CRÍTICA | Bolt – O Supercão

Animações
// 06/01/2009
bolt

É desnecessário tentar explicar o fato mais que evidente que a nova animação da Disney não tem a pretensão de ser um fenômeno. O principal produto do estúdio, que já está em disputa com outros filmes por reconhecimento e prêmios, é Wall-E. O resto, literalmente, é lucro. Porém, isso faz de Bolt: Supercão um lançamento desprezível? Eu diria, sem medo de errar, que não.

Fora o já mencionado longa da parceria Disney/Pixar, este ano (digo, o ano de 2008) foi produtivo para animações beirando a comédia pastelão. Kung Fu Panda e Madagascar 2, grandes sucessos entre o público, abusaram de caras e bocas para arrancar algumas gargalhadas. A piada nem sempre dependia de uma boa tirada do texto ou de um roteiro bem elaborado, já que os personagens reviravam os olhos, batiam com a cabeça, faziam uma gracinha qualquer e deixavam explícita a mensagem: ria! O novo filme da Disney, protagonizado por um carismático cãozinho, representa um certo alívio nesse aspecto.

Bolt é um cachorro criado para pensar ser uma estrela dotada de super poderes, pronto para salvar sua dona, a garotinha Penny, dos planos malévolos do Dr. Calico. Os produtores da série que Bolt protagoniza se esforçam para que ele acredite mesmo ser capaz de realizar feitos fantásticos. Mas um dia, devido à junção de alguns fatores e enganos, o astro acaba se perdendo de sua dona e vai parar em Nova Iorque, do outro lado do país. Agora, com a ajuda nem tão voluntária da gata Mittens e do hilário hamster Rhino, Bolt precisa voltar para casa. A longa viagem até Los Angeles transforma-se, gradualmente, na busca de uma identidade verdadeira para o herói. Além disso, ele também aprende que, mesmo sem latidos avassaladores ou uma visão capaz de derreter metal, pode ser um super-herói e realizar feitos incríveis. As semelhanças do roteiro com a história de McQueen (Carros) ou de Buzz Lightyear (Toy Story) não deve ser considerada mera coincidência, haja vista a supervisão de John Lasseter, responsável pela direção das demais animações, ambas Pixar.

Bolt: Supercão é, de certa forma, um resgate de valores utilizados pelo estúdio para agradar às crianças. O resultado alcançado é um filme de uma grande inocência, que não apela para piadas ambíguas ou humor escrachado. O novo título da Disney apresenta enredo leve, de fácil assimilação para crianças e explora basicamente a aventura em detrimento da comédia. Para aqueles que já tiveram sua dose de risadas com animações mais divertidas, um pouco mais de sensibilidade vem bem a calhar.

Obviamente, Bolt está longe de ser uma das maiores realizações do estúdio e vem somente para entreter crianças durante as férias escolares de verão (pelo menos no hemisfério Sul do planeta). Mas, se você for ao cinema com a consciência de que será apresentado a uma história sem pretensões maiores, essa pode ser uma boa opção. O engraçado trio de pombas e o hamster fanático pelo ídolo canino garantirão uma boa hora e meia de diversão caso você seja de um coração duro o suficiente para não se sensibilizar com a amizade de Penny e Bolt.


Bolt (EUA, 2008). Animação. Disney/Pixar.
Direção: Chris Williams
Elenco: John Travolta e Miley Cirus

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