CRÍTICA: Burlesque

Críticas
// 11/02/2011

Estreou hoje no Brasil o tão falado musical estrelado por Christina Aguilera: Burlesque. Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Comédia ou Musical e abocanhando o prêmio na categoria de Melhor Canção Original, o filme pode não justificar a primeira indicação citada, mas se porta como um típico atrativo para o público que deslumbra com apresentações musicais – apenas.

Leia a crítica cedida por Ricardo Pinto clicando em Ver Completo.

Burlesque
por Ricardo Pinto – colaboração

Em 1972, com o sucesso de Cabaret, Bob Fosse revolucionou o rumo dos musicais apresentando uma versão dramática e caricata de uma decadente casa de shows numa Berlim pré guerra com sua coreografia ousada e uma Liza Minneli, de cinta liga, cantando aos berros que a vida era um eterno cabaré.

Em Flashdance, de 1983, Adrian Lyne adotou uma postura mais popular e moderna ao introduzir incríveis números musicais ao som de muita música dance (com uma fotografia repleta de filtros) numa época onde os musicais estavam se tornando um gênero raro nas telas americanas.

Em 2010, o ator-diretor Steve Antin mescla, escancaradamente, elementos destes dois filmes ícones, no afetadíssimo Burlesque (Burlesque, 2010) fazendo deste jeito um ato de veneração aos grandes musicais repletos de brilho e muito glamour.

A coreografia arrojada repleta de trejeitos provocantes e a presença de Cher e Christina Aguilera (duas divas da música pop americana) reforçam esta consideração e tornam bem visível a preferência do diretor em explorar uma categoria que ainda se conserva interessante graças ao apelo carismático de seu charme e esplendor.

O filme conta a eterna história de uma moça interiorana, honesta e ingênua que procura seu lugar ao sol ao largar tudo para trás e ir para Los Angeles tentar a vida de cantora, como uma espécie de Cinderela moderna. A trama é clichê do início ao fim e não traz nenhuma novidade deixando tudo extremamente raso e previsível, afinal, a realização dos sonhos em realidade sempre fez parte da cultura norte americana. A narrativa, radicalmente convencional, apresenta personagens compreensivos e agradáveis em situações repletas de fingimento, vaidade e muita presunção.

Sem o apoio de um roteiro mais consistente (escrito pelo próprio diretor) o filme não decola nem apresenta nada de novo ao gênero, com exceção dos frenéticos números musicais defendidos com muito ímpeto e dedicação pela cantora e atriz estreante Christina Aguilera.

Apesar de conter muitos excessos (há números musicais demais) Burlesque é tecnicamente bem feito, desfruta de um elenco carismático trajando belos figurinos, uma trilha sonora de apelo bem popular e canções aprazíveis conquistando, deste jeito, a boa vontade de um público que curte um entretenimento produzido com qualidade.

Na verdade, Burlesque não passa de um imenso videoclipe de excepcional interesse visual com gente bonita desfilando em trajes brilhantes e dançando e cantando maravilhosamente bem.

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Burlesque (EUA, 2010). Musical. Sony Pictures.
Direção: Steve Antin
Elenco: Cher, Christina Aguilera.
Trailer

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Críticas, Musicais