CRÍTICA: Bons Costumes

Comédia
// 21/10/2009

Nada melhor do que um modelo de filme nada rotineiro. Bons Costumes tem um formato fácil de ser assimilado: um roteiro sem tantos remendos e detalhes, elenco estelar e de gosto ao público e uma temática divertida. A eterna batalha colossal entre noras e sogras ganha espaço na deliciosa comédia de costumes que estreia nesta sexta-feira.

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Bons Costumes
por Arthur Melo

A segunda adaptação da comédia de costumes anteriormente levada aos cinemas por Alfred Hitchcock na década de 20 traz uma versão mais confortável da peça do dramaturgo Noel Coward. Comandando pelo diretor Stephen Elliot (Priscila – A Rainha do Deserto), que normalmente opta pelo estranho e obscuro, Easy Virtue deslumbra com a presença de Jessica Biel e as pinceladas da experiência de Colin Firth.

Em meio a uma viagem à França, o jovem aristocrata britânico John Witthaker (Ben Barnes) conhece a bela e divorciada Larita (Biel), primeira americana piloto de carros de corrida. Movidos pelo impulso, os dois se casam e se encaminham para a Inglaterra para que a moça enfim conheça a família do rapaz. A notícia do casamento cai como uma bomba para a mãe e as duas irmãs solteiras de John. Deste momento em diante, toda a trajetória do filme se resume na batalha vital entre Larita e as damas da família de John.

O primor do longa é manter sobre os personagens as causas dos acontecimentos e não se preocupar apenas com o que está ocorrendo na tela, mantendo a comédia de costumes sempre presente na história. Não há insinuações, cada membro da trama é bem posicionado e delineado. Larita é a protagonista e heroína que sofre nas mãos da arrogante Sra. Veronica (a impecável Kristin Scott Thomas), que com sua postura controladora busca uma imagem perfeita da família para a sociedade a ponto de anular a autoridade do marido e impor sua vontade sobre os filhos, principalmente John. Este se vê dividido entre o sustento do amor pela então esposa e o apego ao patrimônio, salientado pela educação aristocrata.

Jogando todos os obstáculos para cima de John, as passagens de Bons Costumes ainda colaboram com sua lamúria enquanto engrandecem a comicidade ao tratar de maneira impiedosa a personalidade de suas irmãs e ainda oferecer uma dolorosa opção ao jovem ao inserir a permanência de sua vizinha Sarah, a qual se encaixaria melhor no padrão pomposo de John.

Por mais que todo o trabalho investido na adaptação da peça agrade, nada supera o bom gosto da seleção do elenco. Bem Barnes conseguiu superar o mau tempo de As Crônicas de Nárnia – Príncipe Caspian e Jessica Biel finalmente teve o espaço necessário para esticar as pernas e mostrar o quão talentosa pode ser. Em outro extremo, a direção de Elliot pode não impressionar, mas surpreende. Procurando não retomar em nenhum momento a atmosfera inicial do filme, o diretor se distancia da abertura composta de jazz e ângulos interessantes, fugindo do gosto, para alguns, duvidoso. Na verdade, promove cores abundantes para diminuir a agressividade que se instala nos duelos de personalidade de Larita e Veronica.

Sensível em sua medida, espontâneo e talentoso por completo, Bons Costumes é um prazeroso jogo do melhor que há do sarcasmo entre britânicos e americanos, feito alegoricamente sob os impasses dos costumeiros desentendimentos de sogra e nora.

nota-9
Easy Virtye (Reino Unido, 2008). Comédia. Sony Pictures.
Direção: Stephen Elliot
Elenco: Jessica Biel, Colin Firth, Kristin Scott Thomas e Ben Barnes

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Comédia, Críticas