CRÍTICA | Carrie, a Estranha

Críticas
// 29/12/2013

Um viva aos remakes mal fundamentados e caça-níqueis. Carrie, A Estranha é uma mera sombra do clássico de Brian de Palma e até mesmo dos mini-suspenses do SBT.

Leia a crítica em “Ver Completo”.

Carrie, a estranha
por Heitor Isoda

O problema de todo remake de um filme cultuado é que, quando anunciado, ele tende a gerar expectativas pessimistas e perguntas desacreditadas como “qual a necessidade de se fazer uma remake?” e “o que ele trará de novo e diferente?”. A diretora Kimberly Pierce (Meninos Não Choram) assina a nova adaptação do best seller homônimo de Stephen King – que já havia sido adaptado ao cinema em 1976 pelo cineasta Brian de Palma – a qual, infelizmente, não consegue dar respostas satisfatórias a essas questões.

Carrie é uma adolescente tímida (interpretada por Chloë Moretz, numa atuação igualmente tímida, com o perdão do trocadilho) e desconfortável com sua aparência física, que se sente deslocada nas aulas de educação física do colégio. Em casa, ela sofre com os castigos de sua mãe Margaret (Julianne Moore), uma mulher religiosa, instável e hiper controladora. Após sofrer um bullying de suas colegas de classe, Carrie passa a manifestar poderes telecinéticos toda vez que se descontrola emocionalmente.

A partir dessa premissa, a trama se desenvolve pautada numa sucessão de falhas. Há uma porção de cenas desnecessárias, como, por exemplo, quando os jovens se arrumam para ir à festa, ou até mesmo a cena de abertura do filme. Os personagens são planos em tal grau que é possível separá-los de forma esquemática (e obsoleta), entre malvados e bonzinhos. Os diálogos são fracos; praticamente todos entre Carrie e sua mãe servem de exemplo (é vergonhoso quando Carrie conta que seu poder de telecinese é hereditário). O filme utiliza vários clichês sonoros de filmes de terror barato (principalmente nos sustos esporádicos e gratuitos), mas sequer consegue se caracterizar como um deles.

A impressão de Carrie, A Estranha é a de que todas as fichas foram apostadas no público adolescente, aquele que provavelmente conhece menos a história e que pode se identificar mais com os personagens colegiais. Seguindo este raciocínio, não por acaso este filme reaparece nos cinemas justamente na atual era do bullying , mas não na tentativa de atualizar discussões sobre o tema, e sim de tentar tirar proveito disso. Essa temática em voga condiz com o abuso de clichês e a escolha de uma história já consagrada, componentes de uma fórmula fácil que não gera um bom produto.

Outro problema de remakes é que, uma vez realizados, eles são inevitavelmente comparados ao filme original. Carrie, A Estranha vive não só sob a sombra do filme de Brian de Palma, mas também de inúmeros outros filmes produzidos na última década (de outros gêneros inclusive). Toda a sequencia final, na festa e na rua, parece extraída de algum filme de ação e/ou de super-herói . Enquanto o filme de 1976 é marcado pelo impacto e pelos contrastes entre o antes e o depois da fatídica mudança da personagem principal, o novo longa é um filme achatado, perdido, sem construção de clima, sem terror.

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Carrie (EUA, 2013). Suspense. Terror. Universal Pictures
Direção: Kimberly Pierce
Elenco: Chloe Moretz, Julianne Moore

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Críticas, Thriller