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Desde 1975, graças ao enorme sucesso de Tubarão, a assinatura de Steven Spielberg alimenta expectativas e movimenta cifras milionárias no mercado cinematográfico. Dessa vez, ao levar para as telas a trajetória de um cavalo pelos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial, o diretor promete arrancar, ao invés de sustos, lágrimas do público. Lenços a postos!

Leia a crítica clicando em “Ver Completo”

 

Cavalo de Guerra
por Matusael Ramos 

Poucas filmografias conseguem ser ao mesmo tempo tão universais e características quanto a de Steven Spielberg. Considerado por muitos um portador irremediável da síndrome de Peter Pan – graças às temáticas predominantemente infantis de seus filmes – o fato é que, aos 65 anos, com dois Oscars e tantos outros prêmios no currículo, o diretor continua surpreendentemente bom naquilo que sempre fez: emocionar plateias ao redor de todo o mundo.

Seja levando para as telas a história de um simpático extraterrestre e sua jornada de volta para casa, seja recriando digitalmente animais extintos há mais de 65 milhões de anos, durante toda a sua carreira, Spielberg introduziu elementos que não só tornaram seus filmes obras singulares na história do cinema, como contribuíram para o trabalho de muitos de seus sucessores. A predileção pelo elenco juvenil e os ótimos resultados obtidos junto a ele, o famoso close no rosto dos atores ao fim de um diálogo aparentemente sem importância, o humor em situações improváveis e claro, a pretensão desavergonhada de emocionar, são prova disso.

Não seria diferente com a sua mais nova realização, o drama épico Cavalo de Guerra – adaptação para o cinema do romance homônimo do autor britânico Michael Morpurgo, publicado em 1982. Orçado em 100 milhões de dólares, o filme conta a história de um cavalo impetuoso e desacreditado, arrebatado num leilão por um veterano de guerra que vive em uma fazenda com a esposa e o filho único (interpretado pelo estreante Jeremy Irvine). Encantado pelo animal, o garoto logo se propõe a domá-lo, e dessa amizade, evidentemente, nasce uma relação de cumplicidade que vai perdurar até o último instante do longa. O pai, entretanto, sem outros meios de pagar o aluguel da fazenda, se vê obrigado a entregar o cavalo às forças armadas inglesas, de partida para a França: é o início da Primeira Grande Guerra Mundial. A partir daí o filme narra a saga de Joey, o imponente cavalo castanho, capaz de, num cenário inóspito de guerra e nas mais diferentes circunstâncias, mudar a vida de uma gama de personagens.

Cavalo de Guerra resgata, a sua maneira, o melhor de um gênero há algum tempo preterido por Hollywood: o melodrama. Durante quase duas horas e meia de projeção, não somos poupados de encontros e desencontros arrebatadores, belíssimas panorâmicas de uma Europa bucólica do século 20 ou da onipresente e magnífica trilha sonora do maestro John Williams – parceiro de Spielberg há quase 40 anos. O roteiro sem segredos e a edição linear, ainda que inseridos num cenário caótico como o da Primeira Guerra Mundial, tornam claro que, assim como em tantas outras realizações do próprio Spielberg, o verdadeiro propósito do filme não é senão colocar em evidência ideais simples como bravura ou amizade. No final das contas, Joey não é muito diferente do alienígena de ET – O Extraterrestre, do menino robô de AI – Inteligência Artificial, ou mesmo dos escravos do navio Amistad: o que todos querem é ir para a casa.

Contudo, se para muitos o maior mérito de Cavalo de Guerra reside no resgate ao sentimentalismo, para outros essa é justamente a sua ruína – especialmente no que se refere à temporada de grandes premiações que vem por aí. Ainda que detentor de duas indicações ao Globo de Ouro – uma delas a de melhor filme – não é segredo que tanto a crítica especializada, como as diversos sindicatos e especialmente a Academia, têm dado preferência, nos últimos anos, a filmes com temáticas em evidência e abordagens mais realistas. Na competitiva indústria cinematográfica, resistir às novas tendências e explorar o lado mais vulnerável do público pode se configurar num erro fatal. Mesmo que você seja Steven Spielberg.

