CRÍTICA: Cisne Negro

Críticas
// 03/02/2011

Após já ter constado e vencido em algumas premiações internacionais, sem contar as cinco indicações ao Oscar 2011, Cisne Negro chega aos cinemas do Brasil neste fim de semana. Um filme imperdível para qualquer amante da sétima arte (ou da Natalie Portman).

Cisne Negro
por Henrique Marino

Após o sucesso de crítica e público com O Lutador, Darren Aronofsky traz ao público mais uma obra-prima saída de suas mãos. Desta vez, sua habilidade como diretor é reconhecida pela Academia e, pela primeira vez, recebe uma indicação como melhor diretor. Justo. Pois Darren foi capaz de concatenar todos os departamentos da produção, além de impor seu próprio estilo na construção dessa história fascinante.

Natalie Portman interpreta Nina, uma bailarina que dedica toda sua vida ao balé. Logo no início da sessão, somos jogados a esse mundo obsessivo: Nina sonha que dança O Lago dos Cisnes; o jogo de luz e sombra simples e dramático combinado com o estilo livre e imprevisto da câmera em mãos de Darren dá, nesta cena inicial, o tom sombrio desse suspense psicológico. Ao acordar deste sonho, Nina se prepara para praticar balé.

Nina é uma garota extremamente retraída, controlada infantilizada e frágil. Essas características parecem fruto do relacionamento com sua mãe, Erica (Barbara Hershey), que abandonou a carreira de bailarina para se dedicar à filha. Ao que tudo indica, a proteção excessiva de Erica reprimiu a natureza da filha, tornando-a como ela é. No balé, Nina reflete suas qualidades pessoais. Sua dança é controlada e extremamente técnica.

No mesmo dia de seu sonho, ao chegar ao estúdio, descobre que a companhia se prepara para apresentar O Lago dos Cisnes. No entanto, para conseguir o papel principal com que sonhou dançar, a graciosa Cisne Branco, ela precisa realizar também a função da Cisne Negro, a antagonista. Sua habilidade técnica e sua fragilidade são perfeitas para o papel de Cisne Branco, mas não servem para o Cisne Negro, que exige uma dança mais passional e sensual. Nina, então, entra num conflito psicológico mascarado por essas duas personagens antagônicas. Sua obsessão pela perfeição a impulsionará na busca pelo ideal da Cisne Negro, que será projetado na figura de Lily (Mila Kunis), uma bailarina, novata na companhia, bastante vívida e extrovertida que possui a sensualidade necessária a este papel.

Thomas Leroy (Vincent Cassel), o diretor da companhia de balé, exerce uma função primordial na trama psicológica vivida por Nina. Figura masculina, ele exige dela a paixão da Cisne Negro. Vendo-se na obrigação de agradá-lo, não apenas por ser seu diretor, mas por ser uma influência masculina poderosa, Nina se esforça cada vez mais em se tornar a Cisne Negro perfeita.

Natalie Portman faz sua maior atuação interpretando os conflitos psicológicos deste longa-metragem. Com muitos closes e planos fechados, o rosto de Portman se torna o palco dos sentimentos de Nina. A frigidez e o sofrimento desta personagem são devidamente expressos pela atriz. A mudança do caráter de Nina, que cambaleia entre a Cisne Branco e a Cisne Negro, deixa clara a qualidade de Natalie.

Cisne Negro é o reflexo de forças poderosas que atuam dentro de nós. É a nossa duplicidade retratada nesse thriller psicológico. A constante briga entre nossos desejos e nossa moral. Para Nina, encarar-se no espelho desta forma se torna uma experiência delirante que custará um preço muito alto. Para nós, um dos melhores filmes do ano, recheado de significados e de sensações que Darren nos oferece com seu estilo cru e sua habilidade para o surreal.

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Black Swan (EUA, 2010). Drama. 20th Century Fox
Direção: Darren Aronofski
Elenco:
Natalie Portman, Barbara Hershey, Winona Ryder
Trailer

Após já ter constado e vencido em algumas premiações internacionais, sem contar as cinco indicações ao Oscar 2011, Cisne Negro chega aos cinemas do Brasil neste fim de semana. Um filme imperdível para qualquer amante da sétima arte.

Após o sucesso de crítica e público com O Lutador, Darren Aronofsky traz ao público mais uma obra-prima saída de suas mãos. Desta vez, sua habilidade como diretor é reconhecida pela Academia e, pela primeira vez, recebe uma indicação como melhor diretor. Justo. Pois Darren foi capaz de concatenar todos os departamentos da produção, além de impor seu próprio estilo na construção dessa história fascinante.

Natalie Portman interpreta Nina, uma bailarina que dedica toda sua vida ao balé. Logo no início da sessão, somos jogados a esse mundo obsessivo: Nina sonha que dança O Lago dos Cisnes; o jogo de luz e sombra simples e dramático combinado com o estilo livre e imprevisto da câmera em mãos de Darren dá, nesta cena inicial, o tom sombrio desse suspense psicológico. Ao acordar deste sonho, Nina se prepara para praticar balé.

Nina é uma garota extremamente retraída, controlada infantilizada e frágil. Essas características parecem fruto do relacionamento com sua mãe, Erica (Barbara Hershey), que abandonou a carreira de bailarina para se dedicar à filha. Ao que tudo indica, a proteção excessiva de Erica reprimiu a natureza da filha, tornando-a como ela é. No balé, Nina reflete suas qualidades pessoais. Sua dança é controlada e extremamente técnica.

No mesmo dia de seu sonho, ao chegar ao estúdio, descobre que a companhia se prepara para apresentar O Lago dos Cisnes. No entanto, para conseguir o papel principal com que sonhou dançar, a graciosa Cisne Branco, ela precisa realizar também a função da Cisne Negro, a antagonista. Sua habilidade técnica e sua fragilidade são perfeitas para o papel de Cisne Branco, mas não servem para o Cisne Negro, que exige uma dança mais passional e sensual. Nina, então, entra num conflito psicológico mascarado por essas duas personagens antagônicas. Sua obsessão pela perfeição a impulsionará na busca pelo ideal da Cisne Negro, que será projetado na figura de Lily (Mila Kunis), uma bailarina, novata na companhia, bastante vívida e extrovertida que possui a sensualidade necessária a este papel.

Thomas Leroy (Vincent Cassel), o diretor da companhia de balé, exerce uma função primordial na trama psicológica vivida por Nina. Figura masculina, ele exige dela a paixão da Cisne Negro. Vendo-se na obrigação de agradá-lo, não apenas por ser seu diretor, mas por ser uma influência masculina poderosa, Nina se esforça cada vez mais em se tornar a Cisne Negro perfeita.

Natalie Portman faz sua maior atuação interpretando os conflitos psicológicos deste longa-metragem. Com muitos closes e planos fechados, o rosto de Natalie Portman se torna o palco dos sentimentos de Nina. A frigidez e o sofrimento desta personagem são devidamente expressos pela atriz. A mudança do caráter de Nina, que cambaleia entre a Cisne Branco e a Cisne Negro, deixa clara a qualidade de Natalie.

Cisne Negro é o reflexo de forças poderosas que atuam dentro de nós. É a nossa duplicidade retratada nesse thriller psicológico. A constante briga entre nossos desejos e nossa moral. Para Nina, encarar-se no espelho desta forma se torna uma experiência delirante que custará um preço muito alto. Para nós, um dos melhores filmes do ano, recheado de significados e de sensações que Darren nos oferece com seu estilo cru e sua habilidade para o surreal.

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Categorias
Críticas, Drama