CRÍTICA: Caso 39

Críticas
// 09/04/2010

Depois de ter sua estréia adiada por diversas vezes nos últimos dois anos (!) por conta de  exibições teste insatisfatórias e correr o risco de ser lançado diretamente em DVD, chega finalmente aos cinemas Caso 39, terror protagonizado pela outrora atriz cômica Renée Zellweger. Valeu a pena esperar tanto? Confira.

Caso 39
por Matusael Ramos

Depois de Halle Barre, Cuba Gooding Jr., Nicole Kidman e tantos outros, a maldição do Oscar, parece, definitivamente, ter recaído sobre Renée Zellweger. Premiada pela Academia em 2004 pelo seu desempenho no épico Cold Mountain (após duas indicações consecutivas e mais dignas da estatueta, convenhamos), a atriz texana, desde então, se viu fadada à comédias românticas de pouca expressividade e não conseguiu emplacar nenhum grande sucesso, por assim dizer. E a julgar por Caso 39, thriller de suspense que estréia esse final de semana no Brasil, Renée não tem mesmo feito escolhas muito felizes.

No filme do diretor alemão Christian Alvart, Renée interpreta Emily Jenkins, uma atarefada assistente social incubida de solucionar o caso que serve de título ao longa: o de uma garota de dez anos de idade e comportamento arredio, cujo desempenho escolar vem caindo preocupantemente. Já em sua primeira visita à casa da pequena Lilith, Emily percebe que, a despeito das alegações em contrário dos pais da garota, há algo de estranho naquela família – a começar, evidentemente, pela aparência assustadora do próprio do  casal, que motiva a assistente social a continuar no caso. Eis que uma noite, após um pedido de socorro, Emily, amparada pelo amigo e policial Mike (Ian Mc Shane), surpreende o Sr. e a Sra. Sullivan tentando assassinar a filha – um dos pontos altos do longa. O casal é então condenado e sensibilizada, Emily se propõe a cuidar da garota até que o serviço social encontre uma nova família para ela. É a partir daí, quando pessoas próximas a Emily passam a morrer sob circunstâncias misteriosas, que o filme ganha contornos de terror sobrenatural e descobrimos (ou concluímos?) que a frágil Lilith não é, no final das contas, a vítima.

Zellweger, em sua segunda incursão no gênero – a primeira foi em 1994, quando protagonizou um infeliz remake de O Massacre da Serra Elétrica – cumpre bem o seu papel, dentro é claro, das limitações dramáticas da personagem. Mas o mérito é mesmo da jovem atriz canadense Jodelle Ferland, que empresta com competência todo o seu cinismo à assustadora Lilith, sendo a responsável pelas melhores sequências do filme.

Em Caso 39, as tentativas do diretor Christian Alvart de se desvencilhar dos clichês inerentes aos filmes de terror foram, inevitavelmente, em vão.  A começar pela premissa do longa em si, que como qualquer outro, ao propôr uma história envolvendo crianças e entidades malignas, não estaria livre de avivar uma série de referências, que no caso vão de A Profecia até o recente thriller A Órfã, passando ainda por O Exorcista. Tantas alusões – e falamos aqui daquelas não propositais – acabam por minimizar quaisquer méritos que o filme possa guardar. Em Caso 39, por exemplo, é possível vislumbrar um filme bom a partir de cenas como a do diálogo entre Lilith e o psicólogo interpretado por Bradley Cooper. Mas toda uma sorte de alucinações, sustos imediatistas e mortes absurdas vem em seguida para que esqueçamos tudo isso.

No final das contas, algumas histórias estão mesmo destinadas ao fracasso?


Case 39 (EUA, 2008). Suspense. Paramount Pictures.
Direção: Christian Alvart
Elenco: Rennée Zellwegger

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Críticas, Suspense