CRÍTICA | Casablanca

Críticas
// 08/06/2009
casablanca

Tido como o mais popular filme americano de todos os tempos, a obra-prima do diretor Michael Curtiz, clássica em todas as atribuições da palavra, ditou tendências nas décadas seguintes ao seu lançamento e ainda hoje, em razão da universalidade inerente do gênero, se mostra um tanto oportuna. Afinal, é um tanto quanto difícil imaginar Hollywood sem os desencontros de um adorável par romântico.

Lançado em 1943, Casablanca teve uma aceitação mais que compreensível. Desejosos pelo fim da Segunda grande Guerra Mundial, o público foi tomado de imediata empatia pela história do casal que luta para deixar a Europa rumo aos Estados Unidos e por sua perseverança na defesa de ideais – não que o filme denote qualquer pretensão nesse sentido. Pode-se dizer até, que Casablanca é um filme simples.

Casablanca – cidade marroquina que serve de título ao filme e palco de toda a trama – reúne pessoas vindas de toda Europa, que, afugentadas pela guerra, sonham com um futuro próspero em solo americano. Para tanto, elas precisam de vistos, obtidos a muito custo através de dinheiro, influência e principalmente, trapaças. Rick Blaine (Humprey Bogart) é o proprietário de um movimentado bar, detentor por acaso de dois desses valiosos vistos. Dono de cinismo invejável e uma admirável falta de escrúpulos, seu destino é transformado quando chega a Casablanca seu grande amor de outrora, a bela Ilsa (Ingrid Bergman), agora esposa de um famoso opositor da política nazista (Paul Henreid). Perseguidos por oficiais do III Reich, a liberdade dela e do marido reside exclusivamente na obtenção dos famigerados vistos e da colaboração de um rancoroso Rick.

Bogart, na pele do ex-amante, é magnético em cena: capaz de se mostrar mais cativante a cada falha de caráter que revela, é responsável em boa parte pela genialidade dos diálogos, insuflados de acidez e humor negro. Ingrid, dona de beleza e gestual tão clássicos como quaisquer outros elementos do filme, brilha, quase que literalmente, no competente trabalho de fotografia em preto e branco. No elenco de coadjuvantes, outro ponto forte do filme, Claude Rains, como o chefe de polícia local, rouba a cena e suscita uma delicada questão ao final do filme, no tocante a sexualidade de Rick. Será que ele é?

Da fumaça de cigarro onipresente à trilha sonora inconfundível de Max Steiner, passando-se pela imortalizada frase “Toque, Sam.”: Casablanca é um ícone definitivo da cultura cinematográfica. Só Deus sabe quantas vezes a canção As Times Goes By, serviu de referência romântica desde então.

Se clássicos já nascem clássicos e porquê o são, isso Casablanca pode responder.

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Casablanca (1942). Drama. Warner Bros. Pictures.
Direção: Michael Curtiz
Elenco:Ingrid Bergman, Paul Henreid, Claude Rains, Sydney Greenstreet, Peter Lorre, Dooley Wilson, Joy Page e Humphrey Bogart.

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Críticas, Drama