CRÍTICA: Carros 2

Animações
// 22/06/2011

Havia quem fosse otimista. Havia quem fosse sensato. Carros 2 acabou favorecendo o segundo grupo e provando que a continuação deste que já não é um dos longas mais criativos e interessantes da Pixar é definitivamente desnecessária e, portanto, esquecível (ou ao menos a gente tentará). Por sorte, o estúdio tem uma lista de acertos memorável, e com certeza já conquistou espaço suficiente para fingirmos que a animação que estreia amanhã jamais chegou às telas.

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Carros 2
por Leandro Melo

A Pixar, como um dos maiores estúdios em animação do mundo, possui um currículo praticamente impecável, no que diz respeito às suas obras, sejam elas curtas ou longas. Infelizmente, o trabalho de John Lasseter vem a manchar essa reputação – até então inabalável – do  estúdio.

Em Carros 2, ao participar do Torneio dos Campeões, Relâmpago Mcqueen decide agregar o seu amigo Mate à equipe que o acompanhará nas viagens. Mate, porém, é confundido com um agente secreto e passa do posto de alívio cômico e coadjuvante para o herói da história. Inúmeras comédias hollywoodianas já tiveram essa premissa. O equívoco desta sequência já começa pelo argumento supracitado. Um argumento fraco e desconexo com o primeiro filme. Carros 2 poderia ser considerado praticamente um spin-off em relação ao seu original.

Pode-se considerar que a animação seria, então, uma paródia desse “sub-gênero”. O que o torna defeituoso é a forma como um roteiro com esse conflito se desenvolve. O filme é praticamente todo desenvolvido em cima de Mate e, por consequência, há muitas cenas de comédia e ação. Ironicamente, os melhores momentos do longa têm a participação de Relâmpago McQueen, agora coadjuvante. E, para os radicais defensores da natureza, ainda há uma trama estranha envolvendo o uso de combustíveis naturais, “apenas” mais um dos defeitos de um roteiro ruim.

A qualidade gráfica da animação feita pela Pixar continua sendo, como sempre, um dos elementos favoritos de suas obras. Um fator a ser elogiado em Carros 2 é a adaptação dos ambientes para o universo da animação. A arquiteturas de cidades e seus monumentos, e até figuras conhecidas como a Rainha e o Papa, se transformam e são inseridos no mundo de Carros.

Para os críticos precoces em relação a participação de Claudia Leitte, pasmem: ela cumpriu bem o seu papel. Ainda que sua personagem não tenha destaque, ela não constrange nas cenas em que Carla Veloso aparece. O restante do elenco também faz os minutos em que a película acontece soarem fluidos.

É uma pena, mas um estúdio com a reputação da Pixar não consegue justificar a feitura da continuação de um filme que já não era unânime em seu original. Carros 2 é desnecessário, não possui carisma e é bastante desconexo em relação ao predecessor – principalmente no que ele tinha de melhor.

 

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Cars 2 (EUA, 2011). Animação. Disney/Pixar.
Direção: John lasseter
Elenco: Owen Wilson, Michael Caine, Thomas Kretschmann, Joe Mantegna, Peter Jacobson, Jason Isaacs, Emily Mortimer
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