CRÍTICA | Besouro

Ação
// 12/11/2009
besouro

Para dominar um povo, mais do que ter armas, precisamos subjugar sua cultura. Foi assim com os indígenas, quando da chegada dos portugueses. Foi assim com os negros, quando foram sequestrados e trazidos para o Brasil. Mas eles resistiram e, quase 40 anos depois da abolição da escravidão, lutavam para manter vivas suas referências. No filme Besouro, que estreou no Brasil dia em outubro, a capoeira e a história de Manoel Henrique Pereira são uma mostra dessa forma de resistência. Desde o lançamento, mais de 240 expectadores já assistiram ao longa, o que coloca a saga dos capoeiristas como o filme nacional como uma das melhores bilheterias do ano.

Em um Brasil pós-escravista, a população negra ainda vivia em condições precárias. O mestre Alípio (Macalé) realiza, de maneira simples, um trabalho de conscientização da população. Por essa razão, ele desperta o ódio do Coronel Venâncio (Flávio Rocha). Cabe a seu mais fiel discípulo, Besouro (Ailton Carmo), que tem em sua natureza o gene da revolta capaz de promover a revolução, a função de protegê-lo. Mas Besouro falha, mestre Alípio morre e cabe a ele a função de continuar o trabalho do mestre. Sua parceira na resistência será Dinorá (Jéssica Barbosa). A direção é de João Daniel Tikhamiroff, estreante em longas, mas com uma carreira de sucesso na condução de comerciais.

Com um elenco formado em sua maioria por negros, o filme trata da resistência e do início da luta de uma parcela da população que tem seu histórico marcado por repressão e violência. É também uma oportunidade de conhecer um pouco da cultura afrobrasileira de forma didática e sem preconceitos. Ao longo do filme, por exemplo, os orixás e suas características e sua forma de culto são apresentados.

Destaques positivos para a fotografia e também para as cenas de ação recheadas de capoeira, esporte que é meio luta e meio dança. Nessas sequências, entendemos porque Besouro recebeu a alcunha (“é negro, tem o casco duro, e voa”) e podemos lembrar, mesmo que lá no fundo, das famosas cenas de luta que elevaram Matrix ao topo dos filmes indispensáveis na videografia de qualquer pessoa curiosa por cinema.

Ambientado na Bahia dos anos 1920, Besouro apresenta a natureza humana vaidosa que ama, que se confunde, que sente raiva e falha.

Iniciada em 1920, a resistência daqueles negros vem alcançando resultados. De acordo com a história, já em 1930 a capoeira passou a ser “tolerada”. Na década de 1950, totalmente liberada. Mas só em 2008 foi reconhecida como patrimônio da cultura brasileira. No entanto, a luta dos negros continua.


Besouro (Brasil, 2009). Ação.
Direção: João Daniel Tikhomiroff
Elenco: Ailton Carmo, Jessica Barbosa, Sergio Laurentino, Anderson Grillo

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Ação, Críticas, Nacional