CRÍTICA: Capitão América – O Primeiro Vingador

Ação
// 28/07/2011

Ao driblar as armadilhas de um personagem de difícil assimilação fora de sua terra natal com um enredo sólido e espetaculares sequências de ação, Capitão América: O Primeiro Vingador surpreende como sério candidato ao posto de melhor filme do ainda jovem – porém já extenso – universo cinematográfico Marvel.

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Capitão América: O Primeiro Vingador
Por Gabriel Costa

Se há apenas três anos, quando a Marvel Studios lançou seu primeiro filme financiado independentemente, o aclamado Homem de Ferro, alguém lançasse a ideia de que uma adaptação do Capitão América poderia bater de frente com a aventura estrelada por Robert Downey Jr, a declaração provavelmente seria alvo de descrença. Afinal, Steve Rogers (interpretado aqui pelo ex-Tocha Humana Chris Evans), à primeira vista é uma figura pouco verossímil – mesmo em se tratando de super-heróis –, longe de apresentar a profundidade emocional de um playboy alcoólatra dividido entre a glória e a redenção. Contudo, a produção capitaneada por Joe Johnston escapa do narcisismo ufanista para o qual poderia apelar e conta a atemporal história de um garoto franzino que teimosamente sonha em ser um herói.

Com a vantagem da ausência de pressa na transição da origem do personagem para os tempos atuais – sabiamente “guardada” para o iminente filme dos Vingadores, que reunirá os personagens da editora – Johnston pôde se dar ao luxo de ambientar praticamente toda a obra na Segunda Guerra. O diretor – que não é estranho ao tema e ambientação, tendo dirigido Rocketeer, de 1990 – faz questão de apresentar minuciosamente ao público a frustração de Rogers em falhar repetidas vezes nas tentativas de alistamento militar devido à sua frágil condição física. O destino interfere quando o cientista alemão Abraham Erskine (Stanley Tucci), criador de uma fórmula para criar “supersoldados” que mudou de lado na guerra por não concordar com os ideais nazistas, vê potencial na determinação no jovem e o escolhe para ser alvo do experimento.

Embora o espectador mais impaciente possa sentir falta de mais ação ao longo das cenas iniciais, logo fica claro que o filme atinge um equilíbrio respeitável entre o constante elemento cômico, o desenvolvimento das relações entre os protagonistas e as engenhosas lutas e perseguições. Os dois primeiros itens ficam por conta das interações de Rogers com a agente Peggy Carter, em interpretação correta de Hayley Atwell; o coronel Chester Phillips, a cargo de um Tommy Lee Jones completamente “em casa” no papel de militar durão, porém sensato e carismático; e o parceiro James “Bucky” Barnes, que, nas mãos de Sebastian Stan, divide com Rogers uma curiosa inversão de papéis entre protetor e protegido.

Por fim, a tal espera pela adrenalina é mais do que recompensada por uma sensacional sequência nas ruas da Nova York da década de 1940; marcantes passagens de guerra e, claro, os confrontos do Capitão com seu nêmesis, o supernazista Johann Schmidt, ou Caveira Vermelha, interpretado pelo sempre competente Hugo Weaving. Curiosamente, em tempos de extremo cuidado com os elementos visuais das produções cinematográficas, um dos pontos fracos do filme acaba sendo a maquiagem pouco convincente de Weaving, que, guardadas as devidas proporções, não parece nem mesmo tão distante da aplicada no mesmo personagem na aberrante adaptação de 1990.

O Primeiro Vingador segue com alguma folga a tendência relativamente recente nos filmes de super-heróis de buscar transmitir algum realismo, nem que seja nos uniformes e equipamentos dos personagens. Após vestir por algum tempo – e de forma muito bem justificada – uma versão toscamente fiel ao traje do líder dos Vingadores nos quadrinhos, Rogers passa a usar algo muito mais próximo de um uniforme real do exército americano, sem perder as características básicas do herói. O filme, aliás, não nos deixa esquecer que o Capitão América é, antes de tudo, um soldado, e como tal não hesita em matar deliberadamente seus inimigos quando necessário. Destaca-se também a participação de Howard Stark (Dominic Cooper), pai do Homem de Ferro, no desenvolvimento dos poderes e equipamentos de Rogers. Já o uso de tecnologia 3D, como já é de praxe, não traz diferenças fundamentais ao filme como um todo, mas realça elementos das cenas de ação e combina especialmente bem com os lançamentos de escudo do herói.

Talvez por contar o início da trama que desembocará no encontro dos heróis Marvel, Capitão América: O Primeiro Vingador inclui com mais naturalidade os elementos comuns a todos os integrantes desse universo que os recentes Thor e Homem de Ferro 2, embora esteja longe de ser uma obra fechada em si mesma. Para quem apreciou as demais adaptações, funciona como um farto e saboroso lanche, mas que ainda faz crescer o apetite pelo prato principal.

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Captain America: The First Avenger (EUA, 2011) Ação/Aventura Paramount Pictures/Marvel Studios
Direção: Joe Johnston
Elenco: Chris Evans, Tommy Lee Jones, Hugo Weaving, Hayley Atwell

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Ação, Críticas, HQ's