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War Horse (EUA, 2011). Drama. DreamWorks Pictures
Direção: Steven Spielberg
Elenco: David Thewlis, Benedict Cumberbatch, Emily Watson
Trailer

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Comentários via Facebook:

15 respostas para »CRÍTICA: Cavalo de Guerra»
  1. Parece bom, vou assistir depois :D

  2. Predominantemente infantis? Sindrome do Peter Pan?
    Tubarão (1975); Contatos Imediatos de Terceiro Grau (1977); A Cor Púrpura (1985); Império do Sol (1987); Além da Eternidade (1989); A Lista de Schindler (1993); Amistad (1997); O Resgate do Soldado Ryan (1998); A.I. Inteligência Artificial (2001); Minority Report (2002); Prenda-me Se For Capaz (2002); O Terminal (2004); Guerra dos Mundos (2005); Munique (2005); Cavalo de Guerra (2011); Lincoln (2012).

    Sério, isso é grande preconceito com o Mr. Spielberg, por meia duzia de filmes do Indiana Jones e Jurassic Park e outros dois no maximo…Vc quer filmes mais adultos do que os citados acima?

    No mais, uma grande critica sobre o filme, como sempre…o Site tá de parabens

  3. ”’ Na competitiva indústria cinematográfica, resistir às novas tendências e explorar o lado mais vulnerável do público pode se configurar num erro fatal. Mesmo que você seja Steven Spielberg.”

    Essa frase mato!!!!!!

    Morrendo de vontade de assistir o filme!

  4. No final das contas, Joey não é muito diferente do alienígena de ET – O Extraterrestre, do menino robô de AI – Inteligência Artificial, ou mesmo dos escravos do navio Amistad: o que todos querem é ir para a casa.

    Ou principalmente o Viktor Navorski em O Terminal.

  5. NOVE?!

  6. Pensei em dar 10.
    Achei que ficou claro que gostei muito do filme.

    Pois é Marcio Augusto, tbm tem o alien de Super 8 ou o Ryan, de O Resgate do Soldado Ryan. Só quis evidenciar que é uma constante na filmografia dele, não dá pra colocar todos.

  7. Tomara q vença o Oscar!!! execelente filme.

  8. o q eu percebi, lendo outras criticas sobre o filme, é que Cavalo de Guerra é o novo Árvore da Vida.
    Uns odiando ao extremo e outros amando completamente.

    Ainda ñ vi o filme, mas eu quero muito gostar dele. Curto o diretor e a pela história se mostra algo muito grande.

  9. Marcioaugusto, desde quando filme infantil é filme ruím? E.T é ruim? não, e Toy Story?a Viagem de chihiro?.
    E Pelamor de deus, Lista de Schindler pode ser uma obra prima, mas é o filme mais chato que eu já assisti.

  10. Nossa!!! Essa critica foi pra acabar…Me deu mais vontade de assistir o filme…De todos as criticas que li essa foi melhor…O filme parece lindo mostrando a amizade entre humano e animal…O que estamos precisando e muitoooo nos dias de hoje…
    Vc conseguiu descrever o filme como realmente queriamos saber…sem se deixar influenciar…

    Pelo visto eh um filme sensivel e belo…

    Obrigadaa

  11. Azog…eu não critiquei filmes infantis em momento algum…chorei em ToyStory3 e acho Wall-E sensacional, sou fã de filmes infantís. Só argumentei que rotular o Spielberg de diretor com complexo de Peter-Pan e que faz filmes prioritareamente infantís é um erro monumental.

  12. Ok. Desculpe a má interpretação.

  13. Só pra constar Marcio Augusto, tem um visível “Considerado por muitos” – e não “Considerado por mim” – ali antes de “um portador irremediável da síndrome de Peter Pan”.

    :)

  14. Ótima crítica, que me levou aos cinemas hoje pra ver o filme. Gostei muito do filme, e apesar da temática, Steven Spielberg consegue nos emocionar sem ser piegas e sem grandes apelações. Recomendo àqueles que conseguem assistir o filme sem preconceitos.

  15. parece ser bom,pela critica o filme é excelente .talvez eu vá assistir se tiver grana.

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