não tivéssemos toda aquele peso da ética, da moralidade e a Declaração Universal dos Direitos Humanos vigorando sobre as nossas cabeças e dizendo que devemos ser bons, justos e honestos diante dos nossos inimigos que nos consideram ratos e querem nos queimar em fornos e ainda achar que estão com a razão; embora nem saibam porque querem fazer isso.

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Inglorious Basterds (Eua, 2009). Guerra. Paramount Pictures.
Direção: Quentin Tarantino
Elenco: Brad Pitt, Diane Kruger, Mike Myers

